10 de novembro de 2010

Sonhos (mundo onírico)

Neste workshop aberto de Biossíntese, o tema foram os Sonhos: como nos organizamos, as nossas armadilhas internas, como podemos trabalhar psico-somaticamente. No final todos podem levar ferramentas e insights importantes para o nosso caminho pessoal.

O inconsciente transforma num filme: o sonho onírico, quando vou dormir, REM (Rapid movement eye). Está provado que se não se sonha o cérebro morre. Sonha-se com o corpo em movimento: se sonho que estou triste choro no sonho e o corpo também, raiva também, o corpo está sempre envolvido.

Tenho várias fases durante o sono, numa noite completa são 5: durmo, sonho, durmo, sonho, durmo. Há quem vá menos profundamente e dá-se conta de que está a sonhar, fica à superfície, dá conta da agitação. E há pessoas que são como pedras e não se recordam.

Consciente e inconsciente por vezes dançam, há interferência. Interessante é entender como me afecta, como costumo sonhar. Há pessoas sonhos incompletos e pessoas com sonhos recorrentes com cobras, da infância, com guerras, etc.

Para quem não se lembra, mas deseja lembrar-se, há uma técnica muito simples: acordar a meio do sono e anotar.

Para que serve sonhar?
- Libertar tensões, reset, cura cósmica, projectar situações… - Muitas foram as respostas dos participantes neste workshop.

Sonhar serve para muitas coisas: desejos encerrados; resolver o que não deu para resolver e assim fazemo-lo de forma simbólica; resolver o que está no inconsciente… Dentro do inconsciente também há censura. Por ex. durante o dia tenho um susto e fiquei com vontade de ser violento com o meu chefe porque me fez algo, mas não o vou matar, então, se tenho vontade de estoirar, mas o meu consciente diz-me: “não podes matar, não é bom!”, mas a energia assassina, de frustração, fica nas vísceras, fica por vezes semanas, e o inconsciente descarrega um pouco aquilo. O corpo está sempre a tentar ajudar na situação que lhe trago. Quando vou dormir, conforme seja mais ou menos criativo, o cérebro vai tentar reorganizar, e sonho por exemplo, que sou cavaleiro medieval e mato o outro com lança e o meu super ego diz-me “sim no torneio o código esperado é matar, por isso pode-se”, no fim do sonho, se me liberou o suficiente pode ser que fique com carga um pouco menor.

Maria del Mar conta-nos um exemplo: “Tive uma paciente que sonhou que tinha uma lança no peito e ao tentarmos juntas encontrar a forma de interpretar, chegou-se à conclusão de que podia ser uma mensagem importante do corpo e que ela podia estar doente. Foi fazer exames e descobriu que tinha cancro em estado inicial e felizmente com essa descoberta atempada pôde cuidar disso. A todo o momento o nosso corpo, o nosso inconsciente, tentam resolver e dão-nos alertas”

Quando sonhamos que estamos cair, gritar, cair os dentes… são coisas do arquétipo. Há coisas que sabemos que têm significado, cair é morte, insegurança, falta de raiz… Jung trabalha muito bem este tema.

O sonho por vezes serve de descarga, outras de confirmação, de aviso, de resolução. O sonho tem tudo o que tem o ser humano, os nossos sonhos são como o nosso eu.

Os sonhos de pessoas que perderam alguém vai evoluindo, a nossa tendência em todas as dimensões é ter um princípio meio e fim. Não é por acaso que atraímos o mesmo tipo de pessoa, são padrões e possibilidades de fechar algo, os campos de intenção são muito importantes.

O que temos de descobrir é qual a intenção dos meus sonhos, são sempre ferramentas para aprender a viver melhor. Ir dormir com um propósito e descansar sobre isso é óptimo. Os nossos melhores insights, ou a maior parte deles, são em estado alterado da consciência.

As chaves de interpretação do meu sonho têm sempre a ver comigo, sendo algumas arquétipos. Muito importante é ter consciência de que divagar muito estraga o significado.

Quando o sonho acontece a função é sempre ajudar, confirmar, pode ser que eu não tenha capacidade de o fazer, tenha medo, mas o movimento pode estar na intenção, uma coisa é entendimento outra digestão e movimento disso. Há pessoas que fazem mas não têm ideia do que estão a fazer, outras que entendem mas não sentem e não fazem.

Mesmo que a gente não saiba como acaba o sonho temos de ir pela lógica, aqui o inconsciente queria que saísses dali, ninguém com gatos a morder-lhe fica quieto e sentado no seu sítio por muito formal que seja.

Para compreender a dinâmica do meu sonho preciso entender que elementos do sonho me afectam. Por exemplo o meu pai maltratou-me, ele já não é vivo, mas quando conto isso no consultório eu emociono-me, tal e qual no sonho quando conto o sonho, ele tem emoção. Aqui, holísticamente, é que me dei conta dos elementos, como os construo, como o corpo esteve envolvido e como há movimento ou não nos sonhos. Às vezes temos sonhos com impotência: caio no abismo, no vazio, no chão.

Há memórias falsas de coisas difíceis, e há dificuldade de ver o real e não real. E então há amneses emocionais. Há pessoas que não têm memória disponível, é selectiva e fazem aparente reset.

Image by Alison Haltenhof
O meu sonho está carregado de simbolismo e posso entender, fazer o link com a vida de hoje.
O “truque”, é além da imagem, saber em que lugar do corpo me está a afectar e depois ir ver de onde (do passado) é que eu conheço isso? Não há nada nos sonhos que não tenha sido já vivido em termos de sensação. Enquanto me está a acontecer é real.

Uma das necessidades básicas, expressas na pirâmide de Maslow, para além da alimentação, sonhar, prazer, ter regularmente satisfação aos níveis mais primários, é sentir que estou a cuidar de mim.

O sonho é um estado alterado de consciência, as ondas cerebrais são diferentes.
Quando trabalhamos imagens, percepções, o mundo onírico (Tema “facing” na Biossíntese) trabalhamos com o sexto campo, o chamado terceiro olho ou glândula pineal, um lugar que se estimula e funciona como foco. É lugar da criatividade, e ponto principal. O seu chacra irmão é o segundo campo, ou hara, dois dedos por baixo do umbigo, é onde estão necessidade e medos mais primitivos.

Meditar e colocar a questão:
- O que preciso de cuidar em mim? O que estou a precisar?/ Como?
A resposta a esta questão “Como?”, pode não surgir na meditação, pode até surgir em sonhos
A meditação é uma ferramenta muito poderosa para trabalhar vários aspectos de mim, ela vai além do ego e pode-me devolver respostas. Há muitas técnicas mas todas elas querem devolver algo que já esquecemos. Quando ficamos extasiados, quando tomamos banho, quando vemos algo belo na natureza, etc., deixo o meu ser estar em contacto com algo que me inunda de forma saudável e desprovida do que me intoxica, entro em contacto comigo.