8 de novembro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 2ª Parte

Após este momento introdutório, o Dr. Gil Arad fez uma proposta no sentido de avançarmos para algo mais relacionado com a prática terapêutica. A experiência foi feita em pares, nos quais se estabelecia quem era o paciente e quem seria o terapeuta. Não seriam feitas trocas pelo que quem estava como terapeuta ficaria nessa posição até ao fim da prática. A informação sobre o que se iria fazer foi dada apenas aos terapeutas estabelecidos, sem que os pacientes soubessem o que ia ocorrer.



Numa primeira parte, o terapeuta manterá a mente de ajuda, ou seja, sem falar, irá colocar a sua intenção na ajuda do outro. Durante 10 minutos, é isto que se propõe, sem necessidade de falar, apenas havendo o intuito de estar com. Ainda assim, o paciente tem toda a liberdade de falar, se assim o entender.

Numa segunda parte, o terapeuta, no mesmo registo não-verbal, irá manter a intenção de ajuda, transmitindo que o seu paciente tem tudo aquilo que precisa e que ele deve acreditar que tem o necessário para se curar e evoluir.

Pretende-se que ambos fiquem numa manifestação de sensações, falando apenas o necessário. No fim, sem desmistificar a intenção do terapeuta em ambas as partes, os clientes partilharam as suas sensações.

O que podemos concluir deste pequeno exercício é que a posição do terapeuta é fundamental no contacto, e isto inclui o seu corpo e todas as sensações que vai tendo.

Existem clientes mais sensíveis que conseguem perceber a diferença entre o que o terapeuta diz e o que está a sentir e isto pode ser muito complicado para um paciente. Assim, como terapeutas, é importante perceber qual a relação que temos com os nossos pacientes e se não é possível ou se existe uma maior dificuldade na ligação com o nosso cliente, então é importante levar o tema a supervisão.

A ressonância acontece quer queiramos quer não e também não depende de gostarmos ou não de ressoar com o outro. É algo que pode acontecer sem consciência mas se a tivermos podemos aumentar exponencialmente o nível de envolvimento emocional, corporal ou mental. Se por exemplo ressoarmos profundamente com o nosso cliente a nível das imagens, até podemos ver a mesma imagem que o cliente vê.

É importante distinguir entre transferência / contratransferência e ressonância. Para o Professor Gil, a ressonância é sempre uma sensação agradável pois está relacionada com a essência, é algo que ressoa mas que não nos muda, algo que sentimos mas que não nos afecta.

Imagem: http://www.discutindoarelacao.com.br/?p=1536