31 de outubro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 1ª Parte

No passado dia 18 de Outubro decorreu no CPSB, um workshop extraordinário, facultado pelo Dr. Gil Arad, professor sénior no Centro de Biossíntese de Israel. O tema deste workshop foi “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica.”



O Professor começou o encontro expressando aquilo que podemos encontrar na Biossíntese: uma relação terapêutica profunda. O terapeuta como âncora consegue estar com o cliente sem se deixar inundar, mas também sem se colocar de fora. Desta forma, não nos perdemos como terapeutas mas também não mergulhamos no lado sombrio do paciente. Esticamos a mão e ajudamos o cliente a sair, ao seu ritmo.

Propondo uma viagem pelo sentir, numa viagem não-verbal, pretende-se que o corpo seja um caminho, uma ferramenta. Um exemplo simples poderá ser quando vemos que o cliente se ausenta mentalmente no consultório. Porque não perguntar o que se passou? Onde é que o cliente terá ido naquele momento? Pode até ter sido algo casual, como tratar da roupa, mas pode também ser uma chave para algo mais, pode ser um fio mais solto.

Aquilo que se pretende, tanto no workshop como no consultório, é que se estabeleça um espaço aberto para tudo aquilo que vier, para que se estabeleça um diálogo. Assim, na clínica podem acontecer verdadeiros momentos de magia.

Em relação à cura, o Dr. Gil Arad referiu que a mesma será parte de um processo espontâneo que nós não podemos forçar. Aquilo que podemos fazer é criar as situações ideais para que a cura ocorra, e esta poderá ou não ocorrer. A presença do terapeuta e a sua intenção é um elemento que poderá ajudar e influenciar o processo de cura.

Imagem: http://ilearnmylesson.blogspot.pt/2011/08/o-vento.html

24 de outubro de 2012

Trauma (3ª Parte) – Em terapia

Conforme já referimos, um trauma pode não advir de um evento traumático, mas sim de uma situação fracturante que ocorre de uma forma permanente no tempo e no espaço. Um exemplo deste tipo de trauma poderá ser a falta de atenção dos pais durante vários anos. Aparentemente esta não é uma situação traumática por não existir um único evento traumático. O que existe é uma série de eventos constantes que promovem um trauma.

Tomar consciência desta situação por si só, pode não ser suficiente para a resolver. É necessário incluí-la. E a partir daqui existem algumas formas de lidar terapeuticamente com o trauma.


Considerando que a pessoa pode ficar traumatizada através de um sentido, seja o olhar ou a audição, por exemplo, é importante encontrar qual o sentido que não foi afectado. Na Biossíntese, trabalhando com polaridades, a porta de entrada poderá ser o sentido que não foi afectado.

Na nossa terapêutica acreditamos sempre que existe a possibilidade de recuperar, na medida do que é possível, pois há sempre algo dentro de nós que não está traumatizado.

Refira-se que, quando trabalhamos com alguém com um trauma é fundamental criar um ambiente de segurança e não menosprezar a dor do outro. Se o trauma não estiver relacionado com o olhar, o contacto visual é muito importante e deve ser adequado a cada um. A possibilidade de ser visto pode ser muito afectada numa situação traumática e, desta forma, uma primeira ferramenta poderá ser recuperar a visão e a capacidade de se ser visto.

Um alerta muito importante é o de não tomar a iniciativa de tocar em alguém com um trauma.

Imagem: http://concha-conceicao.blogspot.pt/2009_07_26_archive.html

17 de outubro de 2012

Trauma (2ª Parte)



O sinal do trauma pode surgir no dia seguinte em que ocorre, meses depois ou até mesmo anos depois. Inclusivamente poderão ocorrer episódios de amnésia episódica na qual um individuo se esquece de um episódio traumático. Este tipo de amnésia é uma perda transitória de memória que pode ser posteriormente recuperada.

Em terapia, a catarse pode ser uma ferramenta muito adequada para algumas situações traumáticas, no entanto, facilmente poderá re-traumatizar o paciente ou poderá apenas ocorrer uma descarga sem consciência, o que não promove a sua resolução. Desta forma é necessário ter muito cuidado na forma como lidar com pacientes que nos trazem situações muito traumáticas. Caso estejamos a falar de uma pessoa mais rígida, se for uma pessoa estruturada, a catarse poderá ser uma forma de lidar com o trauma. O mesmo não se poderá dizer de um individuo que esteja num estado pré-psicótico ou que seja considerado um borderline.

Refira-se que é possível sentirmos o trauma como nosso, apesar de não o vivermos. Um exemplo poderá ser o do ataque terrorista em Nova Iorque em 2001, no qual se gera um trauma assistido, no qual vemos o trauma dos outros, transpondo-o para nós.

O alerta que fazemos em Biossíntese é que o terapeuta não deve ficar só no trauma, pois biologicamente, o organismo traumatizado quer avançar, quer ir para o futuro.

Imagem: http://bloconovaera.blogspot.pt/2010/01/estados-de-erudicao-e-absorcao.html

10 de outubro de 2012

Trauma




O trauma é visto em Biossíntese como um atentado à nossa forma. Enquanto numa situação neurótica nós nos conseguimos mover, no trauma há um congelamento que nos imobiliza, psicológica e fisicamente.

Numa situação de trauma não é possível conectarmo-nos com os nossos recursos, as nossas capacidades. Entramos num modo de pânico que parece um buraco negro e no qual nos sentimos perdidos. Por forma a lidar com este pânico que se instala, podemos desenvolver obsessões, compulsões, manias, etc.. Estes comportamentos considerados de mais doentios são formas do indivíduo de manter a sua forma e de obter um ritual que o retire do congelado gerado pelo pânico.

É importante distinguir dois tipos de trauma, um de carácter imediato e outro de carácter prolongado. De facto e normalmente, apenas associamos a palavra trauma a situações agudas e pontuais que ocorrem na vida das pessoas. No entanto, hoje em dia reconhecemos que uma situação que não seja aguda, mas que seja prolongada no tempo pode ser considerada de traumatizante.

Imagem: http://www.actinstitute.org/treinamento/trauma-psicologico-algumas-verdades-simples/

1 de outubro de 2012

Grounding e voz

A garganta está muito relacionada com a nossa raiz, com o nosso Grounding. Uma boa raiz ajuda a garganta a ter expressividade. Se trabalharmos bem o nosso grounding, tanto físico (postural) como psicológico (interno), poderemos expressar melhor a nossa voz, e desta forma, expressarmo-nos melhor connosco e com os outros.


Assim, é possível exteriorizar os nossos pedidos, expressando cada vez melhor as nossas necessidades. O grounding interno também nos permite construir um bom diálogo com o nosso terapeuta interno e estabelecer uma maior conexão connosco.

Relembremos a sabedoria das crianças: quando choram batem o pé enquanto gritam, fazendo valer a sua zanga. Assim vemos a subtil ligação entre os pés, que representam simbolicamente o grounding, e a garganta, formando como que um eixo vertical que nos permite ser e estar no mundo, com tudo aquilo que somos.

Imagem: http://essenciacriativa.blogspot.pt/2011/11/e-preciso-falar.html