31 de julho de 2017

Cada vez mais perto...

“A coisa mais importante de todas é que o corpo é o apoio para a mente. Não seria possível haver uma estrutura mental se não houvesse uma estrutura corporal” António Damásio

 A relação da mente com o corpo tem despertado, em várias civilizações ao longo do tempo, grande curiosidade e motivado grandes discussões de interesse fundamental sobre a natureza humana. As diversas tentativas de responder às questões levantadas neste âmbito provocou, num período mais remoto, o desenvolvimento de um conhecimento com fortes influencias mítico-religiosas. Com o surgimento do pensamento filosófico grego, surge o primeiro momento de mudança do modelo mítico-religioso para um pensamento mais moderno, que promove uma maior sistematização sobre a estrutura e o funcionamento do corpo, da mente, e da relação entre os dois. Nesta altura, surgem tentativas de relacionar a corporalidade (teorias cardiocentristas e cefalocentristas) com as atividades mentais (as emoções, o pensamento, a memória), no domínio da filosofia e da medicina.

Mais tarde, a filosofia de René Descartes (1596-1650) estabelece a distinção entre a res cogitans e a res extensa, traduzindo-se como fundamento para a apreensão do corpo como realidade objetiva, conduzindo à radical separação, consagrada pela medicina dos séculos XVII e XVIII, entre corpo e mente.

Na Alemanha e no Estados Unidos, na década de 1920, surge uma proposta inovadora de ligação da psicanálise à etiologia de algumas doenças, dando origem à Medicina Psicossomática, sendo Helen Dunbar e Franz Alexander os seus fundadores. Esta proposta possibilitou o esclarecimento de possíveis determinantes inconscientes para as doenças, sublinhando que a resposta dada pelo organismo é especifica de cada individuo em função do seu caráter e das suas tendências.

Hoje, embora permaneçam em aberto questões fundamentais sobre a natureza da mente humana, o grande avanço das neurociências tem permitido compreender cada vez melhor o comportamento, assim como os diferentes circuitos neurais associados às diferentes funções mentais. Esta compreensão tem exigido cada vez mais uma postura integradora, em que o estudo da mente, do cérebro e do corpo se encontra em interação plena com o meio ambiente físico e social, ao invés do radicalismo dicotómico entre alma e corpo, mente e cérebro, razão e emoção (Damásio, 1994).

A investigação sistemática desta unidade mente-corpo constitui a base cientifica para a psicofisiologia, enfatizando a existência de uma continuidade entre o processamento neurofisiológico e psicológico (Porges, 2011). O corpo e a mente interpenetram-se, não há uma dinâmica puramente orgânica, nem puramente mental. Embora exista uma especificidade das esferas biológica, físico-química, psíquica, simbólica, social e cultural, além de outras, há uma clara continuidade. Esta perspetiva sincrónica dos eventos psíquicos e corporais valida o trabalho corporal no setting psicoterapêutico, que diversos autores como Reich, Lowen, Navarro, Boyesen, Kelleman, Boadella têm promovido. A meditação, o yoga, o tai chi são práticas que têm constituído um referencial comum importante para o trabalho psicocorporal.

Neste âmbito, torna-se pertinente referir o recente estudo publicado na revista Frontiers in Immunology, em 16 de junho, sobre a eficácia de intervenções mente-corpo (IMC) na reversão de reações moleculares no ADN causadoras de doença.

Este estudo parte das evidências, mostradas em investigações anteriores, sobre a validade das intervenções mente-corpo (meditação, ioga, tai chi, qigong, práticas de respiração) na melhoria da saúde, embora os mecanismos moleculares destes benefícios permaneçam ainda mal compreendidos. A hipótese é que as IMC invertam a expressão de genes envolvidos nas reações inflamatórias que são induzidas pelo stress. Esta investigação - conduzida por investigadores das universidades de Coventry (Inglaterra) e Radboud (Holanda) - constitui uma análise de estudos desenvolvidos ao longo de 11 anos , envolvendo 846 participantes, concluindo que existe um padrão de alterações moleculares no organismo como resultado das intervenções corpo-mente, e que essas alterações beneficiam a nossa saúde.

Quando um indivíduo é exposto a um evento stressante, o seu sistema nervoso simpático, que ajuda o organismo a lidar com situações de stress intenso, é desencadeado fazendo aumentar a produção de uma molécula conhecida como fator nuclear kappa B (NF-kB, sigla em inglês), o qual regula a forma como os nossos genes são expressos.

O NF-kB traduz o stress com a ativação de genes que produzem proteínas conhecidas como citocinas que causam inflamação a nível celular, uma reação útil em situações extremas, mas que se for persistente pode conduzir a um maior risco de cancro, depressão e envelhecimento mais rápido.

Este estudo sugere que quem pratica ICM apresenta uma redução na produção do NF-kB e das citocinas, produzindo uma reversão no padrão de expressão genética pró-inflamatória e uma redução nas doenças relacionadas com a inflamação.

“Estas atividades [intervenções corpo-mente] deixam o que chamamos uma assinatura molecular nas nossas células, que reverte o efeito que o stress ou ansiedade teria sobre o nosso organismo, através da alteração do modo como os nossos genes são expressos.”, afirma a investigadora principal, Ivana Buric.

Embora este estudo se refira às intervenções corpo-mente, no âmbito das práticas de respiração, meditação, ioga, tai chi, qigong, cabe, sem dúvida, aqui também o trabalho desenvolvido nas psicoterapias corporais. A sua inclusão poderá, no futuro, dar continuidade à validação destes resultados, e ainda lançar mais luz para áreas menos clarificadas.

Referências:

Buric, I., Farias, M., Jong, J., Mee, C., Brazil, A. (2017) “What is the Molecular Signature of Mind–Body interventions? A Systematic Review of Gene expression Changes induced by Meditation and Related Practices”. Frontiers in Immunology, junho 2017.
 Damásio, A. (1994) Descartes' Error: Emotion, reason, and the human brain. New York: Putnam, 1994. Porges, S.  (2011) The Polyvagal Theory. W. W. Norton & Company, New York.                                                                                            
                                                                                               Aurélio José Faia - CPSB
                                                                                              E-mail: ajfaia@gmail.com

21 de julho de 2017

"Se queres ir rápido vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado!"

As relações interpessoais são um dos pilares mais importantes para uma vida feliz. Uma vida feita em conjunto com os outros ganha mais sentido, pois enriquece consideravelmente a experiência vivida. Se queres ir rápido vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado, diz um provérbio africano. De facto, as vivências têm sabores diferentes consoante caminhamos sozinhos ou acompanhados. Não é uma questão de certo ou errado, é uma questão do que sentimos ser fundamental para cada um de nós, em coerência com os nossos sonhos, desejos e necessidades mais profundas. Se queremos uma vida rica e intensa do ponto de vista humano em termos de afetos, de aprendizagens, de partilhas, o importante não é ir rápido, mas sim longe, o mais longe possível. Ir rápido implica focar-se numa meta e querer chegar lá depressa, independentemente do ritmo dos outros; ir longe significa que a meta não é o mais importante, mas sim o caminho. E pelo caminho encontramos tudo o que precisamos para um percurso de crescimento humano, de desenvolvimento pessoal, de exploração de todo o nosso potencial para fazer frente às tempestades e às bonanças que naturalmente existem. Se queremos atravessá-las rápido talvez não consigamos captar o seu propósito no nosso percurso; se queremos chegar longe, tentamos integrá-las e com elas crescermos. Chegar longe requer o cuidado de olhar para os que estão à nossa volta e de deixarmos que olhem para nós. No olhar recíproco está o reconhecimento e a valorização de uma relação.
As relações dão-nos o melhor que a vida nos pode dar. Por vezes basta um sorriso, um olhar, e sentimo-nos embebidos por um shot de energia e boa disposição que nos faz voar pela magia do universo. Mas também nos dão o pior, quando nos sentimos arrasados e tristes por uma desilusão, fruto de uma expectativa que criámos. A ausência de expectativa nas relações é o verdadeiro e tão difícil segredo para que através delas consigamos sentir o poder de voar, sem medos nem exigências. É maravilhoso dar a quem sabemos que não nos vai retribuir senão um sorriso, pois será um dar genuíno, não esperamos nada em troca. E é maravilhoso receber de quem não estávamos nada à espera, por vezes até um desconhecido é quem mais nos surpreende! Se conseguíssemos olhar verdadeiramente para as pessoas que nos estão mais próximas com esse tal olhar inocente de um desconhecido, com um olhar de quem não está à espera de nada e de quem não se sente obrigado a dar nada, cada gesto seria sentido com infinita gratidão e maravilha. Deixaríamos que o encanto das relações, a genuinidade do dar e receber, a autenticidade de se ser quem se é, aflorasse a cada momento de interação. Dar simplesmente porque sim, porque nos faz bem, porque é inevitável quando se é feliz. Permitir-se receber porque se merece, porque nos faz sentir importantes, porque valoriza a nossa existência. E neste dar e receber faz-se uma caminhada juntos, onde ninguém vai mais à frente nem mais atrás, mas sim lado a lado, porque é juntos que chegaremos longe, o mais longe possível. Porém, só é possível ir lado a lado quando ninguém se puxa, se empurra, se pendura, quando ninguém exige, pressiona, chantageia; só é possível ir lado a lado quando cada um caminha por si próprio, na alegria de não estar sozinho.


Autora: Rossana Appolloni

www.rossana-appolloni.pt


30 de junho de 2017

Separações

“Na história das ciências do homem, um dos factores mais limitativos do conhecimento foi a divisão conceptualmente fixada entre corpo e espírito. Muito antes da divisão do corpo em fatias ou órgãos desafectados, separados uns dos outros, que a Medicina deste século pôs em prática [século XX], já essa dicotomia corpo/espírito funcionava radicalmente, com as restrições e prejuízos que nesta fase se tornaram evidentes, e que vai ser imperioso reparar.”
Escrito por Jorge Milheiro no prefácio da edição portuguesa do livro “Sonho e Psicossomática”, editado em Portugal pela Dinalivro em 2001.
O Homem é como um “vários-em-um e a Biossíntese olha para o ser humano como um todo, com tudo o que o compõe (e é muito), mas há uma base tripartida: mente (pensamentos), corpo (acção) e emoções. É a dança e o equilíbrio energético entre os três, que promovem um fluir que nos permite sentir, pensar e agir de uma forma balanceada e isenta, sem dar importância especial a apenas um deles. A questão é que nem sempre isto é possível porque todos teremos uma tendência. Um primeiro passo fundamental é tomar consciência das nossas tendências e perceber se agimos sem pensar, se nos deixamos levar pelas emoções, se ficamos presos nos nossos pensamentos… Se agimos sem pensar nas relações mas não no trabalho; se a família nos deixa trazer mais o nosso lado emocional ao de cima e não nos permitimos pensar. São 3 áreas de base que contactam também com diferentes áreas da nossa vida. E apesar de poder existir uma tendência genérica, poderão existir diferenças consoante as diferentes áreas da nossa vida.
Conhecermo-nos e perceber onde está o nosso foco, é um passo para melhor compreender o que se passa dentro de nós e como podemos melhorar os nossos movimentos, pensamentos e sentimentos, por forma a conseguir encontrar um equilíbrio. A viagem não é fácil mas pode ser a chave para muitas situações complicadas que vivemos connosco e, subsequentemente, com o outro.

Texto de Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese.
E-mail: psicorporal.bio@gmail.com
Site: psicoterapiacorporal.pt
Foto:
Scott Webb

16 de junho de 2017

Sobre este Blog...


O que é a Biossíntese?

Biossíntese significa Integração de Vida. Considerada internacionalmente como forma de desenvolvimento profundo, a Biossíntese chega como resposta a uma necessidade de formação clínica, com uma aprendizagem teórico-prática única, levando-nos a uma real consciência da nossa capacidade de auto-regulação e de interacção com tudo o que nos rodeia.

A Biossíntese, como terapia do futuro, trabalha com o princípio do desdobramento do potencial latente; quando os recursos internos são reforçados, os problemas tornam-se menores.
Há mais de 35 anos que a Biossíntese tem desenvolvido um modelo de integração entre corpo, mente e espírito. Investigações científicas em neurobiologia, psico-neuro-imunologia e medicina energética dão agora sustentação a esta integração de diferentes formas. A cura em Biossíntese é a ponte vital entre essência e existência, alma e corpo, território interior e exterior.

CPSB - Onde a vocação, a formação e uma nova profissão se encontram!


Vamos dialogar, sentir, pensar e pulsar juntos para alcançar uma consciência e evolução cada vez melhor e maior. 

Sejam Bem-Vindos! Com carinho, Maria del Mar (Directora do CPSB)
Maria del Mar Cegarra Cervantes - Actual Directora do CPSB. Licenciada em Psicologia Clínica. Psicoterapeuta. Trainer. Terapeuta Familiar. Naturopata. Formanda em Auriculo medicina. Vice Presidente da Associação Somatoterapia Espanhola. Colaboradora da revista de saúde mental Energy.




Centro Psicoterapia Somática em BiossínteseAv. 5 de Outubro, n.122, 5º Esq.

PT - 1050-061 Lisboa

Tel: 217935326 Fax: 212498769

Telm 96 393 97 50

E-mail: geral@cfpsb.com

http://www.schoolbiosynthesis.com/ 

Blog da Biossíntese


Este blog pretende divulgar a Biossíntese e o trabalho psicoterapêutico com carácter Holístico, Integrador, Transpessoal e ligado à Neurociência. Um espaço de divulgação, destinado não só a terapeutas e profissionais da Saúde, como a todos os que procuram maior auto-conhecimento.

Sobre a autora e organizadora

Ana Caeiro é Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese no CPSB, local onde se formou e onde é Professora Assistente. Um dos seus maiores prazeres é a escrita e por isso, para além de administrar este blog, tem também um site pessoal onde publica os seus artigos. Contacto: psicorporal.bio@gmail.com | site

Certificação DGERT e formação na área da psicoterapia reconhecida pela European Association for Psychotherapy (EAP). E pela European Acredited Psychotherapy Training Institute (EAPTI)
Certificação DGERT
Formação na área da Psicoterapia reconhecida pela European Association for Psychotherapy (EAP)


28 de abril de 2017

Nascer, a primeira grande transição da vida

Por: Tânia Gorducho, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese

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Contrariamente ao que muitas vezes se defende, o tema do parto e do nascimento diz respeito, não apenas a casais que pretendem ter filhos, mas sim a toda a sociedade. Afinal, todos nós nascemos um dia.

Nas palavras de D. Boadella, "o nascimento é um drama que pode determinar algumas das mais profundas características da nossa personalidade. Se o parto irá ou não tornar-se um trauma, vai depender muito das condições do momento e da atitude dos participantes".

Mas de que forma é que o parto pode impactar a vida de cada um de nós? Até que ponto um acontecimento isolado, numa fase tão primitiva da nossa formação, pode influenciar a forma como nos posicionamos na vida? E que influência terá na forma como nos relacionamos com os outros? Qual o impacto na nossa saúde física e emocional?

O nascimento humano foi moldado ao longo de milhões de anos, ao longo de toda a evolução do Homem. No entanto, com o surgimento dos modelos obstétricos contemporâneos (há cerca de 40, 50 anos) passámos a assistir a uma profunda alteração no modo como se nasce.
Actualmente, as práticas seguidas em hospitais, clínicas e maternidades são extremamente intervencionistas e invasivas, recorrendo a uma série de protocolos que não colocam em primeiro lugar o interesse da mãe nem do bebé.

Diversos estudos científicos comprovam que esses métodos inibem o fluxo hormonal necessário ao natural desenrolar do trabalho de parto. Por exemplo, no momento do parto é fundamental que o organismo da mulher segregue ocitocina, uma hormona que permite ajudar a relaxar e tornar fluído o processo. Quando isto acontece, cada contracção proporciona uma estimulação na pele do feto que o prepara para o sistema de sustentação pós-natal, que é radicalmente diferente do ambiente aquático que conheceu até então.

No entanto, esse estado natural nem sempre é desencadeado. Pelo contrário, o que ocorre frequentemente, é que a mulher fica tão tensa que acaba estimulando a zona cerebral do neocortex - encarregue do pensamento racional - o que provoca a segregação de adrenalina, uma hormona que produz tensão, contrariando o movimento natural das contracções, dificultando a expulsão natural do bebé. Nestes casos, em vez do bebé sentir cada contracção como uma massagem firme que prepara a sua passagem para o mundo extra-uterino, sentirá uma pressão esmagadora.

Além disso, o cocktail de hormonas naturalmente produzido durante o trabalho de parto, vai facilitar o processo de vinculação mãe-filho, além de ajudar à recuperação no pós-parto, reduzindo o sangramento, e consequentemente a possibilidade de infecções e anemia.

Quem deseja viver a experiência de um parto natural sem passar pelos métodos protocolares praticados hoje em dia, tem procurado a alternativa do parto humanizado. Ao contrário do que se possa imaginar, parto humanizado não significa parto em casa. A mulher escolhe o local onde se sente mais segura, podendo optar por ter o seu filho em casa, numa casa de parto ou num hospital preparado para isso. Neste formato não existe uma receita, mas sim um princípio: respeitar as necessidades e escolhas da mulher e também o tempo do bebé. São utilizadas massagens, respirações, acupuntura e outras técnicas com o propósito de proporcionar conforto à grávida. Pode ser aplicada anestesia mas somente se a mãe o solicitar. Ao nascer, o bebé é recebido num ambiente aquecido, com pouca luz, com a menor quantidade de pessoas e estímulos sensoriais possível de forma a não agredi-lo, e é imediatamente colocado em contacto com a mãe. Esta recepção, amorosa e respeitosa fica impressa na sua memória celular e irá acompanhá-lo toda a vida.

O parto é mais do que um acto fisiológico que começa com as contracções e termina com o nascimento do bebé e da placenta: é acima de tudo um verdadeiro ritual de iniciação ou de passagem, não apenas para a mãe, mas para toda a família e para o bebé que participa activamente nessa experiência, saindo mais forte dela.

A forma como somos recebidos no mundo é uma experiência profundamente marcante. Por isso, não basta apenas sobreviver ao parto, mas sim nascer com qualidade, experienciando um parto onde exista delicadeza durante todo o processo, assim como nas primeiras horas de vida. E para que isso aconteça, é fundamental que a mãe se prepare de forma consciente para receber o seu filho, da mesma forma e com o mesmo cuidado e atenção que coloca na escolha de cada peça de roupa do seu enxoval. Só assim teremos mulheres realizadas, bebés saudáveis e melhores vínculos familiares.

Fontes:
“Correntes da Vida”, D. Boadella, Ed. Summus, 3ª edição
“Childbirth and the Evolution of Homo Sapiens”, M. Odent, Ed. Printer & Martin, Ltd., 2014

Documentário “O renascimento do Parto”, Erica de Paula e Eduardo Chauvet, 2013

Tânia Gorducho é Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese no Centro de Psicoterapia Corporal em Biossíntese, em Lisboa, onde se formou, e em Setubal, na Clínica do Corpo e da Mente De Salgueiro & Jesus. A par da prática clínica, está a frequentar a Pós-graduação em Psicossomática e Epigenética, promovida pelo CPSB – Centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese.

Apaixonada pelas questões da maternidade, primeira infância e Parentalidade Consciente, fez formação como Doula de Parto e Pós-Parto com formadora certificada pela Dona International durante a gravidez do seu filho e começou a trabalhar com mães e casais no apoio à parentalidade em 2016. Promove e facilita Grupos terapêuticos de Apoio a Mães e Grávidas, além de Apoio individual a casais.

Contacto: tania.gorducho@almamater-psi.pt

Workshop gratuito na Espiral, Lisboa - As Emoções no Universo das Crianças


27 de fevereiro de 2017

Ser mulher hoje, é... | Workshop aberto - 8 de Março com Maria del Mar

WORKSHOP DIVULGAÇÃO | 08 DE MARÇO

Ser Mulher hoje é...

Será o conceito de igualdade de género utópico?
Como podemos refletir sobre a igualdade entre homens e mulheres na atualidade?
Podemos falar sobre o lado masculino da Mulher e o lado feminino do Homem?
Um workshop para homens e mulheres onde vamos desafiar os papéis de género.

Investimento: 5€ Associados / 10€ Não Associados CPSB
Data: 08 de Março 2017 das 19h às 21h
Local: Av. 5 de Outubro nº 122, 5º Esq. – Campo Pequeno
Confirmação obrigatória para o e-mail: geral@cfpsb.com ou 21 793 53 26
 Dra. Maria del Mar Cegarra Cervantes 
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese, Professora Sénior pelo International Institute for Biosynthesis, Directora do CPSB (centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese) e Presidente da APPC,  Associação Portuguesa de Psicoterapia Corporal

21 de fevereiro de 2017

3º Encontro Institucional Ibérico


Neste último fim-de-semana, decorreu o 3º Encontro Institucional Ibérico do CPSB! Este é um evento muito importante para a nossa escola e que reúne colegas e alunos de Portugal e de Espanha. O objetivo é manter a criatividade em movimento - o mote do evento - apresentando temas e projetos que estão em desenvolvimento e que têm como intuito demonstrar e dar a conhecer novas ferramentas para melhorar a intervenção terapêutica de indivíduos e grupos, É destinado a todos os alunos mas também aos professores e profissionais da área da Biossíntese.

De sexta a domingo, foram apresentados 11 workshops de palestrantes portugueses e espanhóis e das mais diversas temáticas, desde a escrita criativa, inteligência financeira, maternidade, dança butôh, movimento autêntico, yoga, múltiplas inteligências, anatomia vivencial, biossíntese em crianças e jovens, ou hakomi (psicoterapia somática baseada no Mindfulness).


O cruzamento entre a parte expositiva e a parte prática foi uma constante, algo que caracteriza a Biossíntese e que permitiu ao público que assistiu, não só aprender novas ferramentas como psicoterapeutas somáticos em Biossíntese, mas também vivenciar em primeira mão e no corpo as mais-valias de cada uma das apresentações.













Para o ano haverá, certamente, mais!


2 de fevereiro de 2017

Desculpa ter gritado contigo

As pessoas sem filhos não têm noção de como coisas tão simples como sair de casa se podem tornar quase impossíveis quando se tem filhos. Este é o mote para um momento brilhante de stand up comedy de Michael McIntyre. A sua descrição do processo de sair de casa com os seus dois filhos de manhã é hilariantemente familiar. Sim, porque quando se tem filhos, sair de casa para os levar à escola é todo um processo. E às vezes corre mal.

Vamos sair!

Tudo começou com o alarme a tocar à hora prevista – aquela que eu tinha calculado, num momento de lucidez, como ideal para que houvesse tempo suficiente para todos os imprevistos que podem suceder durante a manhã. Estava sozinho, a Carla tinha saído muito cedo. Três vezes depois de ter feito snooze ao alarme, sempre com a desculpa pouco lúcida de “São só mais cinco minutos…”, levantei-me estremunhado e fui acordar as crianças. Quem é que quer deixar o calor da cama e enfrentar o frio? Só adultos loucos. As crianças depois de muito resistirem lá aceitaram vestir-se, com a condição de o fazerem dentro da cama. Cheio de inveja por não poder fazer o mesmo fui tomar banho. Como é que tu tens força de vontade para fechar a água quente do banho? Tomar essa decisão é uma guerra que eu travo todos os dias de manhã. A mão avança para a torneira e em vez de fechá-la, dá-lhe aquele toque que aumenta ligeiramente a temperatura da água. “São só mais uns segundos…” e depois decido que tem mesmo de ser e a mão volta a ludibriar-me e a aumentar mais meio grau Celsius. Desligo a água, tal como me levanto da cama – sem saber como. É uma decisão inconsciente cheia de urgência.

Saí do banho e as crianças estavam a acabar o pequeno-almoço. Olhei para o telemóvel e percebi (como se diz cá em casa) que estávamos na risquinha para chegar a tempo. Fiquei irritado e ao mesmo tempo que fui preparar uma torrada, comecei a gritar: “Vão lavar os dentes! Vão-se calçar! Ponham os casacos!” Comi mal e a correr. Esfreguei os dentes, que foi o possível. Calcei-me. Vesti o casaco. Cheguei à porta pronto para sair e vi as horas no telemóvel. Ainda íamos a tempo! Se saíssemos naquele momento chegaríamos à escola segundos antes de tocar. Como vamos a pé, o tempo é sempre o mesmo, não há trânsito. Então gritei: “Vamos sair!”
O pai monstrengo
Era o momento-chave da narrativa matinal. Infelizmente, naquele dia, estávamos em modo trágico e havia direito a conflito. O meu filho de oito anos tinha decidido arreliar a irmã de sete e andavam à luta na sala. Ou seja, ignoraram-me totalmente. O pai monstrengo tomou conta de mim e dei dois berros para que parassem imediatamente com aquilo. O pai monstrengo para além de ter a capacidade de gritar, tem o dom da moralidade: “Não pode ser, Leonardo! Estamos atrasados. Porque é que tens de estar sempre a chatear a tua irmã? Principalmente quando queremos sair de casa. Queres chegar atrasado à escola?” O meu filho mais velho olhou-me e disse-me zangado : “Não grites comigo!”

Parte de mim percebia que ele se estava a sentir injustiçado, a outra parte não admitia aquele tipo de desafios à autoridade. “Sabem que castigo é que vocês merecem?” O olhar do Leonardo duro, preparado para o embate. O olhar da Sofia surpreendido, em pânico pelo que aí vinha. Então tão rápido como surgiu, o pai monstrengo espraiou-se como a espuma das ondas. ”Um castigo que eu já me arrependi de ter pensado nele e que não vou dizer…” Enquanto o elevador descia oito andares, eu ganhei consciência do que tinha realmente acontecido. Tinha me intrometido numa dinâmica entre os dois, algo que deveria ser resolvido entre eles. Na verdade, eu não fazia a mínima ideia se era o Leonardo que estava a arreliar a Sofia. Eu tinha estado demasiado atarefado a tentar recuperar o tempo perdido em pequenos prazeres da manhã. Tinha descarregado nele uma irritação pela qual ele não era responsável. Era normal que se sentisse injustiçado. Quando o elevador chegou ao rés-do-chão, eu já tinha percebido que tinha um pedido de desculpas a fazer.
Despesculpulpapa

Há qualquer coisa estranha que acontece comigo sempre que sinto o impulso de pedir desculpa a alguém. É uma resistência interna, como quando era criança e ia fazer uma atividade desconhecida. Parece que tenho medo que o coração me caia do peito. Demorei um minuto a organizar-me internamente e a acalmar a necessidade de manter a autoridade como pai. Quando saímos do prédio, dei-lhe um abraço, que ele não retribuíu, e disse-lhe ao ouvido: “Desculpa ter gritado contigo”, depois dei-lhe um beijinho na cara. Ao afastar-me percebi que ele tentava esconder um ligeiro derreter do seu olhar duro. Dei as mãos aos dois e lá partimos em silêncio em direção à escola. Minutos mais tarde, mesmo antes de atravessarmos a Avenida da República, o Leonardo parou e puxou-me pela mão, então disse-me: “Desculpa ter gritado, Papá.” O meu coração encheu-se de alegria e pôs-se para ali a saltitar pelo corpo, entusiasmado. Dei-lhe um grande abraço, que ele retribuíu. Então a Sofia quebrou o silêncio e lá fomos divertidos a treinar a língua dos Pês. Eupeu gospostopo muipuitopo depe tipi. Um minuto depois de ter tocado estavam a entrar na escola, mais do que a tempo. Enquanto voltava para trás, sozinho a pé, ia a sorrir desmesuradamente. Sem o ter planeado, durante aquela manhã tínhamos todos experimentado como é reparar uma relação. E essa, como a maior parte das lições, não se explicam, vivem-se.
Isto nem sempre acontece
Quantas vezes descarreguei a minha irritação nos meus filhos, irritação pela qual eles não tinham nenhuma responsabilidade? Muitas. E raramente lhes pedi desculpa. Quando reflito sobre essas situações percebo porque é que isso acontece. Internamente, estou tão frustrado e zangado, que nego a minha responsabilidade e protejo-me da sensação difícil que é admitir que estava errado. Ainda por cima, como eles são crianças e dependentes de mim, é fácil ignorar as emoções deles e simplesmente esperar que lhes passe a “birra”. Infelizmente, esse meu comportamento não tem nada de bom, exceto dar-lhes a oportunidade de lidarem com a frustração de serem acusados injustamente de algo. Acho que há melhores formas de lhes proporcionar essa experiência.
“Eles também não se vão lembrar quando crescerem”, poderás dizer. Não é essa a minha experiência. Conheço adultos que se lembram daquele momento em que se sentiram injustiçados pelos pais. É um momento que nunca foi reparado e que ficou ali embrenhado na relação, criando distorções ao longo de toda a vida.

Passamos a vida a ensinar as crianças a pedirem desculpa quando cometem algum lapso social. Talvez seja mais importante elas experimentarem o poder reparador de um pedido de desculpas vindo de alguém que tem autoridade sobre elas e que ainda assim as ama. Da minha parte, continuarei a procurar ter a lucidez que me permite acalmar as minhas emoções, sair da minha própria experiência egóica e considerar a perspetiva dos meus filhos.

Ah! E se não tens filhos e queres perceber como é sair de casa com eles, aqui tens Michael McIntyre no seu melhor: https://www.youtube.com/watch?v=uFQfylQ2Jgg

Texto escrito por Rodrigo Dias, aluno da Pós-Graduação em Psicoterapia Somática em Biossíntese.
Publicado originalmente em apulsar.pt

27 de janeiro de 2017

A Meditação e as crianças - Workshop aberto em Lisboa, no CPSB com Patricia Querido


WORKSHOP DIVULGAÇÃO | 30 DE JANEIRO

A Meditação e as Crianças

Por Patrícia Querido

A Meditação pode ajudar a criança e o jovem a atingirem o bem-estar e a ganharem autoconfiança. Envolve muito treino, disciplina e descoberta de novos conhecimentos. Pode e deve ser praticada em casa, na escola, ou qualquer outro lugar. Ajuda as crianças e os jovens a melhorarem o seu rendimento escolar, a aumentarem a sua autoestima, a sua maturidade emocional e a sua organização pessoal.

Para todos os Adultos que se interessem por temas das crianças.

Vamos experimentar?

Investimento: 5€ Associados / 10€ Não Associados CPSB
Data: 30 de Janeiro 2017 das 19h às 21h
Local: Av. 5 de Outubro nº 122, 5º Esq. – Campo Pequeno
Confirmação obrigatória para o e-mail geral@cfpsb.com ou 21 793 53 26

Dra. Patrícia Querido
Psicóloga e Psicoterapeuta em Biossíntese, Professora/Formadora na Escola do Centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese, Diretora e Professora das Disciplinas Base do CPSB (Psicopatologia, Teorias da Personalidade, Técnicas de Diagnóstico, Psicologia do Desenvolvimento), Training Manager da PE-OSP Psicologia Empresas e responsável pelas Bibliotecas do CPSB.