27 de fevereiro de 2012

O terapeuta

Mesmo que tenha uma técnica limitada, um bom terapeuta poderá obter um bom resultado numa área limitada, que será aquela em que se move. Exemplificando, um bom terapeuta verbal poderá descurar áreas importantes de mudanças somáticas. Em oposição, um mau terapeuta, mesmo com uma técnica de alcance profundo, poderá obter maus resultados de uma forma global.

Segundo Paulo Freire, citado por David Boadella, poderão ser considerados três tipos de interacção que definem três tipos de terapeuta, são eles a invasão, a privação e o diálogo. Vejamos atentamente o que significa cada um deles.

No primeiro, o terapeuta invade o seu cliente. Esta invasão poderá ocorrer com interpretações ou com técnicas corporais de pressão. Tanto na primeira como na segunda situação o que ocorre é um desrespeito pelos limites do cliente e que poderá resultar na perda de confiança em relação ao terapeuta.

Na privação o terapeuta receia ir longe demais e acaba por privar o cliente de algo que poderia ser dito ou feito, corporalmente. Um terapeuta verbal sem conhecimento do corpo ou um terapeuta corporal que recusa as palavras poderá privar o seu paciente de experiências sinestésicas.

Evidenciamos que o medo de invadir pode levar à privação e que o medo de privar o paciente pode levar à invasão. Entre estes dois opostos existe um equilíbrio: o diálogo.

No diálogo, que poderá ser verbal e não-verbal, o terapeuta abre a porta à possibilidade de aprender com o seu cliente, assim como à possibilidade de o ensinar. Há uma interacção entre o terapeuta e o paciente, estabelecendo-se uma comunicação aberta e fomentando-se um processo de crescimento mútuo.

Com este diálogo, a ressonância com o cliente existe, criando espaço para a igualdade e para o desenvolvimento de ambas as partes envolvidas na terapia.


Elaborado com base no texto “O que é a Biossíntese”, de David Boadella