1 de setembro de 2013

Fálico-Narcisista



O fálico narcisista é um carácter genital no qual a sua neurose se manifesta, tal como noutros caracteres genitais, num encouraçamento e rigidez, tanto psicológica como somaticamente. Refira-se que este carácter, para Lowen existe apenas nos homens, uma vez que, sendo genital, existe uma diferenciação caso a criança seja menino ou menina. 

Lowen regista que a histeria seria o carácter que ocorre na criança do sexo feminino quando a fractura ocorre mais tarde, na genitalidade. No entanto, hoje em dia fala-se do carácter da agressiva-masculina, que seria talvez mais semelhante ao fálico-narcisista mas numa versão feminina. Ainda assim, refira-se que cada carácter terá a sua especificidade e características e que neste texto apenas nos basearemos nos caracteres estudados por Lowen.  

A fractura surge quando a mãe acolhe os sentimentos de ternura do seu filho até que os mesmos tenham uma conotação sexual e sejam parcialmente rejeitados pelo pai. Aceita-se o comportamento agressivo, desde que não se relacione com a exploração e jogo genital. A mãe diz: “só posso ser amada como uma Deusa porque o amor e os sentimentos sexuais me assustam”. O pai diz: “Sou um homem porque sou bem sucedido e sou casado com uma Deusa. Não compitas comigo por ela mas torna-te bem sucedido”. 

A criança é rejeitada sexualmente em função dos sentimentos que nascem espontaneamente do seu amor e se sente traído. Ele irá agora competir com o pai e “conquistar” a mãe. Esta conquista é a sua tentativa de possuir uma mulher totalmente e assim, finalmente, ganhar a sua mãe. Já que essa tentativa deve fracassar, ele tenderá a mudar de mulher. 

Por ter sido bem nutrido durante as fases anteriores, ele torna-se um indivíduo bem focado, com força e mobilidade no corpo e energeticamente, tende a ocupar muito espaço. No entanto, a sua estrutura corporal apresenta uma tensão marcada, principalmente no peito, costas, pernas e pélvis, para além de ter falta de flexibilidade. Podemos observar uma respiração predominantemente abdominal e um peito preso na posição de inspiração (Lowen, 1977: 257).

Como características principais, Lowen sublinha a sua auto-confiança, arrogância, elasticidade e vigor. Este carácter, por estas e outras características, não costuma aparecer na terapia. Esta auto-confiança que caracteriza o fálico-narcisista tem dois princípios subjacentes relacionados com um medo profundo: um deles é defender-se desse medo profundo e o outro, esconder esse mesmo medo.

Este carácter tem uma determinação muito grande no seu sucesso. Para ele, o medo do fracasso é grande e está associado ao conceito de responsabilidade. Lowen defende que esta necessidade de afirmação do seu sucesso tem como motivação básica a aprovação e o amor dos seus pais.

Têm uma respiração muito para cima mas sofrem mais de ansiedades. Têm tendência para asma, pânico, enfartes, tudo muito ligado ao coração. Também podem sofrer de ejaculação precoce e são muito pouco humildes, não reconhecendo estes problemas.

Vínculo

O fálico-narcisista terá bastante dificuldade em se vincular, tendo em conta que o seu maior medo é a rejeição sexual e / ou amorosa e o desgosto amoroso. Este homem tem medo de morrer de coração partido e este medo resulta na repressão da tristeza, da ansiedade e da dor. O indivíduo tenta evitar o amor para não ficar vulnerável. 

Na sua pior expressão, e de forma a fugir deste medo, o fálico-nascisista não se apercebe de que magoa as pessoas, pois inunda-as de promessas que não consegue cumprir. Como pontos positivos, quando consegue, é de uma paixão e envolvimento extraordinários e tem uma relação de grande comprometimento com a família (complexo de Édipo). No entanto e numa caracterologia mais neurótica, estes indivíduos vão separar claramente o amor dos sentimentos sexuais.

Refira-se que, apesar do fálico-narcisista agir como sendo sexualmente potente, na verdade, a sua potência orgástica, ou seja, a habilidade em experienciar prazer, está proporcionalmente diminuída (Lowen, 1977: 262). Para ele, o número de relações sexuais é uma forma de poder que é usado para se vangloriar. É desta forma que se registam casos de ejaculação precoce, que muitas vezes nem são reconhecidos pelos próprios pacientes. O número de relações sexuais é mais sobrevalorizado do que a qualidade, ou o prazer obtido, em cada uma delas. Esta situação vai trazer desafios a nível sexual numa relação de longo prazo e que são difíceis de ultrapassar.

Com uma potência orgástica baixa, há uma insatisfação sexual que poderá gerar um sentimento de insatisfação para com o parceiro sexual. De uma forma consciente ou inconsciente, o fálico-narcisista tem a esperança de que, encontrando um novo parceiro, a sua vida sexual irá melhorar. No entanto, não é só a potência orgástica baixa que gera esta situação. Refira-se que o homem fálico não encontra uma satisfação profunda em nenhum nível de actividade e acaba por sentir necessidade de prosseguir com comportamentos de conquista.

De facto, para este carácter, o vínculo é um tema central. Assim sendo, e se podermos definir um nível de qualidade do vínculo, diríamos que, para o típico caracter fálico-narcisista, este seria muito baixo. No entanto, e de acordo com a sua capacidade e determinação, o fálico-narcisista pode sentir melhoras, caso queira ultrapassar as suas dificuldades e focalizando estes e outros recursos através de terapia.

Refira-se que, sendo irremediavelmente sedutores, tendencialmente irão optar por terapeutas do sexo feminino e o flirt será uma constante ao longo da fase inicial da terapia. Caberá à terapeuta saber fazer a distinção entre aquilo que é dela e aquilo que é do outro e espelhar a possibilidade de cura de volta para o seu paciente.

Texto de Ana Caeiro

Bibliografia:

· LOWEN, Alexander (1977); “O Corpo em Terapia, a abordagem bioenergética”; Summus Editorial; 11ª Edição; São Paulo.