4 de maio de 2016

Como desligo isto?

“Botãozinho!

Este bichinho que não dorme nem me deixa dormir… imagens incontáveis à velocidade luz…! Passados, presentes, mil futuros… Demónios meus… deixem-me dormir! Apagar-me antes que amanheça! 


Exausta … Continuo a lutar contra este monstro! Já morrias!!

O corpo dói, a cabeça desfeita em água… As paredes movem-se, caem sobre mim… Os ruídos estranhos desta casa que desconheço … Frio!... Este frio que vem não sei de onde!!

Não me sinto aqui… não estou aqui! Perdida em lugares que eu própria criei! Viajo por mil mundos, mil universos! Viajo e não consigo regressar …

Viro-me e reviro-me vezes sem fim! Quero dormir! ! ! ! Esgota-se-me a energia. Desespero! Confusão! Cansaço… principalmente cansaço! Quero dormir… mas não consigo!

Entro na loja de cima e pergunto se há sono para vender…  não me deixam entrar! “Só vendemos sono a quem consegue encerrar capítulos e desligar botões!” Já fechei as portinhas, as portas e os portões… Fechei? E o botão encravou! Desliga-te! Apaguem a luz! Apaguem tudo! És apenas um botão! Tão pequeno e insignificante… ! No entanto, por mais que te force…..

Então desisto! Entrego-me… Porque já não tenho forças… Entrego-me a isto que não sei bem o que é!  E o despertador toca… mais um dia. Mais 12 horas de sorrisos fingidos, de gente, de movimento, de confusão… de tudo o que não quero enfrentar, porque não tenho forças!

Afinal vou ficar por aqui mais um pouco! Só mais um pouco! E fica tudo por fazer, mais uma vez! Talvez amanhã! E fico eu, vazia… apática! A vida a passar lá fora e eu neste filme deprimente que eu própria criei!  Neste filme em que a única coisa que faço é sentir-me revoltada … porque devia sair do sofá mas não saio! E sei tudo o que devo fazer… mas não faço! E o dia termina… e os demónios regressam!....

Over and over again!

Isto é vida? O que é isto? Ahh botãozinho …. Espera só p’ra ver!”


“Como desligo isto?”

O desejo mais comum de quem experiencia algum tipo ou forma de ansiedade.

A ansiedade traz consigo a urgência de se livrar da própria ansiedade. A emoção é o medo. Estado de apreensão, aflição. Mente preocupada, pensamento circular, antecipação de perigos e catástrofes. Corpo tenso, respiração curta, batimento cardíaco acelerado, garganta seca, etc. Medo dos sintomas físicos, medo da morte, medo da vida. Medo que nunca mais acabe.

Estratégias: evitação e fuga, interna e/ou externa. Não funciona. Quanto mais se luta contra a ansiedade e quanto mais se deseja não senti-la, mais se sofre dela e com ela. Procuram-se pensos rápidos. Aprendem-se estratégias e recursos que ajudam “controlar”  a ansiedade que podem oferecer uma sensação inicial de alívio. Mas ela vai voltar, seja durante ou após novos momentos de maior stress e tensão.

Na verdade, a questão ainda não foi realmente trabalhada. Transformar a ansiedade passa por aprender a transformar a minha relação com ela.

Mas como fazer isso?

Há que aprender a criar um espaço de contenção para a ansiedade, numa abordagem integrada: mente, corpo e emoção. Nesse processo, o “monstro” vai gradualmente deixando de ser monstro, e abrem-se novas portas para o crescimento individual integral.









Texto de Maria d'Aguiar
http://mariaraguiar.wix.com/-mariaguiar