5 de maio de 2013

Como escrever pode ser um recurso



No seguimento do post anterior sobre a escrita criativa, consideramos ser importante explorar mais o tema e fazendo a sua ligação à Biossíntese. Escrever poderá ser uma ferramenta a ser utilizada no consultório, mas também na nossa vida, sendo encarada como um recurso ao qual podemos recorrer.

É importante perceber em primeiro lugar, qual a relação que o nosso paciente tem com a escrita. Caso seja um tema agradável, é possível avançar para processos de escrita criativa. É fundamental, como em todas as técnicas que aplicamos, conhecer o paciente que está a nossa frente. Ele gosta de escrever? Costuma fazê-lo ou é demasiado crítico com aquilo que produz?

Para quem vê a escrita como algo agradável, facilmente poderá ser um recurso traduzido através da criatividade. Se a escrita estiver associada a algo desagradável, não deverá ser uma ferramenta a utilizar, pois corremos o risco de retraumatizar o paciente.

Escrever pode ser um recurso de várias formas. Primeiramente, a estimulação do nosso lado mais criativo poderá se traduzir em sensações agradáveis e descongelar algum medo que nos limita e nos prende em alguma situação traumática.

Aquilo que é produzido através da escrita pode também ser uma porta de entrada para o inconsciente e é muito importante para o terapeuta, caso seja possível, ler o que foi escrito para que possa fazer essa interpretação. Ainda assim, alertamos para que não sejam feitas interpretações demasiado analíticas e que promovam a desconexão com o nosso paciente, que queremos ver como um todo.

A publicação de um bom texto ou a sua partilha com alguém próximo pode ser um recurso na medida em que promove o aumento da autoestima do paciente, aquando do reconhecimento do seu trabalho por terceiros, para além do próprio terapeuta. Aqui o papel do terapeuta é fundamental ao estimular a criação de texto e no reconhecimento dos conteúdos. É sempre bom devolver um elogio estruturado ao nosso paciente.

Não nos podemos esquecer que aquilo que é escrito pode assumir uma maior importância para o paciente. Assim sendo, mesmo que algo não se enquadre num exercício de escrita criativa, levar um paciente a escrever algo importante para que se recorde, é muito importante. Vejamos por exemplo um paciente que tem muito baixa autoestima e ouviu um enorme elogio no trabalho. Convidá-lo a escrever, contando essa história, é uma forma de tentar perpetuar esse sentimento. E voltar a esse papel poderá fazer com que o paciente encontre esse recurso sempre que precisar.

Como em tudo na Biossíntese, é importante fazer um bom diagnóstico do nosso cliente e verificar se de facto a escrita é uma boa opção.

Texto de Ana Caeiro 
Imagem: http://sentimentos-escritos.blogspot.pt/2011/08/escrever.html