24 de dezembro de 2013

Dar a mão, deixar a mão


Quando uma criança está a aprender a andar, não podemos esperar que ande sozinha se lhe estivermos a segurar na mão. Assim é o caminho da terapia. E é este o caminho que poderíamos tomar nas nossas vidas e, principalmente, nas relações que temos.

Parece-me idílica a imagem de ajudar alguém a aprender a andar de bicicleta: Vamos deixando a nossa mão nas costas do novo ciclista e retiramos no momento certo. No momento certo para que o atleta ainda sinta o medo e a sua conquista. No momento certo para que ele sinta a transição. Naquele momento chave em que sabe que está por sua conta, mas que ainda está alguém lá atrás quem, embora não o toque nem vá evitar uma queda, o vai ajudar a levantar. O problema é encontrar o momento certo para largar.

Parece-me que esta imagem é rara. Penso nas mães com medo que não largam o ciclista. Lembro-me dos pais "ocupados" com outras tarefas e que não podem dar uma mão. E recordo que existem pessoas que não sabem viver sem esta mão dada.

E esta bicicleta ou estes passos, são a vida. E saber quando nos devemos afastar para que o outro aprenda a viver é fundamental. E difícil. Porque nestes momentos pensamos na mão que queríamos ter nas nossas costas.

Imagem: http://mattewnobre.blogspot.pt/2010/12/aprender-andar-e-o-primeiro-passo-dar.html 
Texto de Ana Caeiro