31 de outubro de 2016

Workshop gratuito com a Dr.ª Maria del Mar - 8 Nov. na Espiral, em Lisboa


Muitas vezes é difícil entender o limite entre o que é patológico, normal, extraordinário ou transpessoal. Vamos tentar fazer pontes entre estas áreas, incluindo todas as dimensões e, sobretudo, entender porque é que estes fenómenos ocorrem no ser humano e qual a sua função adaptativa e evolutiva.
Investimento: entrada livre
Data: 8 de Novembro de 2016 das 19h15 às 21h15
Local: Sala Actividades (junto ao Restaurante)  
Espiral - Centro para a Divulgação de Alternativas
Praça Ilha do Faial, 14 A - Lisboa

Confirmação obrigatória para o e-mail: geral@cfpsb.com ou 21 793 53 26


Dr.ª Maria del Mar Cegarra Cervantes



Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Somática 
em Biossíntese, Professora Sénior pelo International Institute for Biosynthesis, Directora do CPSB (centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese) e e Presidente da APPC,  Associação Portuguesa de Psicoterapia Corporal.

7 de setembro de 2016

"Como ajudar os pais a ajudar os filhos na escola"

Entrevista no Suplemento de Educação do Jornal i de 29 de Julho de 2015



Por Patrícia Querido, Psicóloga Especialista em Educação e Psicoterapeuta, atende crianças e jovens em consultório privado há mais de 10 anos. Diretora do Departamento Biossíntese Crianças e Jovens do Centro Psicoterapia Somática em Biossíntese em Lisboa.

Para crianças dos 7 aos 12 anos
1. O meu filho nunca estuda por vontade própria? Como ajudá-lo a sentir que aprender não é uma obrigação?
O estudo requer motivação (conjunto de forças que impelem um individuo a agir) e muita força de vontade por parte da criança. A motivação é o motor da autonomia. Não se impõe, mas pode ser alimentada e cultivada em casa. Mas aprender já é um movimento natural do ser humano. Se a criança não sente que aprende ou que não se “diverte” de uma forma séria, o estudo só serve como obrigação. Tentar perceber se o que está a estudar lhe faz sentido, tentar perceber o que o desmotiva de aprender. Falar calmamente com a criança, sem culpabilizar ou repreender. Perceber o que está a ser difícil de gostar. Conversar com o seu filho é uma das formas mais certeiras de perceber isso.

2. As notas do meu filho não melhoraram apesar das várias conversas. Devo ser mais autoritária? Os castigos são eficazes ou contraproducentes?
Isso depende da criança em si, do seu lado emocional e se inclusive a criança tem ou não dificuldades na aprendizagem que prejudiquem na compreensão das matérias dadas. Os limites dados às crianças têm muita relação com as regras de cada família e com os limites individuais de cada pai. Existem crianças que necessitam de regras ou limites muito bem colocados ao nível do estudo e há outras que não precisam tanto dessas regras, pois com um pouco de reforço e motivação conseguem organizar-se. Os castigos ou melhor as consequências têm de ser muito bem aplicados, pois o tempo para as crianças é diferente do tempo dos adultos. O que foi feito de muito mal na semana passada, para a criança já passou e o adulto continua a “ferver”. Emocionalmente as crianças são mais “instantâneas”.

3. A matemática é o único problema dele. O que fazer?
Existem crianças que têm pouca aptidão para a Matemática, mas podem ter aptidão para as línguas, para a geografia e história, para o desenho, para o desporto, entre outras. É certo e sabido que a Matemática no currículo escolar acompanha a criança até ao 9º no mínimo e por isso é bom ter bons hábitos de estudo, de treino e não deixar passar o “comboio da matemática”, pois fica mais difícil correr atrás para o apanhar. Deve-se exigir que cumpram a disciplina o mais positiva possível, pois a matemática serve também para organizar o pensamento e não só para fazer contas.

4. Como saber que estou a ser demasiado controladora?
Depende da idade, do temperamento e personalidade das crianças e claro da personalidade dos pais. Existem pais extremamente controladores, que sufocam os filhos com responsabilidades, atividades e exigências, quase que se esquecem que os outros são crianças, mais pequenas, mais frágeis emocionalmente e simplesmente capazes de responder segundo a sua idade cronológica e também a sua idade emocional. Existem pais que não são de todo controladores, pais que deixam os seus filhos fazerem tudo o que querem, que deixam os filhos “meterem-se” em assuntos de adultos, quase anulando a necessidade de colocação de limites que a criança precisa.
Aqui coloca-se um dos dilemas dos pais: Devo ou não agir assim? Controlo ou deixo que aconteça?
O bom senso deve prevalecer sempre, mas devemos também olhar para as crianças que temos connosco. Existem crianças que necessitam de muitos limites, pois são “destravadas” naturalmente, existem crianças que não necessitam de tantos limites, tanto controlo, pois são crianças “responsáveis” e confiáveis para os adultos, às vezes até crescidas demais para a sua idade cronológica.
Controladores ou não, os pais devem olhar pelo direito da criança estar em segurança e pelo direito da criança explorar o que a rodeia sem a limitar ao ponto da criança ter medo. E isso é estar atento à sua criança e às suas dificuldades enquanto pais e adultos em lidar com os limites.

5. Quais os comportamentos e atitudes a evitar quando estou a ajudá-lo nos TPC?
Os trabalhos de casa existem para que se exercitem as competências adquiridas durante o dia ou semana que passou, quanto as aulas servem para memorizar e consolidar novos conhecimentos. Existe no desenvolvimento da criança o princípio fundamental: toda a nova aquisição deve ser exercitada de forma concreta para poder ser conservada. E não se deve confundir exercício com aprendizagem. Os pais devem apoiar e orientar a criança no exercício das suas novas competências e não ensinar-lhas. A criança só precisa de um professor. Quando os pais se colocam no papel de professor, a criança pode ficar um pouco confusa, pois os pais não usam as mesmas estratégias que o professor usa. Podem desencadear stress na criança e levar ao aparecimento de expectativas (externas e internas) que a criança não sabe lidar.
Evitar que os pais se responsabilizem totalmente pelos trabalhos de casa dos seus filhos, evitar dar exemplos contrários ao que dizem ser importante (pai que diz ao filho que ler é importante, mas o filho nunca viu o pai a ler um livro e muito menos a gostar de ler), evitar deixar de fazer as suas tarefas em casa para estar constantemente ao lado do seu filho até os trabalhos de casa estarem feitos (deve promover a autonomia no estudo, e isso acontece aos poucos tendo em conta a idade da criança), evitar “negociar” horários ou privilégios em função dos trabalhos de casa (os trabalhos de casa fazem parte das tarefas da criança, tal e qual como o adulto tem tarefas quando chega a casa depois do trabalho) por isso, os pais têm a responsabilidade de assegurar à criança tempo e espaço suficientes para os seus tpc. Evitar desrespeitar o ritmo de aprendizagem da criança (cada criança tem o seu próprio ritmo, e nos dias de hoje o ritmo de aprendizagem da própria escola é bem rápido).

6. Já não me lembro nada da matéria que o meu filho está agora a estudar? Devo dizer que não sei? Voltar a estudar para ajudá-lo? Ou isso é competência do professor?
Como referi na resposta anterior, ensinar é tarefa do professor, aos pais cabe a responsabilidade de apoiar e encorajar a criança em assumir as suas responsabilidades na escola, para que ela tenha consciência das suas decisões ao longo do tempo de estudante, que é bem longo.
Sem dúvida que existem matérias atuais muito diferentes das matérias que os pais tiveram no seu tempo. São diferentes na forma como são lecionadas, ensinadas, são diferentes pois são mais complexas e até há matérias que são aprendidas hoje antes do tempo de aprendizagem dos pais (existe matéria dada hoje no 3º ano que foi dada no 5º ou 6º dos pais). Acompanhar o estudo não é ensinar e muito menos ir aprender para ensinar, é simplesmente estar presente e perceber as reais dificuldades emocionais e também de aprendizagem, e quando os pais veem que “areia demais para o seu camião” devem pedir ajuda ao professor, a professores explicadores e até a psicólogos da educação que façam apoio psicopedagógico.

7. Qual o segredo para não errar pelo excesso de zelo nem pela falta de atenção?
Este é um dos grandes dilemas da educação, “estou a invadir ou estou a privar?” É difícil lidar com estas polaridades, mas está relacionado com o tipo de criança que temos e o tipo de adulto que somos. O segredo está na relação com a criança, no diálogo com a criança e principalmente ouvir o que ela tem para dizer, ouvir com os ouvidos e com todos os outros sentidos, pois as crianças dialogam também com o corpo. As crianças quando são invadidas ou privadas de algo ou de alguém, seja pontualmente ou continuadamente, falam, choram, gritam, ficam em silêncio, adoecem… Esteja atento à sua criança.

8. Até que ponto devem os pais dar importância às queixas que os filhos fazem do professor?
A relação entre o professor e a criança é extremamente importante e complexa no desempenho da aprendizagem da criança. Quase todas as pessoas se lembram da sua professora “primária” e isso acontece porque traz à memória também algo emocional. O professor é um dos adultos, se não o adulto, de maior referência depois dos pais. As crianças aprendem por imitação de modelos e aprendem quando a relação emocional funciona.
Se a criança traz queixas, algo pode ter-se passado. Nada de grave, muitas vezes, mas para o “pequeno” mundo da criança pode ser muito. Os pais, ou um dos pais deve ouvir a criança na sua “queixa” e tentar perceber a gravidade da situação. E se realmente for necessário falar com o professor (mas isto se realmente for necessário). Isto porque no tempo de aula, que são muitas horas, acontece muita coisa, relação com a professora, relação com os colegas e amigos, estar atento na sala de aula, os intervalos e saber gerir o que brincar, com quem brincar, as tarefas… é bastante para uma criança gerir. É o mundo dela, os pais devem “treinar” as suas crianças para que “sobrevivam” no seu mundo. Isso com muito diálogo, paciência e dedicação.
Observe o seu filho, se houver alguma alteração de humor ou comportamento, como tristeza, agressividade, queixa de dores de barriga e se esses comportamentos acontecem também ao fim de semana. Não tire conclusões precipitadas e prematuras, ajude a criança a indicar as suas dificuldades e a evitar juízos precipitados (os conflitos fazem parte da vida), ajude a criança a encontrar os meios para serenar o conflito. Os pais devem confiar nos filhos. Se o conflito persistir aí sim devem contactar o professor, numa conversa de adultos sem a criança e perceber o que se passa na escola que influência a família e o ambiente da casa.

9. No caso de o aluno ter irmãos, é saudável comparar os desempenhos escolares entre eles?
Cada filho é único e o tempo de escola e de aprendizagem de cada um também, logo os resultados escolares vão ser diferentes, mesmo que sejam muito parecidos. A competição escolar entre os irmãos deve ser feita com muito cuidado pois pode afetar emocionalmente algum deles. A competição é inevitável e pode não ser prejudicial desde que não seja sempre contra a mesma criança. Se a competição for estimulada pelas comparações dos adultos, as expectativas da criança podem levar a profecias que se cumprem a si próprias e a padrões de comportamento destrutivos. Como são diferentes, de certeza que haverá áreas onde um é melhor que outros e vice-versa e até pode haver áreas em que sejam todos bons e áreas em sejam todos menos bons. Na família deve ser cultivada a cooperação, para que se possa colher o melhor de cada um e respeitar as diferenças.

10. Há uma idade certa para se ter um telemóvel? E, nesta fase, essa idade já chegou?
Há uns anos ter um telemóvel era algo dos adultos, nos dias de hoje um telemóvel é um “brinquedo” sofisticado que todos usamos e as crianças especialmente. Isso depende da criança, da família e das regras que se colocam no uso desse telemóvel. Já se sabe hoje através de alguns estudos, que o uso de telemóveis ou outros “gadgets” eletrónicos por crianças influencia a sua atenção, a sua aprendizagem e que quanto mais cedo as crianças os usarem mais “alienadas” do mundo real ficam. É preciso ter bom senso no uso. Quanto mais tarde o seu uso, melhor.


Sugestões de Leitura:
“Orientar o meu filho na sua vida escolar” de Germain Duclos da Climepsi Editores.
“No regresso das aulas… O lugar dos pais na aprendizagem escolar de Marie-Claude Béliveau da Climepsi Editores.

22 de agosto de 2016

WORKSHOP ABERTO | 31 DE AGOSTO O corpo no sonho e o sonho do corpo

O corpo não distingue entre o real e o imaginário.  O que acontece na nossa mente, in-corpora-se, somatiza. Vamos abordar  a função onírica, a sua tentativa de regular o mais profundo de nós, e ferramentas de trabalho com sonhos em Psicoterapia Somática. 
Se, por um lado, os sonhos e o imaginário são uma excelente ferramenta de trabalho em psicoterapia corporal, por outro, o próprio trabalho corporal também estimula naturalmente a produção dos sonhos, pois a memória inconsciente é mobilizada. O corpo não distingue entre o real e o imaginário.  O que acontece na nossa mente, in-corpora-se, somatiza.

Parte do trabalho integrativo em psicoterapia somática passa por estabelecer um acesso directo às sensações, novas ou conhecidas. Explora-se o sentido simbólico dos sonhos, fazendo pontes com o corpo, e, a partir dele, encontram-se novos vínculos e descobrem-se novas sensações. Surge toda uma nova linguagem: articulam-se palavras de coisas, de prazer, as analogias, a fantasia...

A partir do corpo, produzimos pensamentos, e "incorporamos" as palavras para lhes dar forma. O corpo, todo, pensa. Basta entrar em contacto.

Fazer pontes com as sensações é tão importante quanto fazer pontes com as ideias. Nesta base, podemos trabalhar com quem não se recorda, ou recorda pouco, de sonhar, com quem sofre de amnésia infantil, ou com quem tem dificuldade em associar livremente os pensamentos.

Vamos abordar a função onírica, a sua tentativa de regular o mais profundo de nós, bem como ferramentas de trabalho com sonhos em Psicoterapia Somática.

DestinatáriosAlunos, Terapeutas, Psicoterapeutas e Profissionais do Atendimento Clínico: Profissionais de Saúde, Ensino ou similar,  interessados no Curso de Pós-Graduação em Biossíntese e todos os que queiram aprofundar o seu olhar e intervenção em Psicoterapia Somática.

Quando e onde?
Dias: 31 de Agosto das 19h às 21h
        
Local: CPSB – Av. 5 de Outubro nº 122, 5º Esq. Lisboa
 Campo Pequeno

Investimento: 5€ Associados e Parceiros C.P.S.B. /
                           10€ Não Associados C.P.S.B.
Drª.Maria del Mar Cegarra Cervantes.
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese, Professora Sénior pelo International Institute for Biosynthesis, Directora do CPSB (centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese) e Vice- Presidente da Asociación de Somatoterapia Española.
 Faça a sua Inscrição e/ou coloque as suas questões através de geral@cfpsb.com ou 217935326 | 96 393 97 50 

28 de julho de 2016

Família "composta", família "descomposta"

Texto de Ana Rita Carmo - Psicóloga & Psicoterapeuta Somática em Biossíntese. Diretora da Clínica Social (atendimento de baixo custo)

Falemos então desse puzzle da vida, cujas peças se encaixam, qual mosaico de sentimentos de gestão complexa e difícil.

Todos somos humanos e como tal "defeituosos", no sentido em que nem sempre vemos a realidade pelo seu lado verdadeiro.

E quando isso acontece é quando o conflito começa, quando a peça não encaixa e quando forçamos de tal forma que quase tendemos a estragar o "jogo".

A vida mostra-nos várias faces de uma figura geométrica multifacetada, e temos sempre de escolher aquela que nos parece a melhor para cada ocasião.

A dificuldade da escolha é a nossa dificuldade em aceitar as formas dos outros, e em moldar o nosso ego à forma de encaixe no puzzle.

Certo é que o tabuleiro é infinito nas opções mas o encontrar da peça certa para cada momento está dentro de nós.

Assim também nas famílias se joga o puzzle da vida, e o encaixe das peças se faz dia a dia, momento a momento. E este puzzle transforma-se num muro, tão mais sólido, quanto alicerçado e unido com o cimento da vida que é o amor.

Amor de pais e amor de filhos.

É este muro que nos segue toda a vida, que nos provem o amparo e o conforto das paredes do lar, e que se bem construído perdura no tempo, qual ponte romana, nunca afectada pela erosão desse mesmo tempo.

Este muro que se vai ramificar e multiplicar, será tão forte ou fraco, consoante lhe pusermos a quantidade e qualidade certa de "cimento" a cada peça que encaixarmos.

Este "cimento" a que chamamos amor, aparece ou é criado, de uma forma saudável ou de uma forma perniciosa, e quando se desenvolve pela última chama-se "mau amor".

Este mau amor que se se mostra por diversas formas, como: a posse, a intromissão, o ciúme, a inveja, permite até ligar as peças do puzzle, que não encaixam corretamente dando a aparência da ligação perfeita, mas que no tempo mostrará o erro de construção, e a mazela que no seio da família a vai descompor.

Tempo, paciência e perseverança são palavras chave para "jogar" este jogo.

Tempo para encontrar a peça certa.

Paciência para procurá-la.

Perseverança para não desistir ou substituí-la, por uma que muito semelhante dê a ilusão do encaixe perfeito.

O amor "bom" entre pais e filhos, permite juntar estas três qualidades. A receita para fabricar este amor "bom" não está disponível em nenhum manual, nem mesmo na internet no Wikipedia.

É a receita da vida, que vamos juntando e transmitindo de geração em geração, e que já vem do murro dos nossos antepassados.

Tem por base os valores da compreensão, do carinho, do cuidar, e do bem.

Surge então aqui o conceito, do amor incondicional de pais, que tem tanto de bom, como de "lado negro da força".

Cabe aos pais, dentro de uma introspecção cuidada, consciente e dialogante, estarem no "jogo" da vida, com a consciência de que o amor de pais não lhes confere a posse sobre os filhos, APENAS, lhes confere a primazia na transmissão da receita correcta do cimento da vida.

Do mesmo modo, não devem os filhos ver nesse amor incondicional, a forma velada de exigência ou chantagem emocional que condiciona tantas relações parentais.

Amor incondicional de pais não confere direitos, antes confere obrigações morais, éticas e sentimentais.

É nesta relação bi unívoca, que as famílias se compõe ou descompõem, que caminham juntas ou separadas, que na união percorrem caminhos diferentes, ou na desunião percorrem o mesmo caminho por vias diferentes, mas sempre no atropelo constante das emoções e dos sentimentos.

Compor uma família tão pouco se pode fazer no papel, ou a régua e esquadro. É um trabalho de vivência, de procura, de audição, e sobretudo de amor, alicerçado na tolerância e na alegria de nos "despirmos", de tudo em prol do outro, sempre com reciprocidade.

5 de julho de 2016

Workshop Aberto - Pós-Graduação | 12 de Julho Leitura corporal, emocional, psicossomática e energética.

Leitura corporal, emocional, psicossomática e energética. 
Entender o corpo como tradutor da alma e aprender a lê-lo.

Os padrões corporais cronicamente rígidos, juntamente com as representações mentais, crenças e valores que sustentam esses padrões, constituem a estrutura de caráter, que influencia a autopercepção física, a auto-estima, a auto-imagem e o intercâmbio com o ambiente. A linguagem corporal possibilita-nos alcançar mais facilmente um nível mais profundo de conhecimento sobre a experiência de uma dada pessoa, do que o que pode ser obtido com a abordagem puramente verbal.

Em Biossíntese olhamos para a história evolutiva do corpo, compreendendo o significado das suas camadas germinativas e o seu desenvolvimento, desde a concepção, em termos da morfologia dinâmica da pessoa. Analisamos e procuramos compreender esta pessoa, desde o seu processo formativo até às às estruturas corporais; da história da vida intra-uterina à morfologia dinâmica do corpo.

O indivíduo é visto como uma unidade psicossomática. O que afeta a mente afeta o corpo, e o que afeta o corpo afeta a mente. As defesas psicológicas usadas para lidar com a dor e o stress, tais como racionalizações, negação e supressão também estão ancoradas no corpo. E aparecem como padrões musculares que inibem a expressão. Esses padrões tornam-se inconscientes e passam a fazer parte da própria identidade da pessoa, impedindo que ela consiga modificar-se, mesmo que entenda a natureza do problema. Por isso, baseamo-nos na leitura corporal, ouvimos a história que a pessoa conhece e consegue contar e também deduzimos a história que ainda não conhece, a partir daquilo que o corpo mostra.

Destinatários:  Workshop dirigido a alunos, Terapeutas, Psicoterapeutas e Profissionais do Atendimento Clínico: Profissionais de Saúde, Ensino ou similar,  interessados no Curso de Pós-Graduação em Biossíntese e todos os que queiram aprofundar o seu olhar e intervenção em Psicoterapia Somática.

Objectivo: Procuramos fazer a tão necessária junção entre as três formas de diagnóstico complementares e a sua aplicação no nosso trabalho de reestabelecer o poder autorregulador que tem cada ser.

Temas a desenvolver:
- O Diagnóstico pulsátil, original da Biossíntese, ancorado no conceito de Ressonância.
- O Diagnóstico da Estrutura de Carácter de raiz profundamente Reichiana aperfeiçoado por Lowen.
- A leitura Corporal e as suas raizes: Reichianas, Keleman, Gerda Boyesen, Lowen, Pierrakos, David Boadella, entre outros.

Dias: 12 de Julho das 19h às 21h
        
Local: CPSB – Av. 5 de Outubro nº 122, 5º Esq. Lisboa – Campo Pequeno

Investimento: 5€ Associados e Parceiros C.P.S.B. / 10€ Não Associados C.P.S.B.




Drª.Maria del Mar Cegarra Cervantes.
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese, Professora Sénior pelo International Institute for Biosynthesis, Directora do CPSB (centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese) e Vice- Presidente da Asociación de Somatoterapia Española.

8 de junho de 2016

Regresso a Casa

Bem lá no fundo de cada um de nós chora um órfão desamparado. Chora por ter tocado o divino e o ter perdido, ou pior ainda, por o ter esquecido. Nadámos no oceano das nossas Mães e sentimos emoções puras. Fomos Deuses a viver um amor cósmico sem fronteiras de espaço ou tempo. Viemos de um mundo de sonho e sensação, até nos precipitarmos da graça para a gravidade. Foi a nossa primeira morte. O trauma da experiencia vive ainda hoje nas nossas células como eco do nosso Big Bang. Literalmente, parir, vem do latim parere, que significa: dar à luz.

A forma como cuidamos deste trauma dita em grande medida a qualidade da nossa existência. Na nossa cultura, varremos para debaixo do tapete aquela cujo nome não ousamos pronunciar na esperança que ela se esqueça de nós. Depositámos numa figura maléfica todas as qualidades que consideramos contrárias à vida, como se a morte fosse exterior ao plano da vida.

No entanto, quando passamos algum tempo na Natureza e a contemplamos com o olhar certo, vimos todo o espectro da existência: o espetáculo da renovação, degradação, morte e renascimento. Numa palavra: impermanência. Um ciclo que existe em todas as coisas, incluindo no nosso corpo. A cada sete a dez anos a quase totalidade dos átomos do nosso corpo são trocados por átomos “novos”. A cada mês temos uma nova pele e a cada três dias um novo revestimento gástrico. Portanto, mais coisa menos coisa, a cada década passamos literalmente por uma reencarnação. Por todo o nosso corpo, a cada instante, há morte e renascimento. Somos um microcosmos de um macrocosmos.

Não será que o acolher e honrar o nosso fim, possa ser algo diferente dessa separação entre vida e morte; homem e natureza?

Os grandes mestres da Humanidade intuíram essa possibilidade de pacificar a morte em nós, através de uma vida integra, alinhada com os nossos valores nucleares, com intenções responsáveis e compassivas, deixando a marca não em pedra, mas nos corações de quem tocámos e inspirámos. O que criarmos apenas para nós próprios morre connosco, o que fizermos ao serviço da Vida perdura.

A senda de encontrarmos a nossa essência e de estarmos ao serviço da Vida pode ser uma história linda de amor, se assim o quisermos, mas só através da coragem e da sabedoria conseguiremos dizer não aos atalhos. Nunca é demais relembrar, que somos seres que se engrandecem e nutrem na qualidade e não na quantidade, na verdade e não no logro.

Como propõem várias tradições espirituais, há que morrer antes de morrer. Este paradoxo desafia-nos a uma entrega voluntária, um acto de abrir mão de expectativas e certezas acerca da realidade, acerca do que somos, acerca do que achamos que temos que ser. É uma rendição incondicional ao facto de que não existe terreno firme, nem guião para a vida, só o coração como bússola. Não é uma atitude passiva e derrotista, mas um olhar confiante sobre o desenrolar do caminho, não soprando contra o vento, antes bebendo cada momento pelo milagre que é. Um olhar que compreende a transitoriedade desta passagem sem se lhe opor, estando preparado para morrer a cada instante e assim vivendo cada instante com uma intensidade serena. Ser o bambu cujas raízes se agarram com força, mas erguer os braços e vergá-los aos ventos mais fortes, mediando terra e céu. Saborear o doce, e o amargo, e todos os sabores do cardápio da vida, com curiosidade, com abertura. Compreender que o amargo pode ser o doce provado com palato ainda não refinado. E se o amargo nos fizer revirar o estômago e contorcer de dor, talvez daí venha o espaço que faltava para podermos apreciar novas iguarias.

Na medida em que aceitamos a “sombra” da vida, assim também a experiência de estar vivo se aprofunda, não havendo nada a excluir. Daí, ocorre um realinhamento natural entre desejos fugazes e propósitos existenciais. Tudo o que é acessório à nossa trajectória ou dela nos desvia, mais facilmente será posto de parte.

Quando estivermos perto do momento da morte, a paz no coração é a medida para aferir a nobreza de uma vida. Esta trégua conquista-se numa intimidade amorosa com tudo o que vivemos, fazendo sentido da nossa história de alegrias e misérias, perdas e conquistas. Esta existência nunca foi uma corrida, não há prémios por chegar primeiro ou acumular mais. Vamos todos cruzar a meta que é um buraco de agulha, e nesse buraco, só o fio do Amor passa.

A vida não é um escoadouro onde há que esbracejar teimosamente numa luta heróica, carregando em frente sem saber para onde. A haver luta - que haverá certamente se seguirmos a sabedoria do coração - não é com a morte, nem com a vida, mas com tudo o que se lhes oponha. Ou como dizia o Rumi, poeta Persa do séc. XIII: “A nossa tarefa não é buscar o Amor, mas apenas procurar e desfazer todas as barreiras que fomos erguendo no nosso coração para o deter.

Do mesmo modo que viemos ao mundo num movimento de agarrar a vida, assim devemos aceitar a ideia de a ir largando gradualmente. Há uma grande diferença entre renunciar a algo de forma pacífica, e, agarrar cegamente até sufocar o que estamos a agarrar. A diferença mede-se no sofrimento da nossa existência.

Perante a angústia do desconhecido, cabe-nos confiar numa sabedoria por trás de tudo o que existe. O Universo já anda nisto há uns tempos e continuará muito depois de termos cumprido o nosso papel individual. Desconfio que o que realmente somos, esteja algo para lá da nossa compreensão, no entanto, existe em nós a possibilidade de vivenciar um silêncio e uma paz onde intuir a verdade.

A vida não é uma resposta, é antes uma eterna pergunta, e, é no silêncio de nós mesmos, ali onde o coração serena, que a pergunta perde o sentido de interrogação.

Ensinaram-me desde pequeno que a esperança média de vida é de cerca de 80 anos, portanto, há uns anos atrás, quando o meu Pai morreu aos 59, senti-me enganado e injustiçado. Quando se perde um Pai ou uma Mãe, é inevitável sentirmos que estamos na linha da frente para a próxima leva.

Depois da perda do meu Pai comecei a olhar mais para o meu sentido de vida. Passei a focar-me mais, no quanto me sinto grato porque o melhor dele vive ainda em mim. Abriu-se o caminho largo do abrir mão de ressentimentos, e, do perdoar, a ele e acima de tudo a mim. É o caminho que continuo ainda a percorrer. Na verdade, o perdoar, não é outra coisa senão o acolher a vida tal como é neste instante, fruto de todos os instantes que o antecederam, e, abrir mão da esperança de um passado melhor. O que nos define como pessoas não são as escolhas dos nossos pais, nem os momentos em que eles ficaram aquém do que precisávamos. Tenho vindo a descobrir com serenidade e paz como tanto do meu Pai perdura ainda em mim. Nas palavras, no jeito de falar, no jeito de olhar, na curiosidade e em tantas outras coisas. Um dia vinha no elevador e ao ver no espelho o meu sorriso devolvido, pareceu-me reconhecer uma expressão familiar. Reparei como o meu olho esquerdo se fecha um nadinha mais do que o direito quando sorrio. Fui a correr para confirmar em fotos de família o que o coração já sabia. Era de facto o olhar do meu Pai. Ele tinha levado uma pedrada no olho esquerdo quando era criança e ficou quase sem visão desse lado. Por algum motivo assumi inconscientemente a mesma expressão no olhar. Talvez para me sentir mais próximo dele.

Li algures, que o destino de um homem só se cumpre por completo, quando toda a memória da sua passagem pela existência se tiver apagado. Quando todas as pessoas que nos conheceram ou ouviram falar de nós tiverem morrido, quando todos os objectos, registos e fotos tiverem sumido, como pegadas deixadas na areia ao vento, aí sim, o nosso propósito terá sido cumprido de verdade. Atrevo-me a acrescentar, que talvez o último reduto de oposição a esta impermanência seja o Amor que pusermos no mundo. Quando o vento apagar o nosso rasto, a magia da vida que arde de coração em coração como chamas a passar de velas para velas, essa continuará, ainda que sem o nosso nome ou o nosso rosto.

A minha história e a do meu Pai estarão para sempre entrelaçadas até cumprirmos o nosso destino, e, depois, quem sabe? Algo me diz que nos reencontraremos no caminho de regresso a Casa.

Texto de Filipe Raposo - Alma 13
Aluno do Curso de Pós-Graduação em Biossíntese

Fotografia de Will van Wingerden (https://unsplash.com/photos/cZVthlrnlnQ)

4 de maio de 2016

Como desligo isto?

“Botãozinho!

Este bichinho que não dorme nem me deixa dormir… imagens incontáveis à velocidade luz…! Passados, presentes, mil futuros… Demónios meus… deixem-me dormir! Apagar-me antes que amanheça! 


Exausta … Continuo a lutar contra este monstro! Já morrias!!

O corpo dói, a cabeça desfeita em água… As paredes movem-se, caem sobre mim… Os ruídos estranhos desta casa que desconheço … Frio!... Este frio que vem não sei de onde!!

Não me sinto aqui… não estou aqui! Perdida em lugares que eu própria criei! Viajo por mil mundos, mil universos! Viajo e não consigo regressar …

Viro-me e reviro-me vezes sem fim! Quero dormir! ! ! ! Esgota-se-me a energia. Desespero! Confusão! Cansaço… principalmente cansaço! Quero dormir… mas não consigo!

Entro na loja de cima e pergunto se há sono para vender…  não me deixam entrar! “Só vendemos sono a quem consegue encerrar capítulos e desligar botões!” Já fechei as portinhas, as portas e os portões… Fechei? E o botão encravou! Desliga-te! Apaguem a luz! Apaguem tudo! És apenas um botão! Tão pequeno e insignificante… ! No entanto, por mais que te force…..

Então desisto! Entrego-me… Porque já não tenho forças… Entrego-me a isto que não sei bem o que é!  E o despertador toca… mais um dia. Mais 12 horas de sorrisos fingidos, de gente, de movimento, de confusão… de tudo o que não quero enfrentar, porque não tenho forças!

Afinal vou ficar por aqui mais um pouco! Só mais um pouco! E fica tudo por fazer, mais uma vez! Talvez amanhã! E fico eu, vazia… apática! A vida a passar lá fora e eu neste filme deprimente que eu própria criei!  Neste filme em que a única coisa que faço é sentir-me revoltada … porque devia sair do sofá mas não saio! E sei tudo o que devo fazer… mas não faço! E o dia termina… e os demónios regressam!....

Over and over again!

Isto é vida? O que é isto? Ahh botãozinho …. Espera só p’ra ver!”


“Como desligo isto?”

O desejo mais comum de quem experiencia algum tipo ou forma de ansiedade.

A ansiedade traz consigo a urgência de se livrar da própria ansiedade. A emoção é o medo. Estado de apreensão, aflição. Mente preocupada, pensamento circular, antecipação de perigos e catástrofes. Corpo tenso, respiração curta, batimento cardíaco acelerado, garganta seca, etc. Medo dos sintomas físicos, medo da morte, medo da vida. Medo que nunca mais acabe.

Estratégias: evitação e fuga, interna e/ou externa. Não funciona. Quanto mais se luta contra a ansiedade e quanto mais se deseja não senti-la, mais se sofre dela e com ela. Procuram-se pensos rápidos. Aprendem-se estratégias e recursos que ajudam “controlar”  a ansiedade que podem oferecer uma sensação inicial de alívio. Mas ela vai voltar, seja durante ou após novos momentos de maior stress e tensão.

Na verdade, a questão ainda não foi realmente trabalhada. Transformar a ansiedade passa por aprender a transformar a minha relação com ela.

Mas como fazer isso?

Há que aprender a criar um espaço de contenção para a ansiedade, numa abordagem integrada: mente, corpo e emoção. Nesse processo, o “monstro” vai gradualmente deixando de ser monstro, e abrem-se novas portas para o crescimento individual integral.









Texto de Maria d'Aguiar
http://mariaraguiar.wix.com/-mariaguiar

11 de abril de 2016

Abraços

Por Patrícia Querido
Psicóloga e Psicoterapeuta Somática em Biossíntese
Professora Local do CPSB
Tema da Participação do Programa “Agora Nós” da RTP1 no dia 11 de Fevereiro de 2016.

Segundo a Psicoterapeuta Virginia Satir “Precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver. Precisamos de 8 abraços por dia para nos manter. Precisamos de 12 abraços por dia para crescer”.

Dá que pensar, o que será “isto” de um abraço? O abraço é quando duas (ou mais) pessoas ficam entre os braços da outra. É usado como forma de demonstração de afeto, através dele podemos cumprimentar ou expressar sentimentos como carinho, amor, compaixão, saudade, congratulação, terror, amizade, etc. Um abraço pode demonstrar também proteção instintiva.

É possível um abraço "completo" quando duas pessoas se abraçam entre si ou um abraço unilateral quando alguém permanece imóvel e a outra pessoa a abraça. Geralmente um abraço é dado pela frente de ambos, mas também pode ser dado de lado ou por trás. Entretanto, a expressão "abraço por trás" pode ter um sentido sexual mais forte. Um abraço pode ser coletivo e dado entre mais de uma pessoa ao mesmo tempo. É possível também abraçar objetos ou animais, por exemplo uma árvore ou um cão. Algumas vezes, o abraço entre amigos pode ser feito ou finalizado com umas “palmadinhas” nas costas.

Dependendo da intensidade e forma como é expressado, um abraço pode fazer parte do relacionamento sexual dos seres humanos, despertando tanto no homem quanto na mulher, sinais de líbido. Esse tipo de abraço pode acompanhar um beijo apaixonado. Apesar de incomum, pode-se dizer também que alguns animais podem abraçar. Um gorila, por exemplo, pode abraçar o seu filhote de forma muito parecida com o ser humano, uma gata pode cobrir os seus filhotes com a pata para proteger, e pode ser interpretado como um abraço.

Um abraço estabelece uma ligação íntima e saudável entre as pessoas. É bom tanto para quem dá, quanto para quem o recebe. O abraço não é nem mais, nem menos, do que uma instância de intimidade. Permite aproximarmos de uma pessoa, de modo a sentir a respiração ou ouvir o seu batimento cardíaco. Os braços são a extensão física do coração.

É um gesto simples, porém carregado de sentimentos. Desde a infância, as pessoas aprendem a abraçar aqueles que lhe são próximos para transmitir emoções diversas, seja em momentos de alegria, tristeza, saudade ou, simplesmente, quando dá vontade. O abraço é o carinho universal, pois pode ser dado e recebido de qualquer pessoa. Para quem está a passar por momentos difíceis, receber um abraço é reconfortante porque significa atenção, apoio, consolo e transmite solidariedade com o próximo.

Abraçar pode ter efeitos semelhantes através de uma massagem ou de técnicas de relaxamento como o yoga e a meditação. E abraçar mais do que 10 segundos pode ser considerado terapêutico.

Tipos de abraço

Abraço superficial: É dado de maneira casual. Geralmente é realizado entre amigos, ou ainda, colegas de trabalho. Pode envolver a “pancadinha” nas costas.

Abraço de “urso”: Quando verdadeiro, é capaz de reconfortar qualquer pessoa, independente da situação.

Abraço caloroso: Demonstra carinho e afeto por um amigo ou amiga. A sua duração costuma ser um pouquinho maior.

Abraço relâmpago: Quando menos se espera, eis que acontece. Normalmente, vem a partir de um impulso.

Abraço em grupo: Realizado com frequência nas escolas ou faculdades. Revela coerência e confiança mútua.

Abraço sanduíche: Um abraço por três ou mais pessoas. Para tal, duas pessoas ficam de frente uma para a outra, aguardando uma terceira, que ficará entre ambas.

Abraço pelas costas: Uma agradável surpresa! Serve para aquelas pessoas que desejam surpreender um amigo, amiga, namorada, namorado.

Abraço envolvente: Bastante comum entre casais. É como se, de uma hora para outra, os corpos se pudessem comunicar. Um abraço envolvente, por sua vez, é quase sempre acompanhado de um beijo mais apaixonado.

Abraço noturno: É dado nos momentos de maior intimidade. A sua realização pode ocorrer em diferentes lugares, seja no banho, na cama, no sofá…

Dar e receber abraços é um contacto primitivo e uma forma de transmitir o que sentimos. São parte da nossa vida cotidiana e servem para expressar muitos sentimentos e emoções, mas, além disso, produzem uma infinidade de benefícios que influenciam o nosso bem-estar físico e mental.

1 – Fica-se mais feliz!

Quando abraçamos alguém de quem gostamos, o corpo liberta uma substância denominada oxitocina, a hormona do amor e da felicidade, que está relacionada com a sensação de bem-estar tanto físico como mental. Por isso os abraços nos ajudam a sentir bem e a transmitir uma boa energia que se reflete numa melhora do estado de ânimo. Por isso, são muito benéficos para combater o stress, superar bloqueios mentais e recuperar-se de sentimentos de nostalgia ou tristeza. A oxitocina aumenta os sentimentos de apego, conexão, confiança e intimidade e ajuda a curar a solidão, o isolamento e até a raiva. O abraço é processado pelo sistema nervoso como uma recompensa, e por isso tem um impacto importante na mente humana, faz com que tenhamos uma sensação de felicidade e alegria. Não importa se estamos a abraçar ou a ser abraçados, a simples conexão física com o outro já nos torna mais felizes. Os abraços ainda ajudam a cultivar a paciência e demonstrar apreço, além de estimular a libertação de dopamina, a hormona do prazer, e serotonina, a hormona do bem-estar, amplamente associado ao bom humor e estimula as mesmas áreas do cérebro aliadas à sensação de bem-estar e aumenta a autoestima. Por todos estes motivos, os abraços podem inclusive ser importantes no tratamento da depressão.

2 - Desenvolve relacionamentos.

Os abraços são um bom remédio para superar a solidão, pois oferecem um contacto físico que consegue que as pessoas se sintam protegidas, apoiadas e compreendidas. Geram também um sentimento de agradecimento e favorecem a comunicação afetiva e o desenvolvimento da empatia. Essencial para melhorar as nossas relações sociais e sentir-nos mais confiantes e seguros. Os relacionamentos são parte fundamental das nossas vidas. Amar e ser amado é algo que todos procuramos, e os abraços podem ser parte importante deste objetivo. A troca de energia que ocorre durante um abraço é um investimento no relacionamento, e ajuda a criar empatia e compreensão. As relações fortalecem-se e adquirem níveis mais profundos, relacionamentos positivos são fundamentais para trazer felicidade a todas as áreas das nossas vidas.

Um abraço pode oferecer conforto a alguém que esteja a passar por um momento ou situação difícil na vida. Às vezes não temos ideia do quanto uma pessoa pode estar a precisar de um abraço, e de como um contacto próximo, mesmo que rápido, pode trazer um sorriso e um pouco de luz a um dia triste. Os abraços representam um contacto físico tão próximo e íntimo que ao dá-los ou recebê-los, permitimo-nos sentir tanto a respiração como os batimentos do coração da outra pessoa. Isto faz com que sejam ideais para estreitar vínculos, o que se acentua num casal. No casal os abraços, além de serem um gesto de afeto e carinho, provocam a libertação de dopamina, hormona que contribui para o aumento do desejo sexual. O abraço pode ser muito mais importante que o beijo na vinculação do casal.

3 - Reduz a tensão arterial.

Quando abraçamos alguém a nossa ‘hormona do amor’ dispara. A oxitocina desempenha um papel fundamental na redução de cortisol o que faz descer a pressão arterial. Estudos mostram que os abraços têm o poder de reduzir os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea, além de diminuir o risco de doenças cardíacas. Isso acontece porque a pele possui uma rede de centros de pressão que ficam em contacto com o cérebro por meio de nervos ligados a vários órgãos, inclusive o coração.

4 - Reforça o sistema imunitário.

A leve pressão no esterno e a descarga emocional ativam o chakra do plexo solar, que por sua vez estimula a glândula timo. Esta glândula regula e equilibra a produção de glóbulos brancos, contribuindo para a manutenção de altos níveis de imunidade. De acordo com um estudo conduzido pela universidade de Carnegie Mellon (EUA), abraçar, especialmente no caso de pessoas que sofrem de altos níveis de stress, ajuda a tornar as pessoas mais resistentes a infeções.

5 - Reduz o stress

Os abraços diminuem os níveis de cortisol, a hormona do stress. Altos níveis desta hormona podem prejudicar a saúde. Estudos encontraram evidências de que pessoas que foram mais abraçadas na infância demonstram menos sintomas de stress na vida adulta. A afeição física também ajuda a atenuar as nossas reações a situações stressantes e contribui para reduzir a ansiedade.

6 - Alivia a dor

A oxitocina faz-nos sentir menos dor. Abraçar também é muito eficaz para aliviar tanto o desconforto físico e emocional.

7 - Relaxa os músculos

Ao promover a libertação de "hormonas boas" e reduzindo a tensão arterial, o abraço ajuda também a descontrair os músculos, ajudando a libertar e diminuir a tensão no corpo, deixando-nos mais calmos e relaxados.

8 - Oferece proteção

O toque carinhoso de um abraço ajuda a criar uma sensação de segurança, já que nos sentimos totalmente protegidos quando abraçamos alguém que amamos. Além disso, os cientistas encontraram evidências de que os abraços ajudam a reduzir as nossas preocupações e medos existenciais. Estudos também mostram que as sensações táteis dos abraços protetores que recebemos dos nossos familiares na infância mantêm-se no sistema nervoso quando nos tornamos adultos, e ajudam a aumentar os nossos sentimentos de confiança, autoestima e amor-próprio.

9 - Queima calorias: Abraçar queima cerca de 12 calorias.

10 - Promove a saúde do cérebro e a memória.

Quando a oxitocina é libertada na corrente sanguínea o poder da memória melhora. Também estimula o sistema nervoso parassimpático contribuindo para encontrar um equilíbrio entre ativação e calma.

Todos precisamos de contacto físico. Precisamos de nos sentir queridos e amados, embora muitas vezes não tenhamos consciência disso. É por essa razão que procuramos o abraço daquele amigo querido, o carinho da pessoa que amamos… Um contacto real que nos conforta e cujo significado vai além do meramente físico.
“Sempre que posso, vou ver meus amigos: abraço e me deixo abraçar”.

Jorge Bucay