3 de setembro de 2014

Lidar com emoções difíceis

É difícil lidar com emoções ou sensações difíceis fora do consultório. Quando estamos em consulta, as setas apontadas pelo terapeuta ajudam-nos a seguir um caminho. O caminho tem obstáculos, obviamente, mas parece que em terapia há quase em todas as consultas uma seta que ajuda, que nos encaminha no nosso percurso, não fazendo o caminho por nós. E é isso que se pretende: o terapeuta é como o maestro, mas somos nós que temos de tocar a música, sem esquecer de afinar os instrumentos.

Por vezes, quando mergulhamos em sensações ou emoções mais difíceis, pensamos na terapia e tentamos nos recordar do que foi dito. Tentamos reconstruir essas setas que apontam para uma saía, mas é como se estivessem escritas numa outra língua: não conseguimos voltar a esse sítio. Existe uma excelente ferramenta para lidar com sensações ou emoções mais difíceis quando estamos longe da terapia. É algo que nos permite conectar connosco e, embora possa não contribuir para uma leitura clara do caminho a seguir, permitirá a reformulação de alguns passos e também a possibilidade de levar alguma informação nova para as consultas seguintes.

Num momento em que se sinta mais neurótico, com as emoções à flor da pele, ou com sensações desagradáveis, permita-se a parar por uns segundos. Se possível feche os olhos e respire fundo. Conecte-se com essas sensações e faça a si mesmo a seguinte pergunta:
- Será que já me senti assim antes? Se sim, quando?
Este pequeno exercício poderá trazer várias vantagens. A primeira é claramente a possibilidade de parar e de olhar para dentro de nós. Podemos estar com essa sensação e respirar. De seguida, caso seja possível identificar outros episódios da nossa vida em que nos sentimos assim, podemos tentar fazer pontes e descobrir processos, formas, tipificações... E mesmo que não seja possível fazer essas pontes ou descobertas, identificar outros episódios, por si só, pode ajudar bastante no processo terapêutico. E é algo que, caso esteja presente em nós, podemos fazer fora da terapia, quase como um TPC - trabalho para casa. E de facto, não será esta autonomia que se pretende atingir com a terapia? Conseguir encontrar em nós as respostas, que sempre cá estiveram?