24 de outubro de 2012

Trauma (3ª Parte) – Em terapia

Conforme já referimos, um trauma pode não advir de um evento traumático, mas sim de uma situação fracturante que ocorre de uma forma permanente no tempo e no espaço. Um exemplo deste tipo de trauma poderá ser a falta de atenção dos pais durante vários anos. Aparentemente esta não é uma situação traumática por não existir um único evento traumático. O que existe é uma série de eventos constantes que promovem um trauma.

Tomar consciência desta situação por si só, pode não ser suficiente para a resolver. É necessário incluí-la. E a partir daqui existem algumas formas de lidar terapeuticamente com o trauma.


Considerando que a pessoa pode ficar traumatizada através de um sentido, seja o olhar ou a audição, por exemplo, é importante encontrar qual o sentido que não foi afectado. Na Biossíntese, trabalhando com polaridades, a porta de entrada poderá ser o sentido que não foi afectado.

Na nossa terapêutica acreditamos sempre que existe a possibilidade de recuperar, na medida do que é possível, pois há sempre algo dentro de nós que não está traumatizado.

Refira-se que, quando trabalhamos com alguém com um trauma é fundamental criar um ambiente de segurança e não menosprezar a dor do outro. Se o trauma não estiver relacionado com o olhar, o contacto visual é muito importante e deve ser adequado a cada um. A possibilidade de ser visto pode ser muito afectada numa situação traumática e, desta forma, uma primeira ferramenta poderá ser recuperar a visão e a capacidade de se ser visto.

Um alerta muito importante é o de não tomar a iniciativa de tocar em alguém com um trauma.

Imagem: http://concha-conceicao.blogspot.pt/2009_07_26_archive.html