15 de novembro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 3ª Parte

Depois desta parte mais teórica, passámos para mais um exercício em pares, no qual quem tinha pacientes fazia o papel de terapeuta. O terapeuta falava de uma forma abrangente e anónima sobre um paciente, apenas para o ter presente. O nosso colega tenta entrar no papel do cliente e tenta exprimir o que sente, tentando ressoar com alguém que não conhece. Após esta primeira parte e já de pé, o terapeuta, de frente para o colega tenta sentir o momento e perceber o que ressoa com o intuito de perceber o que é que o seu cliente pode precisar. A questão que fica para o terapeuta é: o que é que eu vou fazer com esta informação (que advém daquilo que senti)? Se surgir alguma resposta, poderá partilhar com o seu colega e ver o que acontece.


Para finalizar, o Dr. Gil Arad referiu alguns avanços na área neurológica que permitem chegar a algumas conclusões. Uma delas é que o ser humano se percepciona, a si e aos outros, através de sensações corporais, sendo que existem sensações para todas as coisas que vemos, ouvimos ou cheiramos. Existem também sensações para os sentimentos. E confirma-se a diferenciação entre os sentimentos primários e os sentimentos básicos. Os sentimentos básicos são aqueles com os quais chegamos ao mundo (raiva, medo…) e os secundários são aqueles que são aprendidos e que têm emoção. Se retirarmos o sentimento da emoção aquilo que fica é uma ideia e o que se perde é imenso.

Outra conclusão diz que As ideias têm origem no lóbulo frontal que as envia para o corpo. Daí (do corpo), surgem as sensações. Quando a sensação é agradável, dizemos que é uma boa ideia, mas, se pelo contrário, a sensação não for agradável, consideramos uma má ideia.

Por fim, o Professor Gil indicou que, ao mudarmos as nossas sensações corporais surgem novas ideias pois abre-se espaço ao novo. E para nós, enquanto terapeutas, é muito importante estarmos conscientes das nossas sensações. Essa consciência ajuda-nos a estar mais presentes na sessão terapêutica e, consequentemente, também o paciente estará mais presente.

Traduzido e adaptado por Ana Caeiro

Imagem: http://projetandopessoas.blogspot.pt/