11 de abril de 2016

Abraços

Por Patrícia Querido
Psicóloga e Psicoterapeuta Somática em Biossíntese
Professora Local do CPSB
Tema da Participação do Programa “Agora Nós” da RTP1 no dia 11 de Fevereiro de 2016.

Segundo a Psicoterapeuta Virginia Satir “Precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver. Precisamos de 8 abraços por dia para nos manter. Precisamos de 12 abraços por dia para crescer”.

Dá que pensar, o que será “isto” de um abraço? O abraço é quando duas (ou mais) pessoas ficam entre os braços da outra. É usado como forma de demonstração de afeto, através dele podemos cumprimentar ou expressar sentimentos como carinho, amor, compaixão, saudade, congratulação, terror, amizade, etc. Um abraço pode demonstrar também proteção instintiva.

É possível um abraço "completo" quando duas pessoas se abraçam entre si ou um abraço unilateral quando alguém permanece imóvel e a outra pessoa a abraça. Geralmente um abraço é dado pela frente de ambos, mas também pode ser dado de lado ou por trás. Entretanto, a expressão "abraço por trás" pode ter um sentido sexual mais forte. Um abraço pode ser coletivo e dado entre mais de uma pessoa ao mesmo tempo. É possível também abraçar objetos ou animais, por exemplo uma árvore ou um cão. Algumas vezes, o abraço entre amigos pode ser feito ou finalizado com umas “palmadinhas” nas costas.

Dependendo da intensidade e forma como é expressado, um abraço pode fazer parte do relacionamento sexual dos seres humanos, despertando tanto no homem quanto na mulher, sinais de líbido. Esse tipo de abraço pode acompanhar um beijo apaixonado. Apesar de incomum, pode-se dizer também que alguns animais podem abraçar. Um gorila, por exemplo, pode abraçar o seu filhote de forma muito parecida com o ser humano, uma gata pode cobrir os seus filhotes com a pata para proteger, e pode ser interpretado como um abraço.

Um abraço estabelece uma ligação íntima e saudável entre as pessoas. É bom tanto para quem dá, quanto para quem o recebe. O abraço não é nem mais, nem menos, do que uma instância de intimidade. Permite aproximarmos de uma pessoa, de modo a sentir a respiração ou ouvir o seu batimento cardíaco. Os braços são a extensão física do coração.

É um gesto simples, porém carregado de sentimentos. Desde a infância, as pessoas aprendem a abraçar aqueles que lhe são próximos para transmitir emoções diversas, seja em momentos de alegria, tristeza, saudade ou, simplesmente, quando dá vontade. O abraço é o carinho universal, pois pode ser dado e recebido de qualquer pessoa. Para quem está a passar por momentos difíceis, receber um abraço é reconfortante porque significa atenção, apoio, consolo e transmite solidariedade com o próximo.

Abraçar pode ter efeitos semelhantes através de uma massagem ou de técnicas de relaxamento como o yoga e a meditação. E abraçar mais do que 10 segundos pode ser considerado terapêutico.

Tipos de abraço

Abraço superficial: É dado de maneira casual. Geralmente é realizado entre amigos, ou ainda, colegas de trabalho. Pode envolver a “pancadinha” nas costas.

Abraço de “urso”: Quando verdadeiro, é capaz de reconfortar qualquer pessoa, independente da situação.

Abraço caloroso: Demonstra carinho e afeto por um amigo ou amiga. A sua duração costuma ser um pouquinho maior.

Abraço relâmpago: Quando menos se espera, eis que acontece. Normalmente, vem a partir de um impulso.

Abraço em grupo: Realizado com frequência nas escolas ou faculdades. Revela coerência e confiança mútua.

Abraço sanduíche: Um abraço por três ou mais pessoas. Para tal, duas pessoas ficam de frente uma para a outra, aguardando uma terceira, que ficará entre ambas.

Abraço pelas costas: Uma agradável surpresa! Serve para aquelas pessoas que desejam surpreender um amigo, amiga, namorada, namorado.

Abraço envolvente: Bastante comum entre casais. É como se, de uma hora para outra, os corpos se pudessem comunicar. Um abraço envolvente, por sua vez, é quase sempre acompanhado de um beijo mais apaixonado.

Abraço noturno: É dado nos momentos de maior intimidade. A sua realização pode ocorrer em diferentes lugares, seja no banho, na cama, no sofá…

Dar e receber abraços é um contacto primitivo e uma forma de transmitir o que sentimos. São parte da nossa vida cotidiana e servem para expressar muitos sentimentos e emoções, mas, além disso, produzem uma infinidade de benefícios que influenciam o nosso bem-estar físico e mental.

1 – Fica-se mais feliz!

Quando abraçamos alguém de quem gostamos, o corpo liberta uma substância denominada oxitocina, a hormona do amor e da felicidade, que está relacionada com a sensação de bem-estar tanto físico como mental. Por isso os abraços nos ajudam a sentir bem e a transmitir uma boa energia que se reflete numa melhora do estado de ânimo. Por isso, são muito benéficos para combater o stress, superar bloqueios mentais e recuperar-se de sentimentos de nostalgia ou tristeza. A oxitocina aumenta os sentimentos de apego, conexão, confiança e intimidade e ajuda a curar a solidão, o isolamento e até a raiva. O abraço é processado pelo sistema nervoso como uma recompensa, e por isso tem um impacto importante na mente humana, faz com que tenhamos uma sensação de felicidade e alegria. Não importa se estamos a abraçar ou a ser abraçados, a simples conexão física com o outro já nos torna mais felizes. Os abraços ainda ajudam a cultivar a paciência e demonstrar apreço, além de estimular a libertação de dopamina, a hormona do prazer, e serotonina, a hormona do bem-estar, amplamente associado ao bom humor e estimula as mesmas áreas do cérebro aliadas à sensação de bem-estar e aumenta a autoestima. Por todos estes motivos, os abraços podem inclusive ser importantes no tratamento da depressão.

2 - Desenvolve relacionamentos.

Os abraços são um bom remédio para superar a solidão, pois oferecem um contacto físico que consegue que as pessoas se sintam protegidas, apoiadas e compreendidas. Geram também um sentimento de agradecimento e favorecem a comunicação afetiva e o desenvolvimento da empatia. Essencial para melhorar as nossas relações sociais e sentir-nos mais confiantes e seguros. Os relacionamentos são parte fundamental das nossas vidas. Amar e ser amado é algo que todos procuramos, e os abraços podem ser parte importante deste objetivo. A troca de energia que ocorre durante um abraço é um investimento no relacionamento, e ajuda a criar empatia e compreensão. As relações fortalecem-se e adquirem níveis mais profundos, relacionamentos positivos são fundamentais para trazer felicidade a todas as áreas das nossas vidas.

Um abraço pode oferecer conforto a alguém que esteja a passar por um momento ou situação difícil na vida. Às vezes não temos ideia do quanto uma pessoa pode estar a precisar de um abraço, e de como um contacto próximo, mesmo que rápido, pode trazer um sorriso e um pouco de luz a um dia triste. Os abraços representam um contacto físico tão próximo e íntimo que ao dá-los ou recebê-los, permitimo-nos sentir tanto a respiração como os batimentos do coração da outra pessoa. Isto faz com que sejam ideais para estreitar vínculos, o que se acentua num casal. No casal os abraços, além de serem um gesto de afeto e carinho, provocam a libertação de dopamina, hormona que contribui para o aumento do desejo sexual. O abraço pode ser muito mais importante que o beijo na vinculação do casal.

3 - Reduz a tensão arterial.

Quando abraçamos alguém a nossa ‘hormona do amor’ dispara. A oxitocina desempenha um papel fundamental na redução de cortisol o que faz descer a pressão arterial. Estudos mostram que os abraços têm o poder de reduzir os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea, além de diminuir o risco de doenças cardíacas. Isso acontece porque a pele possui uma rede de centros de pressão que ficam em contacto com o cérebro por meio de nervos ligados a vários órgãos, inclusive o coração.

4 - Reforça o sistema imunitário.

A leve pressão no esterno e a descarga emocional ativam o chakra do plexo solar, que por sua vez estimula a glândula timo. Esta glândula regula e equilibra a produção de glóbulos brancos, contribuindo para a manutenção de altos níveis de imunidade. De acordo com um estudo conduzido pela universidade de Carnegie Mellon (EUA), abraçar, especialmente no caso de pessoas que sofrem de altos níveis de stress, ajuda a tornar as pessoas mais resistentes a infeções.

5 - Reduz o stress

Os abraços diminuem os níveis de cortisol, a hormona do stress. Altos níveis desta hormona podem prejudicar a saúde. Estudos encontraram evidências de que pessoas que foram mais abraçadas na infância demonstram menos sintomas de stress na vida adulta. A afeição física também ajuda a atenuar as nossas reações a situações stressantes e contribui para reduzir a ansiedade.

6 - Alivia a dor

A oxitocina faz-nos sentir menos dor. Abraçar também é muito eficaz para aliviar tanto o desconforto físico e emocional.

7 - Relaxa os músculos

Ao promover a libertação de "hormonas boas" e reduzindo a tensão arterial, o abraço ajuda também a descontrair os músculos, ajudando a libertar e diminuir a tensão no corpo, deixando-nos mais calmos e relaxados.

8 - Oferece proteção

O toque carinhoso de um abraço ajuda a criar uma sensação de segurança, já que nos sentimos totalmente protegidos quando abraçamos alguém que amamos. Além disso, os cientistas encontraram evidências de que os abraços ajudam a reduzir as nossas preocupações e medos existenciais. Estudos também mostram que as sensações táteis dos abraços protetores que recebemos dos nossos familiares na infância mantêm-se no sistema nervoso quando nos tornamos adultos, e ajudam a aumentar os nossos sentimentos de confiança, autoestima e amor-próprio.

9 - Queima calorias: Abraçar queima cerca de 12 calorias.

10 - Promove a saúde do cérebro e a memória.

Quando a oxitocina é libertada na corrente sanguínea o poder da memória melhora. Também estimula o sistema nervoso parassimpático contribuindo para encontrar um equilíbrio entre ativação e calma.

Todos precisamos de contacto físico. Precisamos de nos sentir queridos e amados, embora muitas vezes não tenhamos consciência disso. É por essa razão que procuramos o abraço daquele amigo querido, o carinho da pessoa que amamos… Um contacto real que nos conforta e cujo significado vai além do meramente físico.
“Sempre que posso, vou ver meus amigos: abraço e me deixo abraçar”.

Jorge Bucay