29 de setembro de 2014

Esperar pelo Universo*

Li um texto que começa por perguntar, com trejeitos de impaciência (e nós terapeutas, já ouvimos isto em algum lado, e também já nos questionámos): "porque é que isto não anda mais depressa? Estou farta de esperar!"

Pois bem, o que acontece é que o universo tem um plano melhor. Um que é melhor do que aquele que temos. Seja qual for a nossa referência: Deus, o Universo, a essência, não importa. O que importa é que, de tempos a tempos, nós perdemos perspectiva. Queremos dar ordens ao universo sobre quando e como queremos que as coisas se manifestem nas nossas vidas. Vivemos na era do imediato. E se queremos algo, podemos tê-lo, de forma quase instantânea. Estamos cada vez mais habituados a ter um controlo quase absoluto das nossas vidas, e assim sendo, começámos a acreditar que o universo deveria de trabalhar de acordo com a nossa agenda.

Falta-nos humildade. É necessário plantar as sementes dos nossos desejos num solo fértil e saber esperar pelo universo. É ele que faz a sua magia, mas a seu tempo. Temos de respeitar que provavelmente apenas conseguimos controlar cerca de metade dos nossos planos, por mais que possamos regar essas sementes, o seu brotar depende de muito mais do que a nossa boa vontade. E existem bons motivos para que exista uma parte que não controlamos e que está fora das nossas mãos.

Várias áreas defendem algumas lições espirituais ou ensinamentos pelos quais devemos passar para criar uma consciência mais elevada. Mas estas lições, estas "aulas", não vão acontecer de acordo com o nosso calendário e muito menos quando queremos muito que elas surjam ou até que vão embora. A questão não reside no universo a dar-nos o que nós queremos, quando nós queremos. É sobre o universo a ensinar-nos a ser quem nós somos. A ajudar-nos a recuperar o conhecimento sobre quem nós realmente somos: poderosos, inteiros, abundantes, suficientes... Nós até pensamos que temos inúmeros problemas, mas o único e real problema que temos é a forma como estamos desconectados da nossa fonte, da nossa essência. Ocasionalmente, o universo irá chamar-nos a atenção, e não da melhor forma, embora não seja como um castigo, mas sim para nos mostrar um caminho melhor. Nestes momentos não estamos a ser castigados, mas sim iluminados, e esta é a forma do universo nos ensinar que nós temos tudo aquilo que precisamos. A nossa função é estar disponíveis, abertos e pacientes. E saber que as respostas para as nossas questões podem não surgir da forma convencional que esperávamos. Temos de confiar que a vida se está a desenrolar a um ritmo que vai de encontro ao nosso melhor e maior desenvolvimento.

Podemos controlar aquilo que é possível e deixar o resto para o universo. Se a vida não se desenrolar como e quando queremos, o melhor é sorrir. O universo estará a trabalhar para nos mostrar um caminho melhor. Assim sendo, enquanto esperamos, o melhor será viver com gratidão, paciência e humildade. Podemos sempre repetir para nós próprios: eu acredito que me será dado tudo aquilo que eu preciso e por caminhos que eu não consigo imaginar.

*Artigo de opinião

Texto original: http://www.mindbodygreen.com/0-10348/be-where-you-are-not-where-you-think-you-should-be.html

18 de setembro de 2014

Workshop - Sonhar, transitar e integrar, 25 de Setembro

sonhar, transitar e integrar

Sonhar é vital para o ser humano.
Seja sonhar quando dormimos, seja sonhar quando acordados, projetando os nossos desejos. 
No primeiro caso o objetivo principal, é que, de uma forma simbólica, se libertem ou se reorganizem os nossos desejos e emoções. No segundo caso estaremos mais ligados às nossas motivações para continuar projetos ou elaborar novos, seja na dimensão pessoal ou profissional.
Como construo as minhas imagens? 
Crio expectativas e ilusões mas fico frustrado muitas vezes?
Como consigo motivar-me?
Têm os sonhos algo que ver com a forma como vivo?
Como posso não deixar de sonhar, motivar-me e acreditar no meu sucesso como Ser Humano?

Pronto para ir para além do sonho?
Dia: 25 de Setembro de 2014 (quinta-feira)
Local:
C.P.S.B. - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq. Lisboa (Campo Pequeno)
Horário:
19h às 21h30
Preço:
5,00€ Associados e Parceiros C.P.S.B.
            10,00€ Não Associados C.P.S.B.
Vagas limitadas
Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com
Abertas as Candidaturas para as novas turmas do Curso Pós Graduação em Biossíntese
Lisboa – Coimbra – Barcelona

3 de setembro de 2014

Lidar com emoções difíceis

É difícil lidar com emoções ou sensações difíceis fora do consultório. Quando estamos em consulta, as setas apontadas pelo terapeuta ajudam-nos a seguir um caminho. O caminho tem obstáculos, obviamente, mas parece que em terapia há quase em todas as consultas uma seta que ajuda, que nos encaminha no nosso percurso, não fazendo o caminho por nós. E é isso que se pretende: o terapeuta é como o maestro, mas somos nós que temos de tocar a música, sem esquecer de afinar os instrumentos.

Por vezes, quando mergulhamos em sensações ou emoções mais difíceis, pensamos na terapia e tentamos nos recordar do que foi dito. Tentamos reconstruir essas setas que apontam para uma saía, mas é como se estivessem escritas numa outra língua: não conseguimos voltar a esse sítio. Existe uma excelente ferramenta para lidar com sensações ou emoções mais difíceis quando estamos longe da terapia. É algo que nos permite conectar connosco e, embora possa não contribuir para uma leitura clara do caminho a seguir, permitirá a reformulação de alguns passos e também a possibilidade de levar alguma informação nova para as consultas seguintes.

Num momento em que se sinta mais neurótico, com as emoções à flor da pele, ou com sensações desagradáveis, permita-se a parar por uns segundos. Se possível feche os olhos e respire fundo. Conecte-se com essas sensações e faça a si mesmo a seguinte pergunta:
- Será que já me senti assim antes? Se sim, quando?
Este pequeno exercício poderá trazer várias vantagens. A primeira é claramente a possibilidade de parar e de olhar para dentro de nós. Podemos estar com essa sensação e respirar. De seguida, caso seja possível identificar outros episódios da nossa vida em que nos sentimos assim, podemos tentar fazer pontes e descobrir processos, formas, tipificações... E mesmo que não seja possível fazer essas pontes ou descobertas, identificar outros episódios, por si só, pode ajudar bastante no processo terapêutico. E é algo que, caso esteja presente em nós, podemos fazer fora da terapia, quase como um TPC - trabalho para casa. E de facto, não será esta autonomia que se pretende atingir com a terapia? Conseguir encontrar em nós as respostas, que sempre cá estiveram?