19 de julho de 2013

Workshop - Estilos de Vínculos

No próximo dia 24 de Julho, teremos no CPSB um workshop dedicado aos estilos de vínculos. Deixamos a informação sobre o tema e sobre como se podem inscrever:

estilos de vínculo

Como me relaciono? 
Para mais informações: clique aqui

A forma como me aproximo e me afasto dos outros fala profundamente sobre a minha história afectiva e dos meus modelos ou crenças relacionais.

Desde o Simbiótico, dependente, co-dependente, autónomo, independente, desligado, ausente..... Todos temos o "nosso estilo"  que até pode ser extremo e distintos com diferentes pessoas, mas que na base têm a mesma raíz.

Neste Workshop abordaremos a possibilidade de identificar o melhor e o pior da minha forma de vínculo e como caminhar para uma melhor autorregulacao. 

O foco será sobretudo no vinculo dentro da estrutura de Casal.
Para abrir o cartaz: clique aqui
Dia: 24 de Julho de 2013 (quarta-feira)Local: C.P.S.B. - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq. LisboaHorário: 18h30 às 21h30Preço: 5€ Associados e Parceiros C.P.S.B. /10€ Não Associados C.P.S.B.
Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com

Professora: Dr.ª Maria del Mar Cegarra Cervantes.
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Somática em Biossintese, Professora Sénior pelo International Institute for Biosynthesis , Directora do CPSB (Centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese) e Vice-Presidente da Asociación de Somatoterapia Española.


16 de julho de 2013

Histérica

O carácter histérico está amplamente estudado. Foram a histeria e os sintomas histéricos que conduziram Freud às constatações iniciais da psicanálise (Lowen, 1977). Reich salienta que a característica mais saliente da pessoa com histeria é o seu comportamento sexual óbvio.


Este carácter tem uma estrutura genital. A fractura ocorre porque a criança concorre com a mãe e pode começar no útero ou depois do nascimento. O bebé pode inclusivamente nascer prematuramente, quando o útero é frio, característica que também permanece no contacto com a mãe. Quando já é criança, o confronto com a mãe pode criar a estrutura histérica. A mãe não suporta a ideia da filha ficar adulta e sexualizada e a criança acaba por não ter a nutrição que necessita.

Em relação às suas características, a histérica é aquela pessoa que se move constantemente, que considera tudo interessante e é a entusiasta que gosta de ser o centro das atenções. Pessoalmente, a pessoa com este carácter considera-se muito decidida mas, tipicamente, inicia muitos projectos sem os conseguir terminar. Tem muita tendência para a dispersão, logo o campo da canalização (focar) é o mais difícil. Como qualidades, sublinhe-se a sua capacidade de mobilização, a sua genica e a sua capacidade de se atirarem para a frente; no entanto e em oposição, são muito agitados e irritam-se com pessoas lentas ou deprimidas e gritam muito. Nos casos mais patológicos a pessoa histérica chega a desmaiar, e é característica aquela imagem da mulher que grita e cai desamparada no chão. Outros aspectos positivos da pessoa histérica são a sua energia, capacidade para arriscar e a energia de avançar sem medos.

Refira-se que o carácter histérico é um carácter rígido (baseado num funcionamento genital; idem, 231). Esta rigidez é um processo corporal total, que envolve o organismo como uma armadura. Este conceito de armadura, introduzido por Reich, descreve o estado no qual a ansiedade está “organizada” num mecanismo protector. Para este carácter a protecção é contra os estímulos do mundo exterior, mas também contra os impulsos libidinais interiores.

Fisicamente, esta couraça revela-se nas costas rígidas que não curvam, num pescoço duro e numa cabeça demasiadamente erecta. O abdómen e o peito demonstram igualmente uma enorme rigidez, assim como uma pélvis retraída e apertada.

Vínculo

Para a pessoa histérica, um envolvimento emocional profundo é uma ameaça. A sensualidade e os sentimentos ternos movem-se de forma incompatível, criando grande ansiedade (Lowen, 1977: 228).
É importante reconhecer na mulher histérica, uma atitude ambivalente face ao homem. Por um lado, o desejo está bloqueado pelo medo, enraizado na rejeição sexual que ocorreu na infância, demonstrada pelo pai; por outro, a ira está inibida pelo desejo reprimido. Assim, cada repressão actua como uma defesa contra impulsos opostos (idem, 236). Só podemos imaginar a confusão criada pelo bloqueio que decorre da ira e do orgulho.

Desta forma, o desejo reprimido por esta ira e orgulho também eles reprimidos, impede uma aproximação directa ao homem. Ainda assim, esta aproximação acaba por ocorrer não obstante o perigo de submissão por parte da mulher. De acordo com Lowen, a mulher, inconscientemente, transmite sinais corporais que induzem o homem a acções sexuais mais agressivas. Estes sinais poderão estar presentes em movimentos de quadris e uso de olhares mais fervorosos. Podemos não concordar com esta base, mas o que é certo é que se criam relacionamentos onde esta mulher se deixa possuir e se torna subserviente.

Lowen é claro quanto a esta submissão: não é um acto masoquista, o que faz dela, de facto, uma mulher com carácter histérico e não uma masoquista. Esta mulher não é passiva, através desta submissão aparente, existe uma agressividade que conduz à descarga sexual.

Claramente que, num estado mais psicótico, os relacionamentos da pessoa histérica se tornam bastante difíceis, principalmente porque, se tentarmos enquanto terapeutas, chegar ao coração desta pessoa, de forma a mobilizar os sentimentos amorosos profundos, vamos encontrar uma defesa bastante firme.

Nota: Lowen regista que a histeria seria o carácter que ocotte na criança do sexo feminino quando a fractura ocorre mais tarde, na  genitalidade. No entanto, hoje em dia fala-se do carácter da agressiva-masculina, que seria talvez mais semelhante ao fálico-narcisista mas numa versão feminina.

Texto de Ana Caeiro

Imagem: http://guiadeniteroi.com/devaneios-de-uma-mulher/
Bibliografia:

· LOWEN, Alexander (1977); “O Corpo em Terapia, a abordagem bioenergética”; Summus Editorial; 11ª Edição; São Paulo.


1 de julho de 2013

Passivo-feminino




A fractura ocorre quando os sentimentos de ternura da criança são rejeitados ou hostilizados por parte do pai e minimamente acolhidos por parte da mãe. Quando experimenta a agressão, depara-se com a hostilidade e raiva do pai e a não sustentação por parte da mãe. A passividade acaba por ser a única forma de lidar com a situação e a criança submerge a sua assertividade e necessidade, expressando-as indirectamente. A criança do sexo masculino quer afirmar: “eu sou homem”, no entanto, a resposta que recebe para esta afirmação mina a sua virilidade.

Face estes acontecimentos, a criança desenvolve ternura e fica passivo (que é diferente de ficar contido). A mãe pretende que o seu filho fique por perto e quer a sua ajuda para lidar com o pai. Enquanto isso, o pai diminui e rebaixa o seu filho que acaba por lidar com a situação através da passividade, levando a uma castração. 

Como traço negativo tem uma excessiva passividade e pode desenvolver raiva contra as mulheres. Esta raiva tem origem no conflito com o pai que é transferido para as figuras femininas que o circundam.
Raramente se queixa ou sofre ansiedade e raramente vem ao consultório. São aqueles que um dia se chateiam e vão embora, sem aviso prévio, expressando assim a sua imprevisibilidade.

São homens que criam um mundo paralelo e são muito ligados a fetiches, no entanto, têm medo de morrer de castração. A maciez do corpo/pele e voz são uma expressão deste medo. A sua voz tem falta de ressonância grave e aspereza e os seus modos são gentis (Lowen, 1977: 277 e 276). De denotar que os seus evidentes traços femininos poderão não significar que o homem passivo feminino seja homossexual. Estes traços são sim, um aspecto da sua personalidade.

Como qualidades principais, são tolerantes, têm uma grande capacidade de digestão, de entendimento do feminino, são bons ouvintes e são ternurentos. O passivo feminino é o conformado, habitualmente homem e Reich descreve-os como muito amigáveis e humildes. No entanto, este carácter não é vencido, mas também não toma nenhuma atitude agressiva, decisiva. Conforme já referido anteriormente, a agressão fica bloqueada pela ansiedade de castração.

Vínculo

O passivo feminino está ansioso por agradar e tem uma falta de agressividade que aparentemente o poderia transformar no parceiro idílico. No entanto, falta-lhe a impulsividade presente nos caracteres pré-genitais e a “agressividade que identifica o macho fálico” (Lowen, 1977: 287). Face à falta deste tipo de energia, os relacionamentos estão condicionados a parceiros que consigam lidar com a passividade.

A sua imprevisibilidade também poderá afectar o seu vínculo com os outros pois não há a certeza de uma continuidade, o que poderá abalar os seus relacionamentos.

Em relação à terapia, são raros os casos de pacientes com esta estrutura de carácter que surgem no consultório, ainda assim, a relação cordial é sempre estabelecida, embora o terapeuta saiba que a qualquer momento o seu paciente irá embora sem voltar. O paciente não sente ansiedade, porque há-de permanecer? Caso permaneçam, o progresso é, invariavelmente, lento (idem, 285).

Texto de Ana Caeiro
Imagem:
http://martuchelli.blogspot.pt/
Bibliografia:


·         LOWEN, Alexander (1977); “O Corpo em Terapia, a abordagem bioenergética”; Summus Editorial; 11ª Edição; São Paulo.