29 de março de 2012

Um rio não se empurra


Em terapia falamos de processos. O processo do paciente, e também o processo do terapeuta, que aprende em cada sessão, com aquilo que é trazido pelo seu paciente.

O ritmo de cada um deve ser responsavelmente respeitado. Cada um de nós tem a sua velocidade, de acordo com as especificidades do seu próprio processo, que inclui a sua história e as suas perspectivas para o futuro.

Desta forma usamos uma frase característica: o rio não se empurra. Um rio tem a sua própria velocidade, tal como nós. E por vezes, é errado tentar parar as águas ou tentar fazer com que elas corram mais depressa. A natureza é sábia, e o rio, igualmente sábio, tem diferentes ritmos em diferentes partes da sua história. E nós também. Na juventude podemos ser mais impetuosos e correr mais rápido, enquanto na foz da vida desaguamos tranquilamente no mar.

Seja como for, em determinados momentos da nossa vida, o melhor é seguir a correnteza, respeitando o ritmo do nosso rio.


Imagem: http://blog.travelpod.com/travel-photo/samsonite32/4/1257455701/gushing-rivers.jpg/tpod.html

26 de março de 2012

Livro do mês de Março: "O Corpo em Terapia" - Alexander Lowen


O livro “O Corpo em Terapia – a abordagem bioenergética” de Alexander Lowen, está dividido em duas partes essenciais. Na primeira parte, que podemos considerar mais introdutória ou teórica, Lowen aborda temas essenciais da bioenergética. Recordemos que foi Lowen, em conjunto com Pierrakos que criou a Bioenergética. É igualmente nesta primeira parte que Lowen reflecte sobre o que é a análise de carácter e a sua formação e estrutura, elementos essenciais para podermos fazer a ponte para a segunda parte do livro, na qual o autor explora cada carácter, viajando por entre exemplos de casos práticos que teve no seu consultório.

Refira-se que Lowen faz inúmeras referências a W. Reich ao longo deste livro. O autor revela a importância da obra de Reich, “Análise de Carácter”, indicando igualmente que foi este o grande responsável pelo progresso na compreensão e tratamento das neuroses. Para Lowen, é com Reich e com os estudos do carácter que é feita a ponte entre a biologia e a psicologia.

Na segunda parte do livro, Lowen desenvolve informação fundamental sobre seis caracteres (oral, masoquista, histérico, fálico-narcisista, passivo-feminino e esquizóide – existindo um outro capítulo referente ao que ele considera carácter esquizofrénico). Em cada um deles, Lowen faz uma brilhante leitura corporal, onde detalha os lugares das tensões e os motivos pelos quais elas se instalaram. Refira-se que a análise de carácter tem vindo a evoluir bastante desde que este livro foi primeiramente publicado. Ainda assim, o detalhe da condição física aliado à presença da descrição dos sentimentos dos pacientes, continuam bastante actuais.

É importante deixar uma nota. Para Lowen as fracturas que fomentavam as defesas e que levavam ao desenvolvimento do carácter, apenas aconteciam depois do nascimento, facto que ele reflecte na sua obra: “A privação do amor materno não é uma experiência que, até ao momento, possa ser identificada como ocorrendo anteriormente ao nascimento da criança.” (página 334).

A biossíntese, que bebeu influências da Bioenergética tem algumas semelhanças com aquilo que é indicado por Lowen, no entanto, uma das diferenças passa pela importância que é dada ao desenvolvimento do feto durante toda a gravidez e inclusive, aos momentos que antecedem a própria concepção.

Ainda assim, consideramos a teoria de análise de carácter de Lowen fundamental e, de facto, bastante inovadora na sua época. Este livro deve ser revestido dessa importância e deverá ser uma obra base para quem estuda o corpo numa perspectiva psico-somática.

Bibliografia: LOWEN, Alexander (1977); “O Corpo em Terapia, a abordagem bioenergética”; Summus Editorial; 11ª Edição; São Paulo.

Imagem: http://books.google.pt/books/about/O_corpo_em_terapia.html?id=4gJ2CWqW-tgC&redir_esc=y

23 de março de 2012

A dor da separação

A Biossíntese é uma psicoterapia somática, e tem desenvolvido um modelo de integração entre corpo, mente e espírito. Desta forma as investigações científicas em neurobiologia, psico-neuro-imunologia e medicina energética e que agora dão sustentação a esta integração, são alvo da nossa atenção. Desta forma, encontrámos uma notícia sobre um estudo que nos pareceu interessante.

De acordo com esta notícia do Jornal de Notícias, vários investigadores da Universidade do Michigan, EUA, publicaram um estudo onde provam que o corpo sofre após uma separação amorosa.

Este estudo teve como base uma série de voluntários que tinham terminado relações há pouco tempo. Foram feitos vários testes, entre eles, ressonâncias electromagnéticas enquanto os visados eram expostos a fotografias do antigo parceiro. Foi concluído que as áreas responsáveis pela dor física eram activadas pelo cérebro.

Vejamos algumas das zonas do corpo onde dói depois de uma separação:

Tronco: O fim de um amor suprime as motivações, por isso, tornamo-nos apáticos: não queremos sair nem ver pessoas, sendo que sentimos não ter forças para nada.

Olhos: Desejos intensos aumentam a nossa sensibilidade e podem levar ao delírio. Em sofrimento, querendo o nosso amado, pensamos vê-lo em todo o lado, como se de uma miragem se tratasse.

Coração: O aumento da adrenalina e de outras hormonas pode desorientar os músculos cardíacos, causando dor no peito, falta de ar, e, no pior dos cenários, um enfarte.

Boca: O fim de uma relação pode levar à diminuição da dopamina. A comida e o sexo aumentam-na novamente. Desta forma, queremos comer cada vez mais para compensar esta diminuição.

Cabeça: A falta do ex-companheiro pode ser vista com uma abstinência a uma droga. O amor e a alegria libertam no cérebro dopamina, um importante neurotransmissor no cérebro, produzido por um grupo de células nervosas que actuam promovendo, entre outros efeitos, a sensação de prazer.

http://www.jn.pt/multimedia/infografia970.aspx?content_id=2047927

Imagem: http://fiqueisabendoque.com/2010/389/divorcio-rapido-vigora-na-proxima-semana/

19 de março de 2012

Conceitos de saúde


Na Biossíntese trabalhamos com a unidade corpo-mente-espírito e desta forma, não vemos a saúde física separada da saúde mental e espiritual. Estar de boa saúde é pulsar ritmicamente, numa actividade vital onde há alegria e prazer.

Existem vários aspectos que nos permitem percepcionar a qualidade da nossa saúde física, mental ou espiritual. 

Na perspectiva espiritual, existem quatro aspectos fundamentais para se observar uma saúde espiritual de qualidade:

- Permitir o contacto com as nossas fontes pessoais de valores que nos transmitem uma sensação de sentido e movimento.
- Ter uma força existencial para lidar com as crises, sem permitirmos que o desespero nos domine.
- Sentir que a vida é um processo de respeito em eterno aprofundamento, pelo próprio coração e pelo coração dos outros.
- Estar livre de culpas neuróticas, e disposições para encarar responsabilidades reais.

Relativamente à saúde física, observem-se os aspectos somáticos da saúde:

- A respiração é regular e rítmica, com movimentos livres. A peristalse abdominal (movimentos abdominais) não é espástica nem flácida, funcionando com uma sensação interna de bem-estar.
- O organismo tem um bom tónus e pressão sanguínea é normal. Os músculos movem-se entre estados de tensão e de relaxamento sem estarem cronicamente rígidos ou colapsados.
- A pele é quente, com um bom suprimento sanguíneo e a face é móvel e viva. A voz é expressiva, e não mecânica, e os olhos comunicativos e luminosos.
- O orgasmo é uma pulsação rítmica involuntária, gratificante e um sentimento de amor para com o parceiro.

Por fim, refiram-se os aspectos psíquicos da saúde:

- Habilidade para relacionar as expressões externas com as necessidades internas, e ser capaz de funcionar a partir de necessidades vitais primárias, distinguindo-as de hábitos secundários.
- Capacidade de fazer contacto com o outro, sem idealizações, projecções ou outras defesas distorcedoras. Habilidade para distinguir contactos genuínos de contactos substitutivos, valorizando e cultivando os primeiros.
- Habilidade de conter e expressar sentimentos, e tomar decisões em relação a quando realizar cada um destes.
- Estar livre de ansiedade, quando não existe perigo.
- Ter coragem para defender o que acredita ser o certo, mesmo quando existe perigo.

Sendo estas as qualidades da saúde, a desordem será o que ocorre na perda destas qualidades.

Elaborado com base no texto “O que é a Biossíntese”, de David Boadella

Imagem: http://likidifike.blogspot.pt/2012/02/dicas-de-bem-estar-e-saude.html

13 de março de 2012

Os Dez Aspectos da Bio-espiritualidade


David Boadella desenvolveu 10 aspectos da Bio-espiritualidade que aqui identificamos. Brevemente publicaremos mais informações sobre como é a espiritualidade na óptica da Biossíntese.

1) Espírito significa respiração. “Respiração” é uma metáfora para a essência subtil da mesma forma que “coração” é a uma metáfora para as qualidades do amor.


2) A Bio-espiritualidade está relacionada com o desenvolvimento do coração no mundo, em como contactar com as profundidades do céu e da terra e como encarnar o espírito na carne.


3) A Bio-espiritualidade trabalha com a compreensão holística da matéria e significado, soma e significação, energia e essência, peso e graça. Mas está muito longe do dualismo cósmico que opõe o corpo e o espírito, sexo e alma, terra e luz.


4) O trabalho Bio-espiritual é o trabalho da manifestação da existência diária das qualidades latentes da nossa essência. É o trabalho de estar focado no nosso ser, que está para além do tempo e do espaço, aqui e agora. É a sensação de estar em contacto com aquilo que fazemos.


5) A meditação tem a mesma raiz da palavra medicina. O tema em comum é estar bem, estar todo e estar centrado. A palavra latina “valere”, que significa estar bem, é a raiz da palavra “valor”. Na medicina ocupamo-nos em como estar saudáveis e na meditação o valor é o nosso objectivo central e o fundamento do nosso propósito e significado.


6) A Bio-espiritualidade trabalha com a compreensão de que o homem não é uma ilha. O desenvolvimento pessoal não poderá ser feito de forma isolada. O verdadeiro trabalho passa, inevitavelmente, por trabalhar para o outro. No entanto, e por outro lado, não é possível sentir compaixão pelo outro sem que possamos sentir compaixão por nós próprios. O verdadeiro amor-próprio é o oposto do egoísmo em todas as suas formas.


7) O trabalho Bio-espiritual é um trabalho profundo e o caminho é um mergulho através do inconsciente nas profundezas da consciência e do contacto não distorcido.


8) A Bio-espiritualidade celebra o nascimento, a sexualidade, a paixão, a comunhão e a unicidade do indivíduo.


9) O trabalho Bio-espiritual é político, pois ocupa-se da resolução de conflitos, da comunhão entre as raças, nações e pessoas, respeitando a particularidade de cada cultura.


10) O trabalho Bio-espiritual é também ecológico, ele cuida do planeta e vê o indivíduo como uma célula no organismo que é o mundo.


Imagem: http://teologiaegraca.blogspot.com/2010/04/espiritualidade.html

7 de março de 2012

Respirar, é preciso!

“Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade.” - Alexander Lowen


A respiração é um elemento fundamental no processo de restabelecimento de pulsar saudável na nossa vida. Na biossíntese o Centring é o processo que seguimos para ajudar o cliente a entrar em contacto com o ritmo da sua respiração e com a sua dinâmica emocional associada.

A respiração pode estar desequilibrada de várias formas. Poderá estar mais concentrada na barriga ou no peito, ou então, poderá ser dada mais ênfase à inspiração ou à expiração.

Em clientes muito controlados e tensos, o terapeuta pode ajudar na expiração, encorajando um fluxo livre de movimento, pois a respiração tenderá a seguir o movimento. Os exercícios inspiratórios são indicados para lidar com a ansiedade, abandono, fraqueza e tristeza. Os expiratórios poderão ser uteis em condições de controlo excessivo, raiva bloqueada e tensão excessiva.

Elaborado com base no texto “O que é a Biossíntese”, de David Boadella



Imagem: http://www.universoyoga.org.br/textos.php?Respirar+%E9+Viver