24 de janeiro de 2013

Passado, presente e futuro

Já não é novidade a óptica do "viver no agora" e na Biossíntese também se promove a ideia de viver no aqui e no agora por forma a tentar evitar a neurose que reside nas vivências do passado e a que advém das expectativas com que olhamos para o futuro.

Neste seguimento, têm surgido muitos autores que falam sobre o presente, ou o aqui e agora. Existem inúmeras formas de abordagem a este tema, mas no fundo resume-se à importância de educar a mente para viver no presente.


Deepak Chopra foi um dos autores que, já em 1987, falou sobre este tema, no seu livro "Criando Saúde". No capítulo "Viver no Presente", Chopra reflecte primeiramente sobre as preocupações. Para ele, "A preocupação é, sem dúvida, um certo hábito de pensar. É afligirmo-nos com algo que já aconteceu no passado ou com algo que receamos poder vir a acontecer no futuro. A preocupação não lida com o presente." (pág. 136). De facto, se nos observarmos no agora, muitas preocupações desvanecem, pois pertencem a um evento passado ou a uma projecção ou expectativa futura.

Assim, Deepak Chopra divide a preocupação em dois tipos, a que se fixa no passado e a que se fixa no futuro. Quando se refere ao passado, Chopra retira-lhe alguma da sua energia ou importância, referindo que não existe uma forma de alterar o passado, ou seja, quando algo já aconteceu, é impossível de ser alterado. Desta forma, repisar os erros do passado torna-se altamente improdutivo, "É até prejudicial, pois liberta para o seu sistema toda a espécie de substâncias tóxicas que elevam a tensão arterial e esforçam o coração." (pág. 137). O que fazer então? É que, de facto, é inevitável lidar com o passado, pois é algo que existe e está em nós. A estratégia, segundo o autor, será a de reconhecer os erros passados por aquilo que eles são e transformá-los numa aprendizagem para que seja possível deixá-los no passado. Assim, dedicar a nossa atenção ao aqui e agora exige uma saudável percepção de que o passado é algo que está encerrado. "A preocupação é então a recusa psicológica para encarar tal facto", continua o autor, focando que os erros, ofensas ou rancores deixam uma impressão na mente e penetram na nossa fisiologia, afectando o nosso corpo.

No que concerne ao futuro, Chopra diz que este tipo de preocupação se prende em tentar controlar o futuro para evitar a dor. Eu acrescentaria, para além desta necessidade de controlo pela projecção, a criação de expectativas como outra forma de evitar a dor. Criar expectativas ou criar um cenário perfeito para o amanhã é também uma fuga fácil à dor que uma pessoa sente. Creio que, para as pessoas muito mentais, a criação de expectativas seja uma forma de fuga planeada de nós próprios, em dor.

Finalizando este tema, Deepak Chopra salienta que "as pessoas saudáveis não vivem no passado nem no futuro. Vivem no presente, no agora, o que dá ao agora um sabor de eternidade porque nenhumas sombras pairam sobre ele. A preocupação não ocorre no presente. Quando se presta atenção ao momento presente, ele cresce em toda a sua plenitude. Quando uma vida é passada em momentos consecutivos do agora, então, o tempo deixa de ser o inimigo psicológico do homem. Os danos da preocupação são neutralizados pela apreciação do que a vida tem para dar hoje." (pág. 138).

Não existe portanto uma solução prática e imediata, mas embora não sendo um caminho fácil, não deixa de ser um caminho, com passos que são necessários dar.

Bibliografia: CHOPRA, Deepak, (1987), "Criando Saúde"; Editora Dinalivro.
Imagem: http://plbloog.blogspot.pt/2010/09/apenas-viva_03.html
Texto escrito por Ana Caeiro