29 de janeiro de 2012

Os campos motores

Para David Boadella, a constatação mais simples que se pode observar a partir da psicologia somática é a de que a forma externa da pessoa reflecte a sua disposição interna. Aqui, o terapeuta deve seguir os movimentos espontâneos do seu paciente, percepcionando o humor de uma pessoa.

De forma a sistematizar os modelos do fluxo da forma que são experienciados no trabalho postural somático da Biossíntese, desenvolvemos o conceito de campos motores. Eles são a pedra basilar da nossa comunicação não verbal, expressando padrões de intencionalidade latente.

Existem oito campos motores que são polares entre eles:

Polaridades dinâmicas:
Flexão --------------- Extensão
Tracção ------------- Oposição
Rotação --------- Canalização
Activação ---------- Absorção

Vejamos a definição de cada campo motor:

1º Campo de Flexão: Postura do bebé no útero, é a posição fetal, de auto-protecção, recolhimento. A posição fetal ressoa em estados de regressão e representa um desejo de retirar-se do mundo para um estado de maior segurança.

2º Campo de Extensão: É o oposto do primeiro: “eu estou aqui”, em expansão, equilíbrio. O corpo expande-se, a espinha curva-se, os braços ampliam-se e as pernas alongam-se. O nascimento é a nossa primeira grande extensão.

3º Campo de Tracção: A primeira experiência de tracção é o mamar. A partir daí e pela boca, o bebé experimenta o mundo, aprende o que precisa e demonstra-se principalmente pelos braços, é o Eu Quero.

4º Campo de Oposição: É o “Eu Não Quero”, o empurrar; A primeira expressão é no nascimento, quando empurra com a cabeça para sair.

5º Campo de Rotação: Relacionado com a flexibilidade, com o adaptar o corpo a novas estratégias. A primeira expressão é quando o bebé dá a volta no útero. A acção de caminhar, balanceando entre a esquerda e a direita é um tipo de rotação -> dispersão.

6º Campo de Canalização: Capacidade de ter um objectivo e levá-lo até ao fim. É a capacidade de concentração e foco. Quando exagerado torna-se em fanatismo. Na criança, ela vê o que quer e aponta, canaliza a sua vontade.

7º Campo de Activação: No seu exagero: Hiperactividade; é a energia que nos move, é dizer “eu vou” e estar carregada para o fazer. É a locomoção com movimentos activos nos braços e nas pernas. Para o hiperactivo, o descanso é uma tortura. A vitalidade é a palavra-chave deste campo motor.

8º Campo de Absorção: No seu exagero é a hipotonia, ocorre pela primeira vez quando o bebé nasce e olha vidrado pela primeira vez para a sua mãe. Neste campo absorvemos o que chega e incluímos na nossa vida. A meditação insere-se neste campo.

Quando o indivíduo está saudável e pulsa em todos os campos, temos o Campo de Pulsação.

Os campos motores trabalham com a alma do músculo, unindo movimento à respiração e movimento ao sentimento. Através deles podemos construir uma nova imagem corporal, de forma a responder de forma adaptável ao stress que nos rodeia e para experienciar a alegria de viver.

Elaborado com base no texto “Fluxo da forma e posturas da alma”, de David Boadella.