11 de agosto de 2010

Quero

Photo by Danilety blogger
Quero que me oiças sem me julgares.
Quero que opines, sem me aconselhares.
Quero que confies em mim, sem exigires de mim
Quero que me ajudes, sem tentares decidir por mim
Quero que me cuides, sem anular-me
Quero que me olhes, sem projectares as tuas coisas em mim.
Quero que me abraces, sem me sufocar.
Quero que me encorajes, sem me empurrar
Quero que me apoies, sem tomar conta de mim.
Quero que me protejas, sem mentiras.
Quero que te aproximes, sem invadir-me.
Quero que conheças as minhas coisas de que menos gostas,
que as aceites e não as pretendas mudar.
Quero que saibas, que hoje,
pelo menos hoje, podes contar comigo.
Sem condições.
(Jorge Bucay)

Jorge Bucay é argentino, terapeuta gestáltico e escritor, residente em Espanha. Auto de muitos livros, dá conferências em todo o mundo, palestras em Universidades, entrevistas vistas por milhares de pessoas e publica ainda artigos conceituados.
Nesta entrevista, em “Ratones Coloraos”, sobre o tema relacional e o casal, Bucay fala-nos de como é o amor sem condições e dá-nos algumas pistas sobre a felicidade e a vida. Uma forma de ver que tem muito a ver com a Biossíntese.

Vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=OCF0m9BCixk&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=dZJiJt5VAP8&feature=player_embedded



Algumas frases da entrevista:
Já não ouvimos o que o outro diz, só julgamos.
O meu pai sempre perguntava: “Para que me pedes conselhos se depois fazes o que queres?”E eu respondia “Peço conselhos para saber o que quero".
Confiança é uma entrega, que não tem a ver com exigência. A confiança é um dos 3 pilares principais que, se não existe, não existe casal.
Cuidar o outro não é não o deixar fazer, é permitir que ele explore, como a mãe que deixa a criança brincar e trepar às árvores, mesmo sabendo que pode cair.
Sem me empurrar: no momento em que eu queria, em que eu posso, da forma que eu decido.
Que loucura é esta das mentiras piedosas, são mentiras! A única piedade é a do mentiroso que não tem coragem de dizer a verdade.
O tema dos limites é muito importante, nós acreditamos que se nos amamos não tenho de colocar limites e não há espaços privados. Isso é um erro. Há espaços que são só meus, em que para entrar tem de se pedir permissão

Algumas perguntas e respostas:
- Porque custa tanto ser felizes?
-(JB) Sabes o que significa ser feliz?
- …Sim… em momentos pontuais. É um estado de plenitude absoluto, comigo mesma, sentir-me plena e conforme comigo
- (JB) Quem sabe se nos custa ser felizes por isso? Porque cremos que a felicidade é estar alegre e contente, passar bem, rir. (…) Se eu puder dar-me conta que ser feliz é estar sereno, quando se vê esse caminho é mais fácil. Mas esperamos tanto da felicidade que é impossível. A felicidade é algo que se passa da pele para dentro e não de fora para dentro. Não deixes de ocupar-te disso, a felicidade não é um direito é uma obrigação
- Mas o que se passa fora tem muito a ver não?
- (JB) Não. A forma como vês é que tem a ver. (…) Madre Teresa de Calcutá dizia que os seus pobres não tinham consciência do quanto eram pobres e no entanto a povoação onde viviam chamava-se Alegria…
- Qual o grande inimigo da felicidade?
- (JB) Há vários, mas vou enumerar três: medo, vergonha e culpa
- (…) Mas sempre tentamos imitar o outro… porquê? Porque nos custa tanto ser como somos?
- (JB) Tens filhos?... Não?... Imagina que um dia tens um filho a que queres muito e queres protegê-lo de todo o mal, e sabes que o mundo tem gente difícil e complicada, então vais ensinar-lhe tudo para que ele seja aceite: lavar as mãos, escrever com a mão direita quando na sua natureza escreveria com a esquerda, não dizer o que pensa, não se vestir como gostaria… então ele cresce neste contexto. E um dia chegas à TV e perguntas porque nos custa tanto ser como somos?
- Qual o grande inimigo do amor?
- (JB) Medo, vergonha e culpa
- Mas porque nos sentimos culpados de quase tudo? Onde nasce?
- (JB) Nem toda a gente se sente culpada de tudo… Em parte pelas coisas que aprendemos... a culpa é uma exigência projectada no outro. Detrás de cada” culposo” há um exigente, quanto mais exigente mais culposo. Deixa de ser exigente e a culpa passa.
- O que posso fazer para desfrutar mais da vida?
- (JB) a verdade é que o que para desfrutar da vida não tem de se fazer nada. O que tenho de fazer para o carro avançar? Nada. Deixa de apertar o travão, deixar ir. A cabeça pode dar-te muita eficiência mas não mais felicidade.
- Todos temos os mesmos medos, em cada homem todos os homens e em cada mulher todas as mulheres…