8 de novembro de 2010

Mais sobre a Biossíntese

Na Biossíntese fala-se também de Centros Energéticos ou chacras, que são portas de entrada e de saída do corpo, somáticas e energeticamente. Estes centros localizados em pontos-chave, têm glândulas que pulsam. O tempo todo o corpo faz contracção e expansão. Fazemos constantemente este movimento: fica perto/ ficar longe.


Então vemos como é a nossa raiz do concreto, a nossa defesa no território, como vincula o coração, capacidade de expressão, capacidade de sublimar, etc. E quando estamos bem, o eixo está vertical, e no topo fica uma “fractura” natural e saudável que me conecta ao todo (o chacra da coroa), que me conecta mais além do aqui e agora. Usamos muito pouco da capacidade não cerebral, ela é prolongação do eu, a cabeça não é tudo. Temos uma espécie de radar e podemos estimulá-lo. Quando nos conectamos com consciência e deixamos abrir canal essencial, sentimos muito mais, ficamos com clareza mental e de entendimento, com o que é o mundo. O que acontece, quando não se tem raiz e abrimos esta zona, é que a pessoa não entende e se não há cuidado pode psicotizar. Por isso, quando a pessoa está muito lá em cima, se não está a ser possível estar em harmonia, temos de a trazer mais para baixo, para o aqui e agora. David ensina onde tenho de levar a pessoa. Há pessoas muito mentais que precisam de ir mais para a emoção, outras que são um vulcão emocional que precisam de usar um filtro, outras que temos de levar para o movimento, a acção.

Sou muito cabeça? Muito coração? Muito activo? Levo muito ou pouco para dentro de mim? O meu corpo é rígido? O interessante é esse novo olhar para nós próprios, como nos construímos.

O corpo diz muitas coisas: por exemplo a pessoa com problemas de contacto desenvolve problemas de pele (Nota importante: nada é linear, nem toda a gente que tem problemas de pele tem problemas de contacto. É importante a observação de cada situação e cada pessoa em particular. Falamos de generalizações.). A linguagem verbal por vezes é a menos clara, e há linguagem que confirma o que se passa comigo: a do meu corpo. Uma possibilidade é haver uma história de mau toque, não é obrigatório que seja assim, mas é possível ter problemas de pele, urticária de contacto.

Problemas de engolir sapos ou não deixar sair a necessidade de expressão, rompe as vísceras, e eu acho que não posso falar, porque não vai ser entendido ou o que seja. A energia não se destrói, em vez de explodir implode. No Síndroma de Crown, perguntamos “quantos sapos estão na tua vida?” E as pessoas até fazem listagem. Quando algo fica demasiado, fica entupido, há falta de fluidez porque fica algo a mais. Há autor que é Hamer, médico que teve cancro pela morte de filho e que descobriu, pelo próprio processo, que é a expressão de algo, a tentativa das células irem todas para aquele lugar para curar aquele órgão. Precisamos de levar para lá algo que diminua a pressão.

Temos dentro de nós (quando estamos estruturados, em harmonia) as defesas que precisamos, se não o meu corpo diz “chega!” e se continuar nesta angústia o corpo vai cada vez gritar mais por mim, e se continuo… “vou embora”, porque não posso continuar.

O fluxo (os artistas deixam sair e fluir as suas neuroses através das suas obras)… entender que o corpo é tudo e tudo o que tem vivido me interessa, como dorme, como se relaciona, como foi sonhado, de que família vem, como sonha, como se alimenta, como se move, etc.

David Boadella fala muito de alma, espírito, essa encarnação, esse ser que leva esse impacto, essa anima, leva o milagre da vida e a possibilidade de se conectar com tudo o que o rodeia.

Ressonância é além da empatia, o terapeuta recebe e trabalha recebendo a alma do outro, no campo mórfico. David trabalha na expansão de todo o meu eu, em que corpo e alma dançam. Todo o ser humano nasce com todas as capacidades. O que tentamos é derreter as camadas defensivas para poder emergir o que eu sou, a essência.


A Biossíntese assenta teoria na embriologia: camada endodérmica regula emoções, para a acção temos mesodérmica e depois sistema nervoso central, cabeça.

A proposta da Biossíntese não é fazer diagnóstico, David não queria fazer diagnóstico mas sim fazer o encontro com o corpo.

Ler livros de auto ajuda, em teoria o que sabemos é muito velho e o conhecimento está lá, mas a forma de integrar isso… Muitas pessoas na procura de um caminho entopem-se de livros, e de cursos, mas a integração do que me faz saber, esperar, sentir, faz vibrar quando estou com o outro, saborear as coisas… isso não se aprende lendo. Até que experiencie dentro de mim não tem verdadeiro impacto, mesmo que o que aprendo ou leio faça sentido. Posso ir a gurus.. mas a noticia é: não há gurus, há pessoas muito interessantes. Há um guru sim, interno. E o guru fora só me vai confirmar.

Vemos o transferencial e o contra transferencial. Como lhe afecta. Se isto não é cuidado a pessoa vai ter exposição e fractura quando lhe aparece algo.

No conceito da Biossíntese INCLUO todas as minhas partes, sei INTEGRAR. Tenho raiva, mas não chuto, integro e tenho parte de mim serena, e ao mesmo tempo poso ter fome, preocupação, tudo pode estar presente. Quando mais se trabalhar mais fácil é colocar-se à frente de alguém e saber cuidar do outro e de si mesmo.

Há psicoterapeutas da corrente cognitivo comportamental que só pelo calor humano que têm, pelo coração, conseguem chegar à cura. O que cura é o vínculo, o afecto pelo outro, tenho de estar apaixonada pela pessoa, tenho de olhar, a pessoa tem de ser vista, tenho de estar inteiro, a partir daí já posso usar técnicas que tenho disponíveis. O estar de alma com o outro é o princípio de todo este trabalho.

A Biossíntese é uma forma de estar comigo, com vizinho, com o trabalho, a sexualidade, os amigos, o parceiro, os filhos, o dinheiro, etc. Mais do que uma Escola, o que David Boadella propõe é forma de olhar para a vida.