14 de março de 2016

Uma questão de perspectiva


O que Charlie Chaplin nos transmite é a ideia de que, se nos afastarmos durante um tempo de um local, quando regressamos, o local não nos parecerá o mesmo. É como quando voltamos a visitar a nossa escola primária e pensamos: "ena, é tão pequenina, pensava que era maior!". E era. Nós é que ficámos maiores e com isso mudamos de perspectiva. E a questão da perspectiva é muito engraçada: para já, como podemos ver, não é estática, pois vemos como ela pode mudar. Além do mais é rica e diversificada: cada um tem a sua.

No desenho, a perspectiva é a arte de colocar num desenho as diferentes distâncias entre os objectos retratados. Quando visualizamos o quadro, temos uma ideia de profundidade, vemos mais longe e vemos mais perto. Retratando então a nossa vida, como será ter perspectiva? E como jogamos com esta coisa da mudança de perspectiva?

Conforme crescemos mudamos as nossas perspectivas, seja por motivações físicas, como referi há pouco, seja por motivações sociais, ambientais, familiares, emocionais, and so on... E por vezes cristalizamos em algumas perspectivas. O problema é quando o mundo muda o quadro e, de repente, olhamos para as paisagens que conhecíamos e está tudo fora do sítio. E assim continuará porque estamos a olhar para algo novo com algo velho: a nossa antiga perspectiva não vislumbra este novo quadro. Surgem outros problemas: entristecemos, deprimimos, sentimo-nos insatisfeitos, traídos, mal entendidos... Então, como perspectivar também isto? Como incluir o novo, o velho e nós mesmos?


Através da Biossíntese tentamos ampliar a nossa visão, como se fosse um zoom out, para que nos possamos ver como um todo. Tentamos ver tudo o que faz parte de nós, o que é interno - em todas as suas camadas - e o que é externo, na nossa ligação ao outro, no contexto em que estamos (ou estivemos) inseridos, ou o mundo que nos rodeia e por vezes limita (ou amplia...). É aqui que entra o conceito de destotalização, onde tentamos percepcionar que aquilo que faz parte de nós, por mais sombrio que seja, é apenas isso: uma parte de nós. Nós não somos o problema, não somos a vítima, não somos a nossa história. Não somos apenas isso. Somos Alguém, somos um conjunto de muitas coisas e os nossos problemas não nos definem. Ao destotalizarmos podemos respirar: há espaço para ser muito mais do que aquilo que nos limita.