18 de março de 2015

Psicoterapia Corporal sem toque*



Falar de psicoterapia corporal sem toque é para mim falar de atenção e de tomada de consciência.

 
O nosso corpo é um reservatório de memórias e de energia, que nos leva a reagir e a interagir com o exterior tendo a capacidade de expressar ou não, as nossas emoções e sentimentos. É através dos sentidos que se estabelece este contacto entre o que está fora de mim e o que acontece no meu corpo.

Por exemplo quando oiço um som, o meu corpo reage percepcionando se é agradável ou não, se me descontrai ou se prende a minha atenção, se quero ficar parado a ouvir se me trás alguma memória ou se me assusta e fico imóvel tentando identifica-lo, ou o meu corpo reage de outra forma, darmo-nos conta, conscientemente, de como esse som foi identificado pelo meu corpo e que sensação provocou, é trazer ao consciente.

O papel do toque no processo terapêutico permite ampliar as sensações que estão no corpo e de levar a atenção para determinada parte do corpo ou partes do corpo, é um facilitador, ora o processo psicoterapêutico sem toque permite igualmente levar a atenção para o que estiver a acontecer no corpo naquele momento.

O corpo tem uma linguagem própria, com movimentos próprios com ritmo próprio, que traduzem a nossa forma de estar, de sentir, a nossa postura e a nossa defesa, e para poder ter um leitura de tudo o que vai acontecendo no corpo, é necessário estar atento.

Mas não só o que está a acontecer no corpo naquele momento mas também o que está a acontecer com o outro e no que está acontecer em redor, na presença, dupla presença e tripla presença.

Estas posturas são um instrumento base no processo terapêutico sem toque e que vão potenciar e ampliar a ressonância ao longo do processo terapêutico.

Quando eu como terapeuta estou consciente do que acontece comigo e do que acontece com o meu cliente e do que está a acontecer á nossa volta eu tenho mais clareza, posso acolher com mais coração e com mais respeito, pelo outro e por mim, e posso ensinar o meu cliente a estar atento a si próprio também.

Quando falo de estar atento ao que acontece no corpo falo de consciência corporal, que dentro de do processo psicoterapêutico é trazer o sentido de self ao corpo, proporcionar á pessoa estar  centrada, com grounding, com autonomia, sentindo o seu empoderamento, e em contacto com as sensações autênticas e com limites saudáveis para com ele e para com o mundo exterior.

A Consciência corporal é colocar os nossos sentidos que estão atentos e receptivos ao que vem do exterior e volta-los para dentro para as sensações que emergem do interior.

Para isso temos técnicas como a Meditação o Mindfullness, exercícios de Respiração, Mantras, que nos impelem para um contacto com o nosso ritmo interno, no fundo contacto com a alma, com a nossa verdade, partindo de uma postura de acolhimento e de não julgamento.

É um verdadeiro trabalho de ressonância, vinculo, centramento e grounding.


*Trabalho apresentado por Sandra Veiga - I Encontro Institucional Ibérico do CPCB  em  13 Dezembro 2014

Bibliografia

Young, C. “To touch or not to touch: That is the Question: Doing effective Boby Psycotherapy without touch” 2006.

Young, C. “The process of Re-embodiment” in Energy & Character: International Journal of Biosynthesis: Vol.37, May 2009, PP 36-46.

Boadella, D. Correntes da Vida – uma introdução á Biossintese. 3ed summus editorial 1992.

Boadella, D. Inspiração e Corporificação, Energia e Caráter 2, Ed. Summus, 1997.

Boadella, D. Transferência, Interferência e Ressonância, Cadernos de Biodinâmica 3, ed. Summus.