23 de julho de 2012

Facing



O Facing é a terceira forma de terapia principal na Biossíntese. Relaciona-se com a camada germinativa ectodérmica e é associada à cognição, percepção, contacto e pensamento. A função terapêutica usada poderá passar pelo encarar e pela integração de experiências através do contacto e da comunicação verbal. Refira-se que este contacto poderá ser feito através dos olhos e também através da pele. 

O terapeuta trabalha com as qualidades do contacto visual e deve ser experiente em identificar as diferentes expressões que neles estão contidas. De acordo com David Boadella, existem dois tipos de olhar que podem ser identificados: o olhar defensivo e o olhar de contacto. O olhar defensivo está associado com o encarar, com o olhar de uma maneira cuidadosa, ou com o olhar “longe”, sonhador. Por vezes é possível mudar o olhar fixo, ajudando a pessoa a voluntariamente, aumentar a sua tendência para relaxar e diminuir o seu grau de defesa.

Para uma pessoa que tem tendência a ser muito observadora, que olha tudo o que a rodeia e que usa este tipo de olhar de uma forma controladora, trabalhar com os olhos fechados permitirá um maior contacto com a sua expressão interna.

Quando a pessoa tem um olhar de contacto, os seus olhos respondem ao contacto com os olhos do terapeuta. Desta forma, diferentes manifestações, como desejo, ansiedade, raiva ou prazer podem ser ajudadas a encontrar expressão.

Estes dois tipos de olhar, de contacto e defensivo, também existem de olhos fechados. O modo defensivo está associado com o retraimento do contacto, fechamento das entradas através dos olhos e também o bloqueio de qualquer revelação de sentimento. O olhar de contacto, com os olhos fechados, está associado ao maior contacto com as expressões internas e também à emergência de fantasias, da imaginação.

A habilidade do terapeuta em distinguir de que maneira é que os olhos estão a ser usados é que vai permitir a ajuda ao cliente para que ele possa encarar aquilo de que se defende.

Elaborado com base no texto “O que é a Biossíntese”, de David Boadella

Imagem: http://netovilhena.blogspot.pt/2012/04/seu-olhar-insano.html

11 de julho de 2012

Centring

“O trabalho terapêutico denominado Centring (centrar) baseia-se no restabelecimento do ritmo do fluxo de energia metabólica e do equilíbrio entre as duas metades do sistema nervoso vegetativo. Na prática, isto significa uma ajuda na recuperação do equilíbrio emocional e da respiração harmoniosa” (Boadella; 1992: 24)


Esta forma de terapia da Biossíntese está relacionada com a camada endodérmica. Esta camada desenvolve-se no primeiro trimestre da gravidez e é a camada interna do corpo do feto. É neste momento que será produzido o revestimento do tubo intestinal, todos os órgãos digestivos e também os tecidos dos pulmões.

Na nossa infância, numa situação fracturante associada às emoções, e num impulso de vida que nos permite sobreviver, dá-se um encouraçamento visceral. Este encouraçamento, quando deixa de resultar como defesa e nos causa transtorno, pode ter como terapêutica o centramento emocional e o reequilíbrio da respiração.

Neste processo, pretende-se ajudar a pessoa a entrar em contacto com o ritmo da sua respiração e com a dinâmica emocional que lhe está associada e também com o que há de mais primitivo em nós. No Centring, vemos como o reservatório de energia do cliente está acumulado nos órgãos internos do corpo, onde se situa o reservatório dos sentimentos e ao qual nos referimos comumente como vísceras.

Centrar está então relacionado com todo o quente associado às emoções e também à sensibilidade. O cliente que precisa de Centring, precisa de aprender a incluir as suas emoções, e isto é mais do que a simples aceitação, é também sentir com o corpo.

Elaborado com base no texto “O que é a Biossíntese” e “Correntes da Vida”, de David Boadella

2 de julho de 2012

Os três principais temas



A teoria da Biossíntese, ou o seu conceito central, baseia-se em três ferramentas essenciais, ou primárias, e são elas o Centring, o Grounding e o Facing. Estes são métodos terapêuticos primários desenvolvidos por David Boadella. Cada um destes métodos está relacionado com o funcionamento harmonioso dos sistemas orgânicos que derivam das camadas celulares primárias e que se organizam embriologicamente no feto (Boadella; 1992, 23), são elas o endoderma, o mesoderma e o ectoderma. 

Uma fractura, ou stress excessivo, que ocorra antes, durante ou depois do nascimento irá romper a ligação, cooperação e a integração existentes entre as três correntes de energia ou “fluxos vitais”. O que Boadella propõe para a terapia em biossíntese é precisamente uma tentativa de restauração desta integração entre as camadas celulares: “Na biossíntese, a reintegração terapêutica trabalha com o desbloqueio da respiração e dos centros de emoção (Centring); com a retonificação dos músculos e a integração postural (Grounding); e com a vinculação e a organização da experiência através do contacto visual e comunicação verbal (Facing)” (Boadella; 1992, 10). Desta forma, o fundamento externo da biossíntese é a integração entre a acção, o sentimento e o pensamento.

Refira-se que a interpretação em conjunto é essencial na biossíntese, tal como ver a pessoa como um todo, e utilizar várias ferramentas.

Referências:
BOADELLA, David (1992); “Correntes da Vida”; Summus Editorial; 3ª Edição; São Paulo.
Imagem: http://soqs.blogspot.pt/