21 de dezembro de 2012

Padrão activo vs passivo (2ª parte)



De acordo com a tendência que podemos ter, mais activa ou mais passiva, e após ser possível identificá-la, podemos seguir alguns objectivos que serão essenciais na sua terapêutica.

Objectivos terapêuticos para um padrão activo:

1)    Aceitar ser um pouco menor / com menos energia;
2)    Aprender a aceitar mais responsabilidade por nós mesmos;
3)    Desviar a atenção do confronto com os outros para o nosso confronto interno, connosco;
4)    Relaxar em vez de explodir;
5)    Assumir que a fraqueza pode existir;
6)    Permitir a criação de sentimentos de segurança nessa fraqueza / vulnerabilidade;
7)    Alterar a forma de ver a vulnerabilidade, transformando-a num ponto forte, em vez que uma fraqueza.

Objectivos terapêuticos para um padrão passivo:

1)    Transformar a tendência de contracção em expansão;
2)    Ter o suporte necessário para poder lidar com a sua raiva;
3)    Aprender a expressar a raiva de forma conectada e consciente;
4)    Quando é possível aceder à raiva, é possível aceder às reais necessidade do indivíduo passivo;
5)    Promover o suporte para que seja possível dar lugar ao direito de confrontar saudavelmente os outros;
6)    Dar suporte para que os sentimentos de culpa possam ser dissolvidos.

12 de dezembro de 2012

Padrão activo vs passivo (1ª parte)




Na Biossíntese falamos muito de polaridades em vários temas e desta vez trazemos a polaridade activo/passivo, que caracteriza os nossos comportamentos.


O padrão activo, caracterizado por uma maior energia, pressupõe uma maior necessidade de exteriorizar a raiva. A pessoa mais activa tem tendência para querer ser o vencedor, não suportando os perdedores. Neste padrão, o território dos indivíduos mais activos é de extrema importância e não deve ser atravessado por ninguém. A fraqueza é vista como um perigo e a vulnerabilidade é vista como um fracasso. Para uma pessoa com um padrão muito activo, o objectivo é sempre o de ser independente. A desculpabilização e a necessidade de confrontar o outro surgem com frequência.

No seu oposto, o padrão passivo ou da passividade, é característico dos indivíduos que se sentem vítimas de manipulação das outras pessoas. Neste caso, o passivo não expressa a sua raiva, suprimindo-a, por vezes de tal forma que deixa de a sentir. Esta raiva é facilmente transformada em auto-crítica ou culpa: “eu mereço ser culpado”. Fica premente a questão da obediência em relação aos outros e, consequentemente, a sua capacidade para acatar as suas vontades. Para estas pessoas, o sucesso ou a sensação de vencer são sentidos como perigosos, pois isso implica que ele se mostre ao mundo. O contacto é então feito com base na sua submissão perante os outros. O prazer e a diversão também são vistos como um perigo e as opiniões dos outros são vistas como importantes, sendo difícil para o passivo dizer que não. Quando o não tem lugar, é dito de forma indirecta, ou de forma quase imperceptível.

Todos nós temos tendência para um, destes padrões, ou mais activo ou mais passivo. No entanto, refira-se que as características indicadas são extremadas, sendo que também existe a possibilidade de navegarmos entre os dois extremos, apesar da existência, em nós, de uma tendência genérica.

O equilíbrio será encontrado entre estes dois padrões e consoante estas tendências, podemos ter diferentes objectivos terapêutico, como veremos no próximo post.

Imagem: http://stelalecocq.blogspot.pt/2011/09/mooji-polaridades.html

3 de dezembro de 2012

O pós-trauma




Num momento posterior a uma situação traumática, o indivíduo que demonstra ter medo da carga, tem afinal medo da posterior descarga e também da catarse associada a esse movimento. Normalmente, a pessoa permanece em colapso, com sentimentos negativos e com uma falta de esperança em ter ajuda.

Numa situação terapêutica é muito importante não retraumatizar o paciente. E isto pode acontecer de várias formas. A título de dois exemplos extremos, se por um lado podemos dar demasiado “colo” quando o cliente não está preparado, fazendo com que ele se feche, por outro, não nos podemos distanciar demasiado para não ocorrer o risco de abandono.

Em relação à experiência somática, é importante também referir que o terapeuta não pode ficar só no trauma, pois biologicamente, o organismo traumatizado quer ir para o futuro. O ego, pelo contrário, tem medo de mudar e ver coisas novas pelo que insiste na manutenção do trauma. Transformar será então incorporar o passado na experiência presente, pois ele fará sempre parte da pessoa.

Imagem: http://profjabiorritmo.blogspot.pt/2011/03/resiliencia-como-mente-supera-as.html