21 de dezembro de 2012

Padrão activo vs passivo (2ª parte)



De acordo com a tendência que podemos ter, mais activa ou mais passiva, e após ser possível identificá-la, podemos seguir alguns objectivos que serão essenciais na sua terapêutica.

Objectivos terapêuticos para um padrão activo:

1)    Aceitar ser um pouco menor / com menos energia;
2)    Aprender a aceitar mais responsabilidade por nós mesmos;
3)    Desviar a atenção do confronto com os outros para o nosso confronto interno, connosco;
4)    Relaxar em vez de explodir;
5)    Assumir que a fraqueza pode existir;
6)    Permitir a criação de sentimentos de segurança nessa fraqueza / vulnerabilidade;
7)    Alterar a forma de ver a vulnerabilidade, transformando-a num ponto forte, em vez que uma fraqueza.

Objectivos terapêuticos para um padrão passivo:

1)    Transformar a tendência de contracção em expansão;
2)    Ter o suporte necessário para poder lidar com a sua raiva;
3)    Aprender a expressar a raiva de forma conectada e consciente;
4)    Quando é possível aceder à raiva, é possível aceder às reais necessidade do indivíduo passivo;
5)    Promover o suporte para que seja possível dar lugar ao direito de confrontar saudavelmente os outros;
6)    Dar suporte para que os sentimentos de culpa possam ser dissolvidos.

12 de dezembro de 2012

Padrão activo vs passivo (1ª parte)




Na Biossíntese falamos muito de polaridades em vários temas e desta vez trazemos a polaridade activo/passivo, que caracteriza os nossos comportamentos.


O padrão activo, caracterizado por uma maior energia, pressupõe uma maior necessidade de exteriorizar a raiva. A pessoa mais activa tem tendência para querer ser o vencedor, não suportando os perdedores. Neste padrão, o território dos indivíduos mais activos é de extrema importância e não deve ser atravessado por ninguém. A fraqueza é vista como um perigo e a vulnerabilidade é vista como um fracasso. Para uma pessoa com um padrão muito activo, o objectivo é sempre o de ser independente. A desculpabilização e a necessidade de confrontar o outro surgem com frequência.

No seu oposto, o padrão passivo ou da passividade, é característico dos indivíduos que se sentem vítimas de manipulação das outras pessoas. Neste caso, o passivo não expressa a sua raiva, suprimindo-a, por vezes de tal forma que deixa de a sentir. Esta raiva é facilmente transformada em auto-crítica ou culpa: “eu mereço ser culpado”. Fica premente a questão da obediência em relação aos outros e, consequentemente, a sua capacidade para acatar as suas vontades. Para estas pessoas, o sucesso ou a sensação de vencer são sentidos como perigosos, pois isso implica que ele se mostre ao mundo. O contacto é então feito com base na sua submissão perante os outros. O prazer e a diversão também são vistos como um perigo e as opiniões dos outros são vistas como importantes, sendo difícil para o passivo dizer que não. Quando o não tem lugar, é dito de forma indirecta, ou de forma quase imperceptível.

Todos nós temos tendência para um, destes padrões, ou mais activo ou mais passivo. No entanto, refira-se que as características indicadas são extremadas, sendo que também existe a possibilidade de navegarmos entre os dois extremos, apesar da existência, em nós, de uma tendência genérica.

O equilíbrio será encontrado entre estes dois padrões e consoante estas tendências, podemos ter diferentes objectivos terapêutico, como veremos no próximo post.

Imagem: http://stelalecocq.blogspot.pt/2011/09/mooji-polaridades.html

3 de dezembro de 2012

O pós-trauma




Num momento posterior a uma situação traumática, o indivíduo que demonstra ter medo da carga, tem afinal medo da posterior descarga e também da catarse associada a esse movimento. Normalmente, a pessoa permanece em colapso, com sentimentos negativos e com uma falta de esperança em ter ajuda.

Numa situação terapêutica é muito importante não retraumatizar o paciente. E isto pode acontecer de várias formas. A título de dois exemplos extremos, se por um lado podemos dar demasiado “colo” quando o cliente não está preparado, fazendo com que ele se feche, por outro, não nos podemos distanciar demasiado para não ocorrer o risco de abandono.

Em relação à experiência somática, é importante também referir que o terapeuta não pode ficar só no trauma, pois biologicamente, o organismo traumatizado quer ir para o futuro. O ego, pelo contrário, tem medo de mudar e ver coisas novas pelo que insiste na manutenção do trauma. Transformar será então incorporar o passado na experiência presente, pois ele fará sempre parte da pessoa.

Imagem: http://profjabiorritmo.blogspot.pt/2011/03/resiliencia-como-mente-supera-as.html

21 de novembro de 2012

Narcisismo

O narcisismo é estudado na Biossíntese através do tema de Facing, que é a terceira forma de terapia principal na Biossíntese e está associado à cognição, percepção, contacto e pensamento.

Podemos referir a existência de dois tipos de narcisismo, um saudável e outro patológico. No narcisismo saudável, o indivíduo constrói uma boa auto-estima com base numa imagem saudável que foi transmitida pelos pais na infância. No narcisismo patológico, os pais transmitiram o amor de uma forma condicionada: amam a criança se ela for aquilo que eles pretendem que ela seja. Neste caso, na sessão terapêutica, é importante tratar da criança interior que não foi vista na sua totalidade e que não pode ser quem queria ser.

Na vida adulta, o narcisismo patológico é revelado através da sua fractura principal: entre o sexo e o coração. Este coração cresceu muito encouraçado. Isto traduz-se numa dissociação entre o amor e a sexualidade. Persiste um medo enorme de rejeição e a ideia de que, para ser amado, tem de mudar, ser de outra forma. Claramente que as relações são muito difíceis para estes indivíduos que tendencialmente têm uma enorme dificuldade em se vincularem.

Apesar de uma máscara que faz aparentar uma pessoa muito estruturada, os narcísicos têm uma depressão muito profunda e quando se apercebem da “falsa vida” que têm levado, normalmente o corpo não aguenta, iniciando-se um processo difícil e angustiante. Em sessão, é fundamental que o terapeuta saiba acolher esta angústia.

Imagem: http://www.teatrocristao.net/texto/anjo_no_espelho

15 de novembro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 3ª Parte

Depois desta parte mais teórica, passámos para mais um exercício em pares, no qual quem tinha pacientes fazia o papel de terapeuta. O terapeuta falava de uma forma abrangente e anónima sobre um paciente, apenas para o ter presente. O nosso colega tenta entrar no papel do cliente e tenta exprimir o que sente, tentando ressoar com alguém que não conhece. Após esta primeira parte e já de pé, o terapeuta, de frente para o colega tenta sentir o momento e perceber o que ressoa com o intuito de perceber o que é que o seu cliente pode precisar. A questão que fica para o terapeuta é: o que é que eu vou fazer com esta informação (que advém daquilo que senti)? Se surgir alguma resposta, poderá partilhar com o seu colega e ver o que acontece.


Para finalizar, o Dr. Gil Arad referiu alguns avanços na área neurológica que permitem chegar a algumas conclusões. Uma delas é que o ser humano se percepciona, a si e aos outros, através de sensações corporais, sendo que existem sensações para todas as coisas que vemos, ouvimos ou cheiramos. Existem também sensações para os sentimentos. E confirma-se a diferenciação entre os sentimentos primários e os sentimentos básicos. Os sentimentos básicos são aqueles com os quais chegamos ao mundo (raiva, medo…) e os secundários são aqueles que são aprendidos e que têm emoção. Se retirarmos o sentimento da emoção aquilo que fica é uma ideia e o que se perde é imenso.

Outra conclusão diz que As ideias têm origem no lóbulo frontal que as envia para o corpo. Daí (do corpo), surgem as sensações. Quando a sensação é agradável, dizemos que é uma boa ideia, mas, se pelo contrário, a sensação não for agradável, consideramos uma má ideia.

Por fim, o Professor Gil indicou que, ao mudarmos as nossas sensações corporais surgem novas ideias pois abre-se espaço ao novo. E para nós, enquanto terapeutas, é muito importante estarmos conscientes das nossas sensações. Essa consciência ajuda-nos a estar mais presentes na sessão terapêutica e, consequentemente, também o paciente estará mais presente.

Traduzido e adaptado por Ana Caeiro

Imagem: http://projetandopessoas.blogspot.pt/

8 de novembro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 2ª Parte

Após este momento introdutório, o Dr. Gil Arad fez uma proposta no sentido de avançarmos para algo mais relacionado com a prática terapêutica. A experiência foi feita em pares, nos quais se estabelecia quem era o paciente e quem seria o terapeuta. Não seriam feitas trocas pelo que quem estava como terapeuta ficaria nessa posição até ao fim da prática. A informação sobre o que se iria fazer foi dada apenas aos terapeutas estabelecidos, sem que os pacientes soubessem o que ia ocorrer.



Numa primeira parte, o terapeuta manterá a mente de ajuda, ou seja, sem falar, irá colocar a sua intenção na ajuda do outro. Durante 10 minutos, é isto que se propõe, sem necessidade de falar, apenas havendo o intuito de estar com. Ainda assim, o paciente tem toda a liberdade de falar, se assim o entender.

Numa segunda parte, o terapeuta, no mesmo registo não-verbal, irá manter a intenção de ajuda, transmitindo que o seu paciente tem tudo aquilo que precisa e que ele deve acreditar que tem o necessário para se curar e evoluir.

Pretende-se que ambos fiquem numa manifestação de sensações, falando apenas o necessário. No fim, sem desmistificar a intenção do terapeuta em ambas as partes, os clientes partilharam as suas sensações.

O que podemos concluir deste pequeno exercício é que a posição do terapeuta é fundamental no contacto, e isto inclui o seu corpo e todas as sensações que vai tendo.

Existem clientes mais sensíveis que conseguem perceber a diferença entre o que o terapeuta diz e o que está a sentir e isto pode ser muito complicado para um paciente. Assim, como terapeutas, é importante perceber qual a relação que temos com os nossos pacientes e se não é possível ou se existe uma maior dificuldade na ligação com o nosso cliente, então é importante levar o tema a supervisão.

A ressonância acontece quer queiramos quer não e também não depende de gostarmos ou não de ressoar com o outro. É algo que pode acontecer sem consciência mas se a tivermos podemos aumentar exponencialmente o nível de envolvimento emocional, corporal ou mental. Se por exemplo ressoarmos profundamente com o nosso cliente a nível das imagens, até podemos ver a mesma imagem que o cliente vê.

É importante distinguir entre transferência / contratransferência e ressonância. Para o Professor Gil, a ressonância é sempre uma sensação agradável pois está relacionada com a essência, é algo que ressoa mas que não nos muda, algo que sentimos mas que não nos afecta.

Imagem: http://www.discutindoarelacao.com.br/?p=1536

31 de outubro de 2012

Workshop Extraordinário - “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica” - 1ª Parte

No passado dia 18 de Outubro decorreu no CPSB, um workshop extraordinário, facultado pelo Dr. Gil Arad, professor sénior no Centro de Biossíntese de Israel. O tema deste workshop foi “O Corpo do Terapeuta como Instrumento de Ressonância e leitura das sensações na relação terapêutica.”



O Professor começou o encontro expressando aquilo que podemos encontrar na Biossíntese: uma relação terapêutica profunda. O terapeuta como âncora consegue estar com o cliente sem se deixar inundar, mas também sem se colocar de fora. Desta forma, não nos perdemos como terapeutas mas também não mergulhamos no lado sombrio do paciente. Esticamos a mão e ajudamos o cliente a sair, ao seu ritmo.

Propondo uma viagem pelo sentir, numa viagem não-verbal, pretende-se que o corpo seja um caminho, uma ferramenta. Um exemplo simples poderá ser quando vemos que o cliente se ausenta mentalmente no consultório. Porque não perguntar o que se passou? Onde é que o cliente terá ido naquele momento? Pode até ter sido algo casual, como tratar da roupa, mas pode também ser uma chave para algo mais, pode ser um fio mais solto.

Aquilo que se pretende, tanto no workshop como no consultório, é que se estabeleça um espaço aberto para tudo aquilo que vier, para que se estabeleça um diálogo. Assim, na clínica podem acontecer verdadeiros momentos de magia.

Em relação à cura, o Dr. Gil Arad referiu que a mesma será parte de um processo espontâneo que nós não podemos forçar. Aquilo que podemos fazer é criar as situações ideais para que a cura ocorra, e esta poderá ou não ocorrer. A presença do terapeuta e a sua intenção é um elemento que poderá ajudar e influenciar o processo de cura.

Imagem: http://ilearnmylesson.blogspot.pt/2011/08/o-vento.html

24 de outubro de 2012

Trauma (3ª Parte) – Em terapia

Conforme já referimos, um trauma pode não advir de um evento traumático, mas sim de uma situação fracturante que ocorre de uma forma permanente no tempo e no espaço. Um exemplo deste tipo de trauma poderá ser a falta de atenção dos pais durante vários anos. Aparentemente esta não é uma situação traumática por não existir um único evento traumático. O que existe é uma série de eventos constantes que promovem um trauma.

Tomar consciência desta situação por si só, pode não ser suficiente para a resolver. É necessário incluí-la. E a partir daqui existem algumas formas de lidar terapeuticamente com o trauma.


Considerando que a pessoa pode ficar traumatizada através de um sentido, seja o olhar ou a audição, por exemplo, é importante encontrar qual o sentido que não foi afectado. Na Biossíntese, trabalhando com polaridades, a porta de entrada poderá ser o sentido que não foi afectado.

Na nossa terapêutica acreditamos sempre que existe a possibilidade de recuperar, na medida do que é possível, pois há sempre algo dentro de nós que não está traumatizado.

Refira-se que, quando trabalhamos com alguém com um trauma é fundamental criar um ambiente de segurança e não menosprezar a dor do outro. Se o trauma não estiver relacionado com o olhar, o contacto visual é muito importante e deve ser adequado a cada um. A possibilidade de ser visto pode ser muito afectada numa situação traumática e, desta forma, uma primeira ferramenta poderá ser recuperar a visão e a capacidade de se ser visto.

Um alerta muito importante é o de não tomar a iniciativa de tocar em alguém com um trauma.

Imagem: http://concha-conceicao.blogspot.pt/2009_07_26_archive.html

17 de outubro de 2012

Trauma (2ª Parte)



O sinal do trauma pode surgir no dia seguinte em que ocorre, meses depois ou até mesmo anos depois. Inclusivamente poderão ocorrer episódios de amnésia episódica na qual um individuo se esquece de um episódio traumático. Este tipo de amnésia é uma perda transitória de memória que pode ser posteriormente recuperada.

Em terapia, a catarse pode ser uma ferramenta muito adequada para algumas situações traumáticas, no entanto, facilmente poderá re-traumatizar o paciente ou poderá apenas ocorrer uma descarga sem consciência, o que não promove a sua resolução. Desta forma é necessário ter muito cuidado na forma como lidar com pacientes que nos trazem situações muito traumáticas. Caso estejamos a falar de uma pessoa mais rígida, se for uma pessoa estruturada, a catarse poderá ser uma forma de lidar com o trauma. O mesmo não se poderá dizer de um individuo que esteja num estado pré-psicótico ou que seja considerado um borderline.

Refira-se que é possível sentirmos o trauma como nosso, apesar de não o vivermos. Um exemplo poderá ser o do ataque terrorista em Nova Iorque em 2001, no qual se gera um trauma assistido, no qual vemos o trauma dos outros, transpondo-o para nós.

O alerta que fazemos em Biossíntese é que o terapeuta não deve ficar só no trauma, pois biologicamente, o organismo traumatizado quer avançar, quer ir para o futuro.

Imagem: http://bloconovaera.blogspot.pt/2010/01/estados-de-erudicao-e-absorcao.html

10 de outubro de 2012

Trauma




O trauma é visto em Biossíntese como um atentado à nossa forma. Enquanto numa situação neurótica nós nos conseguimos mover, no trauma há um congelamento que nos imobiliza, psicológica e fisicamente.

Numa situação de trauma não é possível conectarmo-nos com os nossos recursos, as nossas capacidades. Entramos num modo de pânico que parece um buraco negro e no qual nos sentimos perdidos. Por forma a lidar com este pânico que se instala, podemos desenvolver obsessões, compulsões, manias, etc.. Estes comportamentos considerados de mais doentios são formas do indivíduo de manter a sua forma e de obter um ritual que o retire do congelado gerado pelo pânico.

É importante distinguir dois tipos de trauma, um de carácter imediato e outro de carácter prolongado. De facto e normalmente, apenas associamos a palavra trauma a situações agudas e pontuais que ocorrem na vida das pessoas. No entanto, hoje em dia reconhecemos que uma situação que não seja aguda, mas que seja prolongada no tempo pode ser considerada de traumatizante.

Imagem: http://www.actinstitute.org/treinamento/trauma-psicologico-algumas-verdades-simples/

1 de outubro de 2012

Grounding e voz

A garganta está muito relacionada com a nossa raiz, com o nosso Grounding. Uma boa raiz ajuda a garganta a ter expressividade. Se trabalharmos bem o nosso grounding, tanto físico (postural) como psicológico (interno), poderemos expressar melhor a nossa voz, e desta forma, expressarmo-nos melhor connosco e com os outros.


Assim, é possível exteriorizar os nossos pedidos, expressando cada vez melhor as nossas necessidades. O grounding interno também nos permite construir um bom diálogo com o nosso terapeuta interno e estabelecer uma maior conexão connosco.

Relembremos a sabedoria das crianças: quando choram batem o pé enquanto gritam, fazendo valer a sua zanga. Assim vemos a subtil ligação entre os pés, que representam simbolicamente o grounding, e a garganta, formando como que um eixo vertical que nos permite ser e estar no mundo, com tudo aquilo que somos.

Imagem: http://essenciacriativa.blogspot.pt/2011/11/e-preciso-falar.html

26 de setembro de 2012

Relacionamentos


É importante verificar que somos pessoas diferentes ao longo do dia. Somos uma pessoa diferente em casa ou no trabalho. E por vezes somos também diferentes pessoas quando nos relacionamos com os outros.


Numa reflexão profunda podemos questionar o seguinte:

- Quem sou eu para: O meu pai ou a minha mãe; o meu/minha companheiro/a; a minha irmã / o meu irmão; os meus amigos; o meu chefe.

Após tentarmos ver de forma genérica como somos para as pessoas que nos rodeiam e quais as diferenças entre eles, podemos fazer as seguintes questões:

- Como é que isso me afecta?

- Como gostaria que fosse?

- Há alguém para quem sou especial?

Não só somos vulneráveis às nossas mudanças de humor, como também somos em relação aos humores dos outros. Uma pessoa mais animada poderá contagiar o nosso dia, assim como uma pessoa mais triste poderá nos influenciar. Quão vulneráveis somos ao exterior?

Este é um tema que é constantemente trabalhado em aula na Pós-Graduação em Psicoterapia Somática em Biossíntese e é uma importante ferramenta, tanto para o estudante como para o futuro trabalho terapêutico.


Imagem: http://osonhodeumaflauta.blogspot.pt/2010_03_01_archive.html

17 de setembro de 2012

Qualidades de comunicação

No Sounding, actividade terapêutica relacionada com a comunicação, é importante reflectir sobre as qualidades de comunicação que devemos encontrar em nós ou fomentar. Fazemos referência a quatro que são muitas vezes alvo de reflexão na biossíntese:

1) Qualidade de comunicação profunda comigo – Clareza;

2) Qualidade e habilidade para ouvir os outros empaticamente: “eu oiço-me enquanto te oiço”; é uma qualidade muito importante para estabelecer novos vínculos e cuidar já existentes. Quando esta qualidade está em falta ou está mal resolvida, é frequente existir uma situação difícil de fractura;

3) Reflexão: é muito importante observar os nossos monólogos internos e padrões mentais que se estabelecem. É igualmente importante fazê-lo sem crítica e sem luta. No processo terapêutico, é importante refazer este contacto e dar enfase aos monólogos internos.

4) Qualidade da minha voz, que se expressa através da garganta. A garganta é um canal de expressão e a forma como a voz é colocada e a energia que ela transmite, tem uma influência muito grande, tanto no ouvinte como no próprio transmissor.

É importante que façamos uma reflexão sobre a forma como comunicamos com os outros e connosco. Será que quando comunicamos com os outros, quebramos o fio de ligação connosco? Qual o equilíbrio entre o que ouvimos e o que falamos? Conseguimos perceber qual a energia que a nossa voz transmite? Seremos demasiado transparentes através da forma de falar?

Reflectir sobre a nossa qualidade de comunicação revela toda uma série de informação preciosa sobre nós e sobre a nossa ligação com o outro. É igualmente fundamental perceber como comunicamos em diferentes partes da nossa vida (trabalho, família, vida social, relacionamentos próximos) e como por vezes pequenas alterações podem alterar muita coisa.

Imagem: http://www.toptalent.com.br/index.php/2010/07/12/o-profissional-de-comunicacao-de-hoje/

11 de setembro de 2012

Quatro tipos de espelhos

Podem se estabelecer quatro tipos de espelho entre mãe e filho. Em Biossíntese, estes espelhos são verificados na terapêutica do Facing e são os seguintes:


1) Espelho invasivo: A mãe distorce a imagem do bebé através de projecções. Estabelece internamente e para si, como deve ser o bebé através de uma imagem que é criada. Uma situação típica é a imagem de um bebé calmo, a mãe pensa para si que um bom bebé não faz barulho.

2) Espelho depressivo: O bebé procura a mãe naquilo que ela lhe espelha e o reflexo que recebe é vazio. Nesta situação, não existe contacto e poderemos estar perante uma mãe depressiva ou demasiado ocupada.

3) Espelho que reflecte: A mãe reflecte o bem e o mal, sendo um espelho empático, presente. As emoções são assim bem-vindas em ambos os lados e cada uma das partes é aceite pelo que é e não pelo que faz.

4) Espelho que convida: a mãe convida o seu bebé a ser alegre. Estimula o seu desenvolvimento permitindo que o bebé se expresse e investigue o mundo à sua volta.

O tipo de espelho que se estabelece entre a díade irá influenciar determinantemente a forma como o bebé se vai desenvolver assim como a sua forma de se relacionar com os outros, baseando-se neste vínculo primordial que se estabelece com a mãe.

É importante referir que o papel do pai é também de grande importância na vida do bebé, ainda assim, a proximidade da mãe com o bebé através da nutrição e a relação simbiótica que se estabelece, é fulcral no estabelecimento de vínculos futuros.

Olhando para nós e para a nossa história, e com base nestes tipos de espelho, podemos questionar-nos: como foi a nossa relação com a nossa mãe a nível de espelhamento? Se já somos mães, como é que espelhamos, ou espelhámos, a nossa história no nosso bebé? Estas são algumas das questões colocadas na terapêutica em Biossíntese que nos ajudam a compreender formas de relacionamento na idade adulta.

Imagem: http://www.euroferragens.com.br/loja.phtml?f=1&cprod=1540

3 de setembro de 2012

Imagens



Em Biossíntese, consideramos três níveis através dos quais podem surgir as imagens internas:

1) As imagens podem ser usadas de uma forma superficial ou defensiva. O paciente usa as imagens como uma defesa contra a realidade. Neste sentido, a produção de imagens é constante, prevalecendo a perda de contacto com a realidade. O indivíduo perde-se em si mesmo num conjunto de imagens de desejo, sejam elas arquétipas ou de carácter místico. Um exemplo de uma imagem superficial ou defensiva é a visualização de imagens sobre o futuro.

2) As imagens de caráter restritivo são imagens de medo, frequentemente relacionadas com uma situação de trauma. As imagens internas fazem o paciente sofrer e surgem frequentemente através de pesadelos. São imagens que retraem a energia do indivíduo e quando surgem é fundamental intervir através dessas mesmas imagens (quando possível). Uma intervenção possível é a de colocar o paciente a explicar a imagem de uma forma objectiva e lógica. Ao dar lógica, há a possibilidade de retirar intensidade ao seu conteúdo. Através da visualização também existe outra forma de intervir que consiste na capacidade de alterar a imagem ou a história associada, transformando-a em algo melhor e com sentido. Numa maior ligação ao corpo também é possível propor ao paciente que descreva a sua imagem de medo enquanto está de pé, numa posição de controlo. Perspectivando a destotalização, é igualmente plausível pedir ao cliente que dialogue com o corpo, dando a uma parte dele um significado (como por exemplo, se a imagem tem um diabo, colocar esse diabo na mão, corporificando a imagem). Esta última intervenção permite ao paciente usar o corpo na transformação da sua imagem e, consequentemente, da sua história.

3) O paciente poderá ter imagens criativas que derivam da sua essência. São imagens inspiradoras através das quais o paciente se sente em contacto consigo mesmo e que podem surgir através de sonhos ou da meditação. Estas imagens são um recurso que o indivíduo pode usar numa situação neurótica ou num estado mais depressivo.

Refira-se que em Biossíntese trabalhamos as imagens através da terapêutica do Facing, já referida no Blog da Biossíntese e que convidamos a reler.

Imagem: http://www.math.rochester.edu/people/faculty/jnei/FRACTALS.html

27 de agosto de 2012

Deixem-me sonhar a brincar


Hoje pela manhã, espreitei o céu e pairavam no ar, livremente, uns pássaros. Deitado em cima da minha cama estava o Tomás de 8 anos, e eu para não perder uma oportunidade de o ensinar, perguntei-lhe: sabes como se chamam aqueles pássaros? E ele espreitou e ainda ensonado, disse: - são pretos e têm um biquinho laranja? … são melros! 

Pois são, disse eu!

E eu voltei a perguntar: e se fossem todos pretos? Como se chamavam?

E este diálogo poderia continuar sem parar, mas o Tomás já não me respondeu… quando olhei… já tinha saltado da cama e estava a brincar com uns bonecos que ganham vida nas suas mãos… no seu mundo de fantasia, onde todos os pássaros, independentemente, do seu nome, têm lugar…

Ser criança é viver entre a fantasia e a realidade, onde os dois mundos são a integração do seu ser, do seu pensar, da sua história… onde elabora o que se passa nas suas vivências e nos seus desejos.

Um dia, um pai perguntou-me, falando da sua filha de 6 anos: - acha normal, ela querer ser princesa, neste mundo tão competitivo? Ela tem que desejar ser médica ou…

Para que as crianças possam crescer saudáveis e um dia serem adultos equilibrados, é fundamental brincarem e incorporarem as suas fantasias, para que aos poucos se possam ir adequando ao mundo.

Brincar é primordial e é o alicerce, até que aos poucos a fantasia vai dando lugar à realidade, aos sonhos e aos objectivos que queremos alcançar. 

Ficam algumas ideias para brincarem com as crianças à vossa volta. 


Actividades ao ar livre:
·         Andar de bicicleta
·         Trotineta
·         Patins
·         Jogar à bola
·         Fazer corridas
·         Lançar papagaios de papel…

Fazerem um bolo juntos, no qual possa partir os ovos, barrar a forma, ler quais os ingredientes necessários, preparar o cenário para se sentirem uns verdadeiros pasteleiros.
  
Fazerem jogos que sejam do vosso agrado. (Mikado, Monopoly, cartas, Uno, Galo, Forca, Batalha Naval e outros).

Se preferirem, passem algum tempo a fazerem trabalhos manuais: pintura em madeira, pirogravura, picotagem, dobragens em papel, esmirna e outras.
 
Quando um adulto brinca está a cuidar da sua criança interior… Observe-se e sinta-se… Olhe para a alegria que as crianças mostram quando brincam!!!

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo” disse Fernando Pessoa

Cristina Santos, Psicologa e Psicoterapeuta

Imagem: http://chefcarolinacosta.blogspot.pt/2011/01/palitinhos-apimentados-das-minhas.html