26 de setembro de 2012

Relacionamentos


É importante verificar que somos pessoas diferentes ao longo do dia. Somos uma pessoa diferente em casa ou no trabalho. E por vezes somos também diferentes pessoas quando nos relacionamos com os outros.


Numa reflexão profunda podemos questionar o seguinte:

- Quem sou eu para: O meu pai ou a minha mãe; o meu/minha companheiro/a; a minha irmã / o meu irmão; os meus amigos; o meu chefe.

Após tentarmos ver de forma genérica como somos para as pessoas que nos rodeiam e quais as diferenças entre eles, podemos fazer as seguintes questões:

- Como é que isso me afecta?

- Como gostaria que fosse?

- Há alguém para quem sou especial?

Não só somos vulneráveis às nossas mudanças de humor, como também somos em relação aos humores dos outros. Uma pessoa mais animada poderá contagiar o nosso dia, assim como uma pessoa mais triste poderá nos influenciar. Quão vulneráveis somos ao exterior?

Este é um tema que é constantemente trabalhado em aula na Pós-Graduação em Psicoterapia Somática em Biossíntese e é uma importante ferramenta, tanto para o estudante como para o futuro trabalho terapêutico.


Imagem: http://osonhodeumaflauta.blogspot.pt/2010_03_01_archive.html

17 de setembro de 2012

Qualidades de comunicação

No Sounding, actividade terapêutica relacionada com a comunicação, é importante reflectir sobre as qualidades de comunicação que devemos encontrar em nós ou fomentar. Fazemos referência a quatro que são muitas vezes alvo de reflexão na biossíntese:

1) Qualidade de comunicação profunda comigo – Clareza;

2) Qualidade e habilidade para ouvir os outros empaticamente: “eu oiço-me enquanto te oiço”; é uma qualidade muito importante para estabelecer novos vínculos e cuidar já existentes. Quando esta qualidade está em falta ou está mal resolvida, é frequente existir uma situação difícil de fractura;

3) Reflexão: é muito importante observar os nossos monólogos internos e padrões mentais que se estabelecem. É igualmente importante fazê-lo sem crítica e sem luta. No processo terapêutico, é importante refazer este contacto e dar enfase aos monólogos internos.

4) Qualidade da minha voz, que se expressa através da garganta. A garganta é um canal de expressão e a forma como a voz é colocada e a energia que ela transmite, tem uma influência muito grande, tanto no ouvinte como no próprio transmissor.

É importante que façamos uma reflexão sobre a forma como comunicamos com os outros e connosco. Será que quando comunicamos com os outros, quebramos o fio de ligação connosco? Qual o equilíbrio entre o que ouvimos e o que falamos? Conseguimos perceber qual a energia que a nossa voz transmite? Seremos demasiado transparentes através da forma de falar?

Reflectir sobre a nossa qualidade de comunicação revela toda uma série de informação preciosa sobre nós e sobre a nossa ligação com o outro. É igualmente fundamental perceber como comunicamos em diferentes partes da nossa vida (trabalho, família, vida social, relacionamentos próximos) e como por vezes pequenas alterações podem alterar muita coisa.

Imagem: http://www.toptalent.com.br/index.php/2010/07/12/o-profissional-de-comunicacao-de-hoje/

11 de setembro de 2012

Quatro tipos de espelhos

Podem se estabelecer quatro tipos de espelho entre mãe e filho. Em Biossíntese, estes espelhos são verificados na terapêutica do Facing e são os seguintes:


1) Espelho invasivo: A mãe distorce a imagem do bebé através de projecções. Estabelece internamente e para si, como deve ser o bebé através de uma imagem que é criada. Uma situação típica é a imagem de um bebé calmo, a mãe pensa para si que um bom bebé não faz barulho.

2) Espelho depressivo: O bebé procura a mãe naquilo que ela lhe espelha e o reflexo que recebe é vazio. Nesta situação, não existe contacto e poderemos estar perante uma mãe depressiva ou demasiado ocupada.

3) Espelho que reflecte: A mãe reflecte o bem e o mal, sendo um espelho empático, presente. As emoções são assim bem-vindas em ambos os lados e cada uma das partes é aceite pelo que é e não pelo que faz.

4) Espelho que convida: a mãe convida o seu bebé a ser alegre. Estimula o seu desenvolvimento permitindo que o bebé se expresse e investigue o mundo à sua volta.

O tipo de espelho que se estabelece entre a díade irá influenciar determinantemente a forma como o bebé se vai desenvolver assim como a sua forma de se relacionar com os outros, baseando-se neste vínculo primordial que se estabelece com a mãe.

É importante referir que o papel do pai é também de grande importância na vida do bebé, ainda assim, a proximidade da mãe com o bebé através da nutrição e a relação simbiótica que se estabelece, é fulcral no estabelecimento de vínculos futuros.

Olhando para nós e para a nossa história, e com base nestes tipos de espelho, podemos questionar-nos: como foi a nossa relação com a nossa mãe a nível de espelhamento? Se já somos mães, como é que espelhamos, ou espelhámos, a nossa história no nosso bebé? Estas são algumas das questões colocadas na terapêutica em Biossíntese que nos ajudam a compreender formas de relacionamento na idade adulta.

Imagem: http://www.euroferragens.com.br/loja.phtml?f=1&cprod=1540

3 de setembro de 2012

Imagens



Em Biossíntese, consideramos três níveis através dos quais podem surgir as imagens internas:

1) As imagens podem ser usadas de uma forma superficial ou defensiva. O paciente usa as imagens como uma defesa contra a realidade. Neste sentido, a produção de imagens é constante, prevalecendo a perda de contacto com a realidade. O indivíduo perde-se em si mesmo num conjunto de imagens de desejo, sejam elas arquétipas ou de carácter místico. Um exemplo de uma imagem superficial ou defensiva é a visualização de imagens sobre o futuro.

2) As imagens de caráter restritivo são imagens de medo, frequentemente relacionadas com uma situação de trauma. As imagens internas fazem o paciente sofrer e surgem frequentemente através de pesadelos. São imagens que retraem a energia do indivíduo e quando surgem é fundamental intervir através dessas mesmas imagens (quando possível). Uma intervenção possível é a de colocar o paciente a explicar a imagem de uma forma objectiva e lógica. Ao dar lógica, há a possibilidade de retirar intensidade ao seu conteúdo. Através da visualização também existe outra forma de intervir que consiste na capacidade de alterar a imagem ou a história associada, transformando-a em algo melhor e com sentido. Numa maior ligação ao corpo também é possível propor ao paciente que descreva a sua imagem de medo enquanto está de pé, numa posição de controlo. Perspectivando a destotalização, é igualmente plausível pedir ao cliente que dialogue com o corpo, dando a uma parte dele um significado (como por exemplo, se a imagem tem um diabo, colocar esse diabo na mão, corporificando a imagem). Esta última intervenção permite ao paciente usar o corpo na transformação da sua imagem e, consequentemente, da sua história.

3) O paciente poderá ter imagens criativas que derivam da sua essência. São imagens inspiradoras através das quais o paciente se sente em contacto consigo mesmo e que podem surgir através de sonhos ou da meditação. Estas imagens são um recurso que o indivíduo pode usar numa situação neurótica ou num estado mais depressivo.

Refira-se que em Biossíntese trabalhamos as imagens através da terapêutica do Facing, já referida no Blog da Biossíntese e que convidamos a reler.

Imagem: http://www.math.rochester.edu/people/faculty/jnei/FRACTALS.html