22 de maio de 2012

Distúrbios na respiração



Segundo Reich, existem quatro distúrbios que podem ser observados na respiração de um indivíduo e que são abordadas na Biossíntese, quer na formação, quer na terapia, e são eles os seguintes:

1) Respiração presa por couraça rígida (tipicamente rígido): o problema surge com o abandono, e existe um escudo em todo o corpo. Não há contacto com as emoções, pois isso é demonstrar fragilidade. A respiração é mais torácica, com muitos suspiros. Nesta respiração caracteriza-se por um enrijecimento dos músculos do peito e contracção (apertar) das costelas, com uma correspondente redução da livre mobilidade do diafragma. A respiração destes indivíduos é um respirar sem sentimentos.

2) Respiração intestinal (tipicamente masoquista): não lidera, não avança, é uma respiração comprimida, para baixo e com muita expiração. Há um encouraçamento centrado na pressão abdominal, uma intolerável pressão no abdómen e os pacientes normalmente demonstram o medo que tem de levar um soco na barriga. A sensação que é a de que os seus sentimentos são engolidos e permanece uma grande tensão no diafragma. 

3) Respiração como acto de “sugar”: estes indivíduos respiram na fome e podem ser caracterizados como histéricos e orais. A sensação que prevalece é a de que conseguem sugar as nossas energias quando se aproximam demasiado. São pessoas que se sentem constantemente vazias, necessitadas e descarregadas. Na respiração, ficamos com a sensação de que o paciente vive com fome do ar.

4) Respiração do nascido e do não-nascido (tipicamente esquizóide): nestes casos, verificamos que o paciente está virado para dentro de si mesmo, a sua respiração parece inexistente, e dificilmente a conseguimos ouvir. Quanto mais inactivo o aparelho respiratório, mais próximo do útero se vai sentir o indivíduo, e mais protegido se sentirá.
 
Imagem: http://www.terapiabiografica.com.br/

15 de maio de 2012

Couraças


Em Biossíntese reconhecemos a existência de três diferentes formas de couraça:

Couraça visceral: verifica-se num colapso ou disfunção na peristalse ou na respiração.  Poderá se registar uma tendência para a hiperventilação crónica ou hipoventilação crónica ou ainda um bloqueio a nível do abdómen (síndrome do intestino irritado). Numa situação extremada, estas disfunções podem se expressar em asma ou colite.

Couraça muscular e couraça dos tecidos: o desequilíbrio no tónus muscular pode se verificar em duas direcções: hipotonus, onde se regista fraqueza e / ou falta de carga energética; ou hipertonus, verificada na sobrecarga e / ou tensão. A couraça dos tecidos está relacionada com a disposição dos líquidos dos tecidos e a eficácia de bombeamento venal, que, quando se torna mais lenta, pode produzir uma série de distúrbios na distribuição de fluídos. Em situações extremas esta couraça demonstra-se na tendência para doenças reumáticas ou doenças cardiovasculares, como por exemplo a hipertensão.

Couraça cerebral: as expressões mais severas desta couraça verificam-se na tendência para o pensamento obsessivo ou na desordem esquizofrénica do pensamento. Pode aparecer como distúrbios no ritmo cérebro-espinhal, ou distúrbios nos processos de carga bioeléctrica do cérebro.

Elaborado com base no texto “O que é a Biossíntese”, de David Boadella

Imagem: http://seanhsean.blogspot.pt/2007/07/felicidade-as-couraas-quebram-os-afagos.html

7 de maio de 2012

Simpático e parassimpático


No seguimento da publicação anterior sobre o Bounding, onde se falou sobre o sistema simpático, vamos agora falar um pouco mais sobre as duas grandes ramificações do sistema nervoso vegetativo: o simpático e o parassimpático.

O equilíbrio emocional de um indivíduo é feito precisamente por estas duas ramificações. O sistema simpático prepara-nos para situações de emergência, de luta ou de fuga, estando associado às sensações de medo e de raiva. Já o sistema parassimpático, apronta-nos para desistir de lutar ou fugir e está associado a emoções que contrastam: um relaxamento sadio e agradável e um abandono à tristeza e ao pesar.

As duas metades do sistema nervoso enviam ramificações para todos os órgãos internos do corpo que vão metabolizar a energia. A contracção e expansão dos pulmões durante a respiração e os movimentos peristálticos do intestino durante a digestão são respostas aos sinais enviados pelos nervos vegetativos. Este ritmo de contracção e expansão é um dos ritmos mais importantes da vida. 

Elaborado com base no livro “Correntes da Vida” de David Boadella (Capítulo 2)

4 de maio de 2012

Bounding



Um dos temas tratados pela Biossíntese é o Bounding e, conforme o nome indica em português, é referente aos limites. Neste tema, onde nos focamos nas energias do diafragma e nas emoções de raiva e ansiedade do sistema simpático, pretende-se fazer a ponte destas para a relação com os padrões de movimento da agressão construtiva e da autodefesa construtiva, ou busca de segurança. 

No Bounding aspiramos à compreensão, reconhecimento e negociação entre os nossos limites e os limites do outro, quer seja a nível público ou privado, so.cial ou pessoal. É importante saber onde estão os nossos limites por forma a lidar de uma forma construtiva com os conflitos que nos são propostos no dia-a-dia.

A imposição de limites ao outro pode ser feita de várias formas: verbalmente, com um gesto, ou até mesmo com um olhar. Podemos reflectir sobre a forma de como impomos os nossos limites com as seguintes questões:

- Como sou eu em relação ao meu território, sinto que tenho espaço?

- Como é que eu faço para criar o meu espaço?

- Como delimito / marco o meu espaço?

- Como digo sim ou não na minha vida?

Estas são apenas algumas perguntas sobre as quais podemos inferir sobre nós e a nossa forma de criar e impor limites. Podemos tentar responder racionalmente e posteriormente tentar responder com o sentir: como me sinto ao dizer que não? Como me sinto no meu espaço? E comparativamente, podemos também tirar conclusões bastante interessantes.

Imagem: http://www.marcosarrais.com.br/?p=2824