23 de abril de 2012

Diferentes tipos de Grounding


Após uma breve introdução ao que é o Grounding, importa sublinhar que existem dois tipos de Grounding:

Grounding Horizontal: É o primeiro na nossa existência enquanto o bebé é dependente, sem autonomia e em contacto com o primitivo. Se pretendermos que o paciente contacte com memórias antigas, devemos colocá-lo deitado, em Grounding horizontal.

Grounding Vertical: Só se constrói saudavelmente depois de vivenciado o grounding horizontal. O Grounding vertical inicia-se quando a criança se põe de pé. Nesse dia há uma mudança no seu cérebro e corpo e tudo muda. A criança levanta-se para se dirigir a algo, demonstrando intenção e começa a olhar para o mundo de uma forma completamente diferente. O seu campo de desejo e intenção começa a ser elaborado. A posição erecta é uma posição activa e nela a pessoa pode literalmente sentir o solo, o eixo do seu corpo. É também uma atitude mais adulta, os seus olhos podem estar abertos e focalizados. A posição erecta indica que o indivíduo tem a possibilidade de estar em contacto com a realidade da sua vida. Para estar grounded, a pessoa precisa ter os pés e pernas energeticamente carregados. Diversas expressões como: “estar de pé sobre os seus pés”; “tomar uma posição”; “manter os pés no chão” – têm a ver com Grounding. Pernas firmes, com energia e bem plantadas no chão implicam uma percepção de si mesmo e da realidade externa que resulta num sentimento de segurança.

Refira-se que existem vários tipos de Grounding Vertical:

1) Postural – Quando é seguro não causa dores no corpo, é uma pose firme, solta e vertical. Um exemplo de um Grounding vertical postural falso pode ser visto na posição adoptada pelos militares.

2) Interno (innerground) – Serenidade que se sente internamente, segurança interior: “estou bem quando me conecto comigo, apesar do caos externo, não me fracturo internamente”. Este é o Grounding que se pretende ter e sentir e que, numa posição de conexão connosco, permite o restabelecimento do fluxo.

3) Prematuro – Caracteriza aquela pessoa que cresceu muito depressa, uma pessoa funcional e prática mas com uma inteligência emocional fraca. Tendem a ser dominadores, controladores e não aceitam conselhos. Na sua pior expressão, deixam de ouvir os outros e têm grandes mecanismos de defesa.

4) De olhar – Com o olhar, eu digo que o outro existe, reconhecimento visual.

5) Família / Cultura / Religião – Porque há a necessidade de pertencer a algo, de ser aceite num lugar específico.

Imagem: http://acontecimentosdry.blogspot.pt/2010/08/pes-cansados.html

16 de abril de 2012

Eu sou maior do que o meu problema



Existe uma frase que ecoa na Biossíntese: eu sou maior do que o meu problema. Com esta frase, não se pretende, de modo algum, minimizar um problema que aflige alguém, nem tão pouco desvalorizá-lo ou à forma como ele afecta o dia-a-dia. 

A premissa parte da relativização e da assunção de que o problema faz parte de nós, mas é apenas uma parte de um todo multifacetado. Relembramos que a Biossíntese é sinónimo de integração de vida. E integrar o problema como algo nosso, mas que não nos domina nem extravasa é fundamental. A percepção de sermos maiores do que o nosso problema e a conexão desta frase com o nosso interior, a nossa essência, facilita claramente a lidação com estas temáticas mais difíceis.

No entanto, dizer uma frase não elimina o problema em si. E fazer esta conexão não é fácil. Por isso, a terapia em Biossíntese pretende conectar todos os pontos que nos pertencem e ajudar no mapeamento do nosso ser. Através da Biossíntese é possível encontrar uma auto-regulação e elaborar um desenvolvimento pessoal, baseados no nosso processo formativo. E estas são ferramentas essenciais na evolução do individuo na sociedade actual.

A Biossíntese tem uma abordagem multidimensional do ser humano: o seu corpo, emoções, sexualidade, crenças, desejos, necessidades, sonhos, sua história, família, relações, etc. Tudo isto é visto e considerado de forma integrada, problemas incluídos. Desta forma, a Biossíntese reconhece a qualidade única do indivíduo e a variedade do desenvolvimento decorrente do seu processo formativo. 

Texto de Ana Caeiro
Imagem: http://naruadecima.blogspot.pt/2011_11_01_archive.html

10 de abril de 2012

Grounding


O Grounding, ou enraizamento, está relacionado com o nosso ritmo de movimento e com o estado do nosso tónus muscular. Uma pessoa estará bem enraizada (grounded) quando tem o tónus muscular adequado para uma determinada acção ou movimento.

Esta terapêutica da Biossíntese envolve a vitalização do fluxo de energia através da coluna, e daí para as pernas, braços e cabeça. Trabalhamos com várias posturas corporais que lembram tanto o Yoga como a bioenergética.

No entanto, na Biossíntese, estamos primeiramente interessados na postura enquanto expressão da capacidade de contacto da pessoa. Muitas dessas posturas têm um impulso evolutivo e estão relacionadas com estágios de desenvolvimento, desde os movimentos reflexos do nascimento, passando pelo gatinhar até chegar ao momento de nos colocarmos em pé e andar. Existe de facto, toda uma linguagem do fluxo da forma.
     
     O fluxo do movimento tem três aspectos principais e que são qualitativos, são eles o vital, emocional e espiritual:
     
     - A expressão pelo movimento pode ser um fluxo vitalizante, através do corpo, levando a energia e mobilidade a áreas previamente amortecidas.
     - Pode também ser um fluxo emocional, ajudando a pessoa a traduzir os seus estados afectivos em sequências de acções com sentido.
     - Por fim, o movimento pode trazer um fluxo de sentimento espiritual para uma pessoa por permitir a conexão com energias universais, mais amplas que ela mesma.

Perante estas formas de fluxo e as evoluções posturais e dinâmicas, em Biossíntese, o terapeuta aprende a reconhecer a linguagem do movimento, que é um estado limítrofe da intencionalidade. Se o movimento, enquanto atitude, ficar mais solto, o movimento intencional pode começar. Se este movimento intencional for encorajado, tendencialmente o movimento revela-se de forma fluída em direcção a uma forma vital, emocional ou espiritual.

O terapeuta trabalha com princípios de indução e ressonância somática. Desta forma, ele tem que ser sensível ao seu próprio tónus muscular, assim como ao tónus de quem ele está a tentar ajudar. O momento escolhido para dar o seu suporte será crucial para que o ritmo do paciente seja respeitado. Relembramos que a relação com o ritmo respiratório do cliente é também essencial no decorrer de um trabalho de enraizamento.

Elaborado com base no texto “O que é a Biossíntese”, de David Boadella
Imagem: http://oreencontro.blogspot.pt/2008/08/enrazar.html

3 de abril de 2012

Se quer ir longe, vá acompanhado



Muito se fala da terapia e do processo terapêutico, e principalmente de como os processos são individuais e únicos. O terapeuta poderá ser o maestro, mas o paciente terá sempre de suportar toda a sua orquestra e decidir o ritmo da sua música.  

Mas terão de ser estas passagens, momentos solitários na vida? Existe uma frase ímpar: “Se quer ir depressa, vá sozinho. Se quer ir longe, vá acompanhado”. O processo terapêutico ou até mesmo o processo de vida, é um caminho, um percurso que todos nós fazemos com a nossa passada. Será que de facto, acompanhados vamos mais longe?

Pensamos que sim. Seja com o terapeuta ao lado, a família ou os amigos. E ir depressa nem sempre é sinónimo de ir longe, a probabilidade de tropeçar aumenta! O percurso da vida poderá de facto levar-nos mais longe quando nos deixamos acompanhar, permitindo a presença do outro. Mas não nos esqueçamos de aproveitar a viagem… E a companhia!

Texto de Ana Caeiro
Imagem: http://cores-solidarias.blogs.sapo.pt/16671.html