1 de julho de 2013

Passivo-feminino




A fractura ocorre quando os sentimentos de ternura da criança são rejeitados ou hostilizados por parte do pai e minimamente acolhidos por parte da mãe. Quando experimenta a agressão, depara-se com a hostilidade e raiva do pai e a não sustentação por parte da mãe. A passividade acaba por ser a única forma de lidar com a situação e a criança submerge a sua assertividade e necessidade, expressando-as indirectamente. A criança do sexo masculino quer afirmar: “eu sou homem”, no entanto, a resposta que recebe para esta afirmação mina a sua virilidade.

Face estes acontecimentos, a criança desenvolve ternura e fica passivo (que é diferente de ficar contido). A mãe pretende que o seu filho fique por perto e quer a sua ajuda para lidar com o pai. Enquanto isso, o pai diminui e rebaixa o seu filho que acaba por lidar com a situação através da passividade, levando a uma castração. 

Como traço negativo tem uma excessiva passividade e pode desenvolver raiva contra as mulheres. Esta raiva tem origem no conflito com o pai que é transferido para as figuras femininas que o circundam.
Raramente se queixa ou sofre ansiedade e raramente vem ao consultório. São aqueles que um dia se chateiam e vão embora, sem aviso prévio, expressando assim a sua imprevisibilidade.

São homens que criam um mundo paralelo e são muito ligados a fetiches, no entanto, têm medo de morrer de castração. A maciez do corpo/pele e voz são uma expressão deste medo. A sua voz tem falta de ressonância grave e aspereza e os seus modos são gentis (Lowen, 1977: 277 e 276). De denotar que os seus evidentes traços femininos poderão não significar que o homem passivo feminino seja homossexual. Estes traços são sim, um aspecto da sua personalidade.

Como qualidades principais, são tolerantes, têm uma grande capacidade de digestão, de entendimento do feminino, são bons ouvintes e são ternurentos. O passivo feminino é o conformado, habitualmente homem e Reich descreve-os como muito amigáveis e humildes. No entanto, este carácter não é vencido, mas também não toma nenhuma atitude agressiva, decisiva. Conforme já referido anteriormente, a agressão fica bloqueada pela ansiedade de castração.

Vínculo

O passivo feminino está ansioso por agradar e tem uma falta de agressividade que aparentemente o poderia transformar no parceiro idílico. No entanto, falta-lhe a impulsividade presente nos caracteres pré-genitais e a “agressividade que identifica o macho fálico” (Lowen, 1977: 287). Face à falta deste tipo de energia, os relacionamentos estão condicionados a parceiros que consigam lidar com a passividade.

A sua imprevisibilidade também poderá afectar o seu vínculo com os outros pois não há a certeza de uma continuidade, o que poderá abalar os seus relacionamentos.

Em relação à terapia, são raros os casos de pacientes com esta estrutura de carácter que surgem no consultório, ainda assim, a relação cordial é sempre estabelecida, embora o terapeuta saiba que a qualquer momento o seu paciente irá embora sem voltar. O paciente não sente ansiedade, porque há-de permanecer? Caso permaneçam, o progresso é, invariavelmente, lento (idem, 285).

Texto de Ana Caeiro
Imagem:
http://martuchelli.blogspot.pt/
Bibliografia:


·         LOWEN, Alexander (1977); “O Corpo em Terapia, a abordagem bioenergética”; Summus Editorial; 11ª Edição; São Paulo.