9 de novembro de 2010

Sexualidade

Sem sexualidade não haveria vida. Há um encontro de duas partes que se complementam e possibilitaram que estejamos aqui.

Tudo o que nos devolve o prazer move-nos para algo, coloca paixão. Ficamos com olhar mais límpido, imunologia melhor, coisas mais saudáveis, é uma forma de estar em harmonia, entregamo-nos mais facilmente ao que nos dá paixão. Não é só sexualidade. Falamos em Biossíntese de “Charging”. A pessoa excitável é a que se excita com as coisas da vida, um filme, uma cor, uma paisagem, etc., coisas que nos fazem ficar “fora do sítio”, quem fica a toda hora assim tem “Charging” a mais. É bom compreender a conexão com a minha carga e foi o que desenvolveu toda a psicoterapia corporal. A maior parte das pessoas com neuroses tem dificuldade com o erótico (neurose significa falta de eros, matar o erótico).

A Biossíntese é uma integração de vida, trabalha para além do ego, com a parte espiritual, imunologia, neurologia, e todas as dimensões do ser humano, sem tocar na parte fragmentada. David Boadella aprofunda todos esses temas para encontrar a porta de entrada sem ir directamente ao ponto de chegada que é a dificuldade onde a pessoa está, seja a que for. Há visão inovadora e forma de aproximação que promove o contacto da pessoa com o seu self, e um contacto de vínculo de coração com o outro que diz: “Eu vejo-te.” O movimento tem de se profundo, não é só técnica e o terapeuta tem de saber fazer contacto.

Temos lugar único onde o terapeuta quer aceder, aquele lugar é o lugar em que eu sou eu. A terapia é derreter (não quebrar como outras correntes) o que foram as camadas que coloquei para me defender do mundo.

Falamos também de corpo (incluímos o corpo, ou seja não trabalhamos só corpo, mas sim: trabalhamos também o corpo).

Em termos de sexualidade, observando a nossa “Raiz” (primeiro campo energético): quando tenho carga e uma sexualidade saudável canso-me menos, tenho maior capacidade de arranque para fazer algo e relaxar quando isso é conquistado, como uma curva, como o orgasmo. Uma pessoa muito encouraçada, pode ter vários quistos, tumores, pois tem energia acumulada, não expandida. Se a energia não se mexe, não se move ela não desaparece e se não é liberada, vai para intestinos, para o coração, para a pele, hérnias, etc.

Um corpo saudável tem fluxo saudável move-se harmoniosamente, expressa-se. Uma das coisas que se trabalha em Biossíntese é a observação do movimento. O rio não se empurra: se quero que a pessoa fique mais vital, para uma pessoa gritar deixa-a mais vital mas para outra pessoa pode ser o oposto. Há pessoas para quem pode ser bom mas para outros é mais traumatizante. O que é bom para uma pessoa pode ser veneno para outra.

No segundo centro energético ou hara está a memória de nascimento, o umbigo e a conexão com o mundo, as coisas viscerais sentem-se nas vísceras. Em termos de sexualidade, para as pessoas que têm distúrbio, nesta zona vem a cor preta na meditação. Com maior maturidade conseguimos ver a utilidade da meditação. Neste centro energético podemos observar que carga temos disponível e restabelecer o fluxo.

O terceiro centro, o plexo solar, trabalha o pânico, os limites e o território, do corpo e que ocupo e como digo sim e não. Qual é o meu espaço e qual o espaço do outro. Trabalho o invasor e o invadido. Quando acho que estou a ser invadido tenho poucas fronteiras, e quanto tenho muitas invado mais o outro. Dor aqui é o botão de alerta.

O quarto centro, o coração, tem a ver com dar e receber, entrega, abraço. É fácil receber e abraçar? Entregar-se ao outro? O corpo aprende a entregar-se se confia, o coração tem de estar envolvido. Não quer dizer que a sexualidade não seja boa se não dou de coração, quem não é tão romântico e tem amigos coloridos pode ter um bom acordo, é diferente do coração. Logicamente quando há boa união sexual há boa entrega e quando o coração vai junto há “revolução interna”, é muito bom. Há quem entregue o corpo mas não o coração, e tenha dores muito grande a nível de bloqueios. Por isso a união da sexualidade com o coração é importante, há pessoas encouraçadas no cardíaco. Trabalhamos vínculos primários com a família, depois com os outros.

No quinto centro, a garganta, encontro a expressão das emoções e das minhas crenças. Às vezes não é fácil colocar em palavras. Garganta e boca é o primeiro órgão sexual. Antes de sermos sexuais somos eróticos, o prazer vem da boca. O bebé já é erótico, fica babado a tocar algo que ele gosta, como o corpo que recebe toque, alimentado com carinho e ternura. Agora imaginemos bebé que é olhado como estorvo, ou alimentado para que deixe de chorar, esse primeiro contacto com lado erótico do prazer é perturbado, então isso que ele quer tanto não é alimentado, assim, digere dificilmente a comida ou fica assustado. Começa no corpo a relação com o self e com o mundo o que me rodeia. E como bebé não se apercebe, coloca tudo na boca pois é por aí que tem contacto com o mundo.

No sexto centro, o terceiro olho, a glândula pineal, tem a ver com capacidade de sublimação, imagens internas, visualização. A nossa própria auto imagem vai-se construir no meu interior e pode ajudar com a entrega ao outro.

Mais de 60% das mulheres não tem orgasmo. Há mulheres que têm vergonha de ser tocadas, nas mensagens internas nessa minha imagem eu posso ficar com bloqueio, como não me olho de forma saudável não posso imaginar que o outro o faça, então colapso. Na sexualidade, as mulheres precisam emocionar-se para se excitarem, e homens precisam de olhar para se excitarem, a visualização deles, na sexualidade, é mais activa do que a das mulheres. No tantra, a filosofia é o toque do corpo, sem recorrer à imaginação, no presente, deixando que a excitação vá carregando o corpo até chegar ao clímax, aumentar a carga e usufruir, longe da imaginação que é mais domínio do neurótico. Quantas mulheres têm imagem castrante da mãe que diz que aquilo é pecado, sujo e complicado? A imagem da sexualidade fica massacrada. Como o conceito de que o homem não é muito viril se não tem pénis grande. Tudo é manipulação, todo o mundo tem de ser assim, como a modelo no anúncio do sumo de tomate.

Quando é natural e acompanho o rio fica mais fácil de me entregar.

Encontrar pessoas com o mesmo ritmo é difícil, sintonia tem a ver com energia, com estrutura do corpo, com imagens, todos esses centros, o vínculo cardíaco, o impulso romântico e a zona das imagens sexuais, a forma como me entrego, o ritmo de cada um…

Sexualidade não satisfatória não é só falta de orgasmo. Há muitas relações sem excitação necessária, pessoas que não gostam como a outra lhe toca. Há pessoas muito genitais vs muito românticas. Ou quimicamente a coisa resulta e a sexualidade encaixa.

Há mulheres que só têm orgasmo na masturbação que é algo mais clitoriano e com a penetração não sentem nada, há coisas que ficam disfuncionais, o corpo vai fechando, tudo isso acontece a vários níveis.

Quando pessoa inspira quantidade de ar igual à que expira, é mais apto a recuperar sexualidade ou a ter sexualidade saudável. Inspirar grande quantidade de ar e expirar a mesma quantidade de ar, às vezes é o suficiente para sentir a nossa carga e descarga, é obvio que durante a sexualidade a respiração altera.

Porque “charging” está relacionado com a forma como vivo, como me excito na minha vida, como relaxo, como me relaciono com algo muito bom, parece que não tem relação mas tem muito.

As mulheres quando têm orgasmos fortes perdem a consciência momentaneamente.

Curva da relação sexual:

1) Praia de chegada e do jogo erótico, é o inicio. Começa muitas vezes pela visualização. Há pessoas que ficam muito tempo aqui.
2) Há pessoas que estão sempre na subida, dá adrenalina, sempre à procura de algo, que não chegam ao orgasmo, há subida e descida a pique enorme. Não chegam ao clímax. Há frustração.
3) Pico, clímax, realização
4) Descida gradual, curtir o presente, relaxar.

Assemelha-se à onda do mar: quão longa tem de ser a minha praia? Como é a subida da onda? Como é que a sinto no meu corpo e como é que relaxo quando a vivenciei? Há quem passe de uma onda para outra, sem existir na verdade descarga. E há mulheres que choram no final, de angústia, como se tivesse acabado perfeição, ficam esvaziadas como no pós-parto.

Quando falamos de onda e de orgasmo e de excitabilidade, estamos a olhar para esse nosso eu para vermos como está a nossa curva, como é a nossa subida, o nosso clímax, como é a descida.

O que não é saudável: muito tempo na praia, demasiado tempo na subida, fazer toda a curva até ao clímax mas deprimir na queda, no relax.

Olhando para a curva devemos ver onde está o mais difícil. A praia? Baixa libido? Romântica que acha que estraga tudo com o coito? Ou subida que fecham muito o orgasmo?

Há muitos homens que não sabem que têm ejaculação precoce. Corpo treina-se mas envolve tudo, não é só mecânico.

É bom apercebermo-nos que somos um tipo de pessoa para outro tipo de pessoa e não para todos.

A energia vital, sexual, criativa, vitalizante não é na cabeça, é aqui e agora, estou cá com o que está, se vivermos aquele momento como ele é, com aquela pessoa, a 100%.