28 de julho de 2016

Família "composta", família "descomposta"

Texto de Ana Rita Carmo - Psicóloga & Psicoterapeuta Somática em Biossíntese. Diretora da Clínica Social (atendimento de baixo custo)

Falemos então desse puzzle da vida, cujas peças se encaixam, qual mosaico de sentimentos de gestão complexa e difícil.

Todos somos humanos e como tal "defeituosos", no sentido em que nem sempre vemos a realidade pelo seu lado verdadeiro.

E quando isso acontece é quando o conflito começa, quando a peça não encaixa e quando forçamos de tal forma que quase tendemos a estragar o "jogo".

A vida mostra-nos várias faces de uma figura geométrica multifacetada, e temos sempre de escolher aquela que nos parece a melhor para cada ocasião.

A dificuldade da escolha é a nossa dificuldade em aceitar as formas dos outros, e em moldar o nosso ego à forma de encaixe no puzzle.

Certo é que o tabuleiro é infinito nas opções mas o encontrar da peça certa para cada momento está dentro de nós.

Assim também nas famílias se joga o puzzle da vida, e o encaixe das peças se faz dia a dia, momento a momento. E este puzzle transforma-se num muro, tão mais sólido, quanto alicerçado e unido com o cimento da vida que é o amor.

Amor de pais e amor de filhos.

É este muro que nos segue toda a vida, que nos provem o amparo e o conforto das paredes do lar, e que se bem construído perdura no tempo, qual ponte romana, nunca afectada pela erosão desse mesmo tempo.

Este muro que se vai ramificar e multiplicar, será tão forte ou fraco, consoante lhe pusermos a quantidade e qualidade certa de "cimento" a cada peça que encaixarmos.

Este "cimento" a que chamamos amor, aparece ou é criado, de uma forma saudável ou de uma forma perniciosa, e quando se desenvolve pela última chama-se "mau amor".

Este mau amor que se se mostra por diversas formas, como: a posse, a intromissão, o ciúme, a inveja, permite até ligar as peças do puzzle, que não encaixam corretamente dando a aparência da ligação perfeita, mas que no tempo mostrará o erro de construção, e a mazela que no seio da família a vai descompor.

Tempo, paciência e perseverança são palavras chave para "jogar" este jogo.

Tempo para encontrar a peça certa.

Paciência para procurá-la.

Perseverança para não desistir ou substituí-la, por uma que muito semelhante dê a ilusão do encaixe perfeito.

O amor "bom" entre pais e filhos, permite juntar estas três qualidades. A receita para fabricar este amor "bom" não está disponível em nenhum manual, nem mesmo na internet no Wikipedia.

É a receita da vida, que vamos juntando e transmitindo de geração em geração, e que já vem do murro dos nossos antepassados.

Tem por base os valores da compreensão, do carinho, do cuidar, e do bem.

Surge então aqui o conceito, do amor incondicional de pais, que tem tanto de bom, como de "lado negro da força".

Cabe aos pais, dentro de uma introspecção cuidada, consciente e dialogante, estarem no "jogo" da vida, com a consciência de que o amor de pais não lhes confere a posse sobre os filhos, APENAS, lhes confere a primazia na transmissão da receita correcta do cimento da vida.

Do mesmo modo, não devem os filhos ver nesse amor incondicional, a forma velada de exigência ou chantagem emocional que condiciona tantas relações parentais.

Amor incondicional de pais não confere direitos, antes confere obrigações morais, éticas e sentimentais.

É nesta relação bi unívoca, que as famílias se compõe ou descompõem, que caminham juntas ou separadas, que na união percorrem caminhos diferentes, ou na desunião percorrem o mesmo caminho por vias diferentes, mas sempre no atropelo constante das emoções e dos sentimentos.

Compor uma família tão pouco se pode fazer no papel, ou a régua e esquadro. É um trabalho de vivência, de procura, de audição, e sobretudo de amor, alicerçado na tolerância e na alegria de nos "despirmos", de tudo em prol do outro, sempre com reciprocidade.

5 de julho de 2016

Workshop Aberto - Pós-Graduação | 12 de Julho Leitura corporal, emocional, psicossomática e energética.

Leitura corporal, emocional, psicossomática e energética. 
Entender o corpo como tradutor da alma e aprender a lê-lo.

Os padrões corporais cronicamente rígidos, juntamente com as representações mentais, crenças e valores que sustentam esses padrões, constituem a estrutura de caráter, que influencia a autopercepção física, a auto-estima, a auto-imagem e o intercâmbio com o ambiente. A linguagem corporal possibilita-nos alcançar mais facilmente um nível mais profundo de conhecimento sobre a experiência de uma dada pessoa, do que o que pode ser obtido com a abordagem puramente verbal.

Em Biossíntese olhamos para a história evolutiva do corpo, compreendendo o significado das suas camadas germinativas e o seu desenvolvimento, desde a concepção, em termos da morfologia dinâmica da pessoa. Analisamos e procuramos compreender esta pessoa, desde o seu processo formativo até às às estruturas corporais; da história da vida intra-uterina à morfologia dinâmica do corpo.

O indivíduo é visto como uma unidade psicossomática. O que afeta a mente afeta o corpo, e o que afeta o corpo afeta a mente. As defesas psicológicas usadas para lidar com a dor e o stress, tais como racionalizações, negação e supressão também estão ancoradas no corpo. E aparecem como padrões musculares que inibem a expressão. Esses padrões tornam-se inconscientes e passam a fazer parte da própria identidade da pessoa, impedindo que ela consiga modificar-se, mesmo que entenda a natureza do problema. Por isso, baseamo-nos na leitura corporal, ouvimos a história que a pessoa conhece e consegue contar e também deduzimos a história que ainda não conhece, a partir daquilo que o corpo mostra.

Destinatários:  Workshop dirigido a alunos, Terapeutas, Psicoterapeutas e Profissionais do Atendimento Clínico: Profissionais de Saúde, Ensino ou similar,  interessados no Curso de Pós-Graduação em Biossíntese e todos os que queiram aprofundar o seu olhar e intervenção em Psicoterapia Somática.

Objectivo: Procuramos fazer a tão necessária junção entre as três formas de diagnóstico complementares e a sua aplicação no nosso trabalho de reestabelecer o poder autorregulador que tem cada ser.

Temas a desenvolver:
- O Diagnóstico pulsátil, original da Biossíntese, ancorado no conceito de Ressonância.
- O Diagnóstico da Estrutura de Carácter de raiz profundamente Reichiana aperfeiçoado por Lowen.
- A leitura Corporal e as suas raizes: Reichianas, Keleman, Gerda Boyesen, Lowen, Pierrakos, David Boadella, entre outros.

Dias: 12 de Julho das 19h às 21h
        
Local: CPSB – Av. 5 de Outubro nº 122, 5º Esq. Lisboa – Campo Pequeno

Investimento: 5€ Associados e Parceiros C.P.S.B. / 10€ Não Associados C.P.S.B.




Drª.Maria del Mar Cegarra Cervantes.
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese, Professora Sénior pelo International Institute for Biosynthesis, Directora do CPSB (centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese) e Vice- Presidente da Asociación de Somatoterapia Española.