21 de novembro de 2012

Narcisismo

O narcisismo é estudado na Biossíntese através do tema de Facing, que é a terceira forma de terapia principal na Biossíntese e está associado à cognição, percepção, contacto e pensamento.

Podemos referir a existência de dois tipos de narcisismo, um saudável e outro patológico. No narcisismo saudável, o indivíduo constrói uma boa auto-estima com base numa imagem saudável que foi transmitida pelos pais na infância. No narcisismo patológico, os pais transmitiram o amor de uma forma condicionada: amam a criança se ela for aquilo que eles pretendem que ela seja. Neste caso, na sessão terapêutica, é importante tratar da criança interior que não foi vista na sua totalidade e que não pode ser quem queria ser.

Na vida adulta, o narcisismo patológico é revelado através da sua fractura principal: entre o sexo e o coração. Este coração cresceu muito encouraçado. Isto traduz-se numa dissociação entre o amor e a sexualidade. Persiste um medo enorme de rejeição e a ideia de que, para ser amado, tem de mudar, ser de outra forma. Claramente que as relações são muito difíceis para estes indivíduos que tendencialmente têm uma enorme dificuldade em se vincularem.

Apesar de uma máscara que faz aparentar uma pessoa muito estruturada, os narcísicos têm uma depressão muito profunda e quando se apercebem da “falsa vida” que têm levado, normalmente o corpo não aguenta, iniciando-se um processo difícil e angustiante. Em sessão, é fundamental que o terapeuta saiba acolher esta angústia.

Imagem: http://www.teatrocristao.net/texto/anjo_no_espelho

15 de novembro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 3ª Parte

Depois desta parte mais teórica, passámos para mais um exercício em pares, no qual quem tinha pacientes fazia o papel de terapeuta. O terapeuta falava de uma forma abrangente e anónima sobre um paciente, apenas para o ter presente. O nosso colega tenta entrar no papel do cliente e tenta exprimir o que sente, tentando ressoar com alguém que não conhece. Após esta primeira parte e já de pé, o terapeuta, de frente para o colega tenta sentir o momento e perceber o que ressoa com o intuito de perceber o que é que o seu cliente pode precisar. A questão que fica para o terapeuta é: o que é que eu vou fazer com esta informação (que advém daquilo que senti)? Se surgir alguma resposta, poderá partilhar com o seu colega e ver o que acontece.


Para finalizar, o Dr. Gil Arad referiu alguns avanços na área neurológica que permitem chegar a algumas conclusões. Uma delas é que o ser humano se percepciona, a si e aos outros, através de sensações corporais, sendo que existem sensações para todas as coisas que vemos, ouvimos ou cheiramos. Existem também sensações para os sentimentos. E confirma-se a diferenciação entre os sentimentos primários e os sentimentos básicos. Os sentimentos básicos são aqueles com os quais chegamos ao mundo (raiva, medo…) e os secundários são aqueles que são aprendidos e que têm emoção. Se retirarmos o sentimento da emoção aquilo que fica é uma ideia e o que se perde é imenso.

Outra conclusão diz que As ideias têm origem no lóbulo frontal que as envia para o corpo. Daí (do corpo), surgem as sensações. Quando a sensação é agradável, dizemos que é uma boa ideia, mas, se pelo contrário, a sensação não for agradável, consideramos uma má ideia.

Por fim, o Professor Gil indicou que, ao mudarmos as nossas sensações corporais surgem novas ideias pois abre-se espaço ao novo. E para nós, enquanto terapeutas, é muito importante estarmos conscientes das nossas sensações. Essa consciência ajuda-nos a estar mais presentes na sessão terapêutica e, consequentemente, também o paciente estará mais presente.

Traduzido e adaptado por Ana Caeiro

Imagem: http://projetandopessoas.blogspot.pt/

8 de novembro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 2ª Parte

Após este momento introdutório, o Dr. Gil Arad fez uma proposta no sentido de avançarmos para algo mais relacionado com a prática terapêutica. A experiência foi feita em pares, nos quais se estabelecia quem era o paciente e quem seria o terapeuta. Não seriam feitas trocas pelo que quem estava como terapeuta ficaria nessa posição até ao fim da prática. A informação sobre o que se iria fazer foi dada apenas aos terapeutas estabelecidos, sem que os pacientes soubessem o que ia ocorrer.



Numa primeira parte, o terapeuta manterá a mente de ajuda, ou seja, sem falar, irá colocar a sua intenção na ajuda do outro. Durante 10 minutos, é isto que se propõe, sem necessidade de falar, apenas havendo o intuito de estar com. Ainda assim, o paciente tem toda a liberdade de falar, se assim o entender.

Numa segunda parte, o terapeuta, no mesmo registo não-verbal, irá manter a intenção de ajuda, transmitindo que o seu paciente tem tudo aquilo que precisa e que ele deve acreditar que tem o necessário para se curar e evoluir.

Pretende-se que ambos fiquem numa manifestação de sensações, falando apenas o necessário. No fim, sem desmistificar a intenção do terapeuta em ambas as partes, os clientes partilharam as suas sensações.

O que podemos concluir deste pequeno exercício é que a posição do terapeuta é fundamental no contacto, e isto inclui o seu corpo e todas as sensações que vai tendo.

Existem clientes mais sensíveis que conseguem perceber a diferença entre o que o terapeuta diz e o que está a sentir e isto pode ser muito complicado para um paciente. Assim, como terapeutas, é importante perceber qual a relação que temos com os nossos pacientes e se não é possível ou se existe uma maior dificuldade na ligação com o nosso cliente, então é importante levar o tema a supervisão.

A ressonância acontece quer queiramos quer não e também não depende de gostarmos ou não de ressoar com o outro. É algo que pode acontecer sem consciência mas se a tivermos podemos aumentar exponencialmente o nível de envolvimento emocional, corporal ou mental. Se por exemplo ressoarmos profundamente com o nosso cliente a nível das imagens, até podemos ver a mesma imagem que o cliente vê.

É importante distinguir entre transferência / contratransferência e ressonância. Para o Professor Gil, a ressonância é sempre uma sensação agradável pois está relacionada com a essência, é algo que ressoa mas que não nos muda, algo que sentimos mas que não nos afecta.

Imagem: http://www.discutindoarelacao.com.br/?p=1536