5 de dezembro de 2010

A raiva e o ódio

16 de Dezembro de 2010
“A Raiva e o Ódio”
Workshop Aberto de divulgação em Biossíntese
O ser humano tem a possibilidade de se conectar com a sua luz essencial e verdadeira mas precisa reconhecer também o seu lado "sombra e escuro" e aprender a dialogar com ele.

A raiva e o ódio são sentimentos que estão em todos nós, seja de forma intelectualizada, seja vivido visceralmente. A expressão destes sentimentos tanto pode ser a agressividade expressa e visível, como pode ser submersa e transformar-se em algo que nos "envenena", podendo mesmo adoecer-nos.

Negar, ignorar ou engolir, em vez de incluir, reconhecer e expressar adequadamente, leva-nos a um estado de desequilíbrio, podendo contaminar as diferentes áreas da nossa vida. 

Excessiva explosão versus excessiva passividade, são dois lados de um desequilíbrio na inclusão saudável destes sentimentos.

Realizaremos um trabalho teórico vivencial para reconhecer os nossos mecanismos de expressão-repressão da raiva e odio de cada um, abrindo a possibilidade para a sua libertação saudável, inclusão, autorregulação e diálogo interno.
  
Atrevem-se?

Professora: Dra. Maria  del Mar Cervantes, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese e Directora do C.P.S.B.  

Dia: 16 de Novembro de 2010 (quinta-feira)    
Local: CPSB - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq.
Horário: 18h30 às 22h00
Preço: 5,00€ Associados C.P.S.B. / 10,00€ Não Associados C.P.S.B.
Vagas limitadas
Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com   

Relacionamentos

A temática está sempre presente na nossa vida. No contacto com os outros, seja nas relações familiares, íntimas ou profissionais. Os relacionamentos são um tema muito vasto para desenvolver só em algumas horas.

A proposta é, se for possível, olhar para o outro além da máscara, da neurose, do susto que me dá, o que é difícil. A vida tem encontros e desencontros.
As nossas primeiras relações são o nosso código. O que nos faz ficar fechados naquela época foi válido só para aquela época. Entretanto é bom entregar-me a algo, mas se respondo da mesma forma como no passado a outra pessoa não vai entender e vai embora… A imagem interna da minha mágoa é muito maior do que os lados funcionais. Dormir muito, por exemplo, é uma forma de “ir embora”.

David Boadella, o criador da Biossíntese, propõe trabalhar a pessoa do lado saudável. Ele diz: “Uma grama de contacto é muito mais importante que uma tonelada de energia”. Se não há contacto profundo de alma, e a pessoa não é vista, respeitada e amada, ela não entende o que está a fazer.

Todos passámos pelo nascimento e crescimento físico, estamos cá. O crescimento psicológico demora a vida inteira, dou-me conta de como sou, desenvolvo o meu eu. Quanto mais contacto profundo tenho mais fácil me é estar no mundo. Quando chego a um estado mais saudável, chega naturalmente o crescimento espiritual, além do estar aqui e agora. Quando é feito prematuramente perco-me “lá”, sem raiz “cá”, e depois não cumpro as coisas normais de vínculo, coisas básicas como lidar com o tempo, o dinheiro, e todas as coisas do contacto com o real.

As relações envolvem sempre duas partes. Como é isto de me aproximar de alguém e de me afastar? O casal é sempre uma tríade: EU sou eu, tenho de ter o meu mundo individual, o OUTRO é ele, que tem de ter o seu mundo individual, e soma-se a isto a parte em que nos juntamos. Há uma história comum, há uma parte que posso partilhar se eu quiser, mas em que o outro não tem a ver comigo. Quando isto não é respeitado eu sinto-me invadido.

É difícil explicar a alguém muito passional ou possessivo que o marido ou a mulher precisa de tempo para ele/ela, que há coisas que só lhe servem individualmente, mas que tudo o que de bom me acontece vai-me servir a mim e vou levar essa energia comigo, também para o casal. Às vezes é o contrário, a pessoa tem esse lado individual muito desenvolvido e fica difícil ficar junto. Mas o processo de vínculo pode ser muito ajudado com terapia e desenvolvimento pessoal.

Deturpações: simbioses, relações patológicas, problemas de limites, relações destrutivas, equilíbrio entre estar junto ou separado. O ciúme, por exemplo, do território que não domino - como se, controlando, o outro ficasse com a ideia de que é meu, é patológico.Nas relações patológicas as pessoas confundem intensidade com qualidade, se é muito intenso a minha relação é muito fogo, mas não me nutre.

Quando falamos de vínculo temos de observar a existência de situações que o podem dificultar:
- Troca de lugares: masculino com feminino (por exemplo: a mulher domina parte estrutural, raízes e decisões, tem lugar determinadamente masculino)
- Imagens internas. Por exemplo do príncipe encantado ou da mulher encantada, de que alguém me vai salvar. Isso pensa tanto o homem como a mulher: que vou encontrar alguém que me vai dar o que não tenho, ou como espero que alguém vá mudar. Coloco expectativa em vez de me relacionar com o real e o presente na aceitação, na integração e na inclusão da imperfeição do outro. Claro que se o outro é muito dissonante do meu eu, eu não tenho que forçar nada, porque uma relação quando é saudável flui (o rio não se empurra), na realidade é uma dança, em que temos coisas para ajustar como os passos de uma dança.
David Boadella diz que a terapia na Biossíntese é uma dança entre o que faço, sinto e penso. A dança para recuperar essa harmonia no meu Eu, no meu corpo, que me faz estar mais em harmonia comigo e com os outros. Quando eu fico encurralado nas minhas expectativas e ilusões eu não vejo a outra pessoa, eu estou a ver um projecto de algo que um dia vou querer, não me estou a vincular com a pessoa e logicamente ao fazer isso também não me estou a vincular comigo, porque eu projecto no outro uma necessidade de ser outra coisa que eu próprio também não sou.
- Padrões familiares como referência. Quantas vezes digo que o meu pai e mãe “foram sempre assim”, então repito o padrão, foi assim que aprendi, é o registo que trago dos meus pais. Quando bebemos uma cultura, uma imagem, temos tendência a repetir umas vezes consciente e outras inconscientemente.
- Cordão umbilical “não cortado”. Imaginem um homem e mulher que se juntam e num deles, um pé fica na família de origem e o outro pé na nova, e quando se passa algo que abana a relação ele/ela retrai e coloca os dois pés na família de origem. É interessante compreender como me desvinculo saudavelmente da minha família de origem, o que às vezes não é fácil, ou porque eu não tenho ainda algumas coisas resolvidas ou porque a família de origem me diz que nunca estarei tão bem como ali. Muitas vezes os pais metem-se, acham que, com todo o carinho do mundo, são preocupados e não se acham invasores. Muitas vezes estes pais não tiveram relações nutritivas e como tal nutrem-se dos filhos mais do que nutrir-se com as coisas deles, novamente voltamos a essa coisa de triângulo que se baseia no facto de eu precisar de um eu individual suficientemente nutrido para poder estar com os outros.

SEXUALIDADE
É incrível a quantidade de disfunções que se encontram, tanto no homem como na mulher. Por vezes a relação sexual funciona mas o ritmo não é adequado, a libido não é adequada, a excitabilidade não é adequada, por vezes é muito difícil encontrar um parceiro compatível, como os ritmos são diferentes é preciso fazer certo trabalho, porque o corpo do outro é outro Universo.
O vínculo é uma coisa, o coração é outra, mas a sexualidade é uma outra coisa diferente do coração, se acontecer juntamente com o coração é muito melhor, mas pode-se ter sexualidade fantástica com alguém que não se ama e má com alguém que se ama. Eu posso permitir-me ou não, mas o meu corpo tem todas as dimensões. Claro que se coloco tudo a funcionar é uma explosão dos sentidos, por isso o tantra diz que é algo sagrado, e é. Aliás sem sexualidade ninguém estaria cá, não será suficientemente para imaginarmos que é algo muito interessante?

Temas para observar no casal, relativamente à sexualidade:
- Viver o prazer /não viver o prazer
- Cansaço
- Desinteresse
- Crenças (estragam muitas vezes por não ter nutrido isso, por não poder falar abertamente, para muitos casais é um assunto tabu que afecta muito as relações)
- Ritmos
- Comunicação

O CASAL EM CRISE – observar:
- Território – limites
- Crescimento em linhas diferentes
- Comunicação confusa. Por vezes fica difícil falar de afectos, a pessoa muito rígida em vez de dizer “estou triste não quero que vás embora”, usa o orgulho e manda o outro embora, porque fico só na máscara, no que é aparente. O outro normalmente não me vê através da máscara e por vezes estou triste e mostro raiva.
- Raivas submersas
- Feridas
- Infidelidade – causa ou consequência?
Na relação ideal ficamos no mesmo campo de energia de coração para coração. O que acontece quando chegam coisas que não são o casal? Quando vem a mãe e o pai, e o chefe, e a amiga e o avô, e um segredo, cada coisa vem com a sua história. Acham que conseguimos ver o casal como era? A pessoa já não está lá, procura-se a saída fora porque aquilo é sufocante e isto é o que acontece muitas vezes. Eu tenho as vozes todas de todos estes a falar ao mesmo tempo. Aparentemente vou sozinho para uma relação e digo “aqui me tens” mas não é verdade.
Acham que a infidelidade é causa ou consequência? Depois de muito tempo juntos e de coisas não ditas, juntando os estímulos que recebo, pode acontecer muita coisa. Tem a ver com moralidade, com regras, com agarrar muito uma pessoa e a forma como fica uma ferida profunda por vezes para o resto da vida e nós alimentamos tudo isso.
A questão depois é: Conto ou não conto? Depende. Se é uma coisa individual que vivi e já acabou, e não serve para ajudar a relação, contar na realidade é uma coisa que eu faço egoisticamente para ter vivido a minha coisa e ainda receber o perdão do outro. Mas se o casal cresce com isso é bom. Mas tenho de assumir as minhas responsabilidades e as consequências disso. Às vezes o casal não tem maturidade para trabalhar algo a este nível. O ideal é ter maturidade suficiente para ser possível falar de tudo e lidar com tudo.
Quanto mais integrado comigo menos necessidade tenho de fazer essas coisas e mesmo se as fizer vou poder lidar melhor com elas.

CASAIS MISTOS
- Nova família
- 1ª família, 2ª família
- filhos de um só cônjuge
- filhos de diferentes progenitores
- Filhos comuns
Os novos modelos de família têm de ser observados. Sem dúvida é algo difícil, porque já não são só as questões do casal na base que já são muito complexas, é tudo aquilo que o casal traz de novo para a relação, uma história, uma dor, os filhos que precisam de ser integrados.

Muito importante é observar os estágios em que desenvolvemos o lado territorial e possessivo que podem fazer com que tenha uma visão perturbada.
Quando nos desenvolvemos, passamos por fase natural simbiótica no útero materno, fica registada essa simbiose com o outro. Depois do nascimento vivo uma fase de dependência, mas o outro, que me cuida, é um ser autónomo, se me cuida bem e nutre bem eu fico dependente apenas o tempo suficientemente para que um dia diga que já não preciso e posso ficar independente. O apego é a algo que me faz sentir seguro. Criança pequena tem como referência os pais que lhe devem dar tempo para que se sinta segura na sua exploração do mundo, com a presença deles. Se estes não a deixarem respirar ou pelo contrário a deixarem demasiado entregue a si mesma, eventualmente pode nascer aí um desequilíbrio no vínculo. Esse tempo tem de ser desenvolvido e nutrido.
Depois chega uma altura, da autonomia, em que a criança mostra o que quer e não quer, e se manifesta na sua liberdade, vai contra o outro e experimenta a sua vontade.
A seguir deveria haver um momento natural em que devia chegar a independência, em que eu já não preciso de ir contra, dou-me conta do que preciso e movo-me de encontro ao que preciso.
Nas relações é a mesma coisa, há relações de co-dependência fortíssima em que, se vejo que o objecto de apego vai embora, ou não fica o tempo todo disponível para mim, eu entro em crise, ao ver desaparecer essa figura eu sinto-me traído e abandonado. Tenho de ter sempre esse objecto seguro que está sempre comigo, não importa se a relação é justa ou injusta, boa ou má, quando o objecto desaparece eu sinto-me abandonada, e procuro todos os indícios: ver a conta bancária, o telefone, as contas de e-mail, etc. Mas sem duvida, nessa fase de apego, se eu não tenho isso resolvido comigo e preciso de sentir que existo porque o outro testemunha o tempo todo que eu existo e sou bom, vai ser muito difícil relacionar-me saudavelmente, assim que o outro olha para o lado mesmo que seja por um hobby ou os amigos, eu vou-me sentir ferido/a no meu território, então vou querer ir embora da relação porque não é boa para mim, mas não consigo, porque volto a confundir a intensidade com a qualidade. Os casais sentem fogo porque se zangam, e esperam, e fogem, e voltam... um cansaço, em que vejo o movimento do outro mais do que o meu próprio movimento. E o objecto amado vai-se aproximando e afastando de mim e fica difícil quando não tenho apego resolvido, quando vejo o objecto de apego a afastar-se de mim.

É bom saber a fase em que cada um está, para isso temos que ser honestos connosco mesmos, e isso é difícil mas é saudável.
Estou na fase dependente? Na fase de apego? Confundo intensidade com qualidade? E é-me muito difícil afastar desse objecto amado seja para dar espaço ou seja para me ir embora porque já não quero mais? Às vezes não preciso de me separar totalmente da pessoa amada, só preciso de ganhar espaço, território. Negociar de novo se possível. Quando não é possível e se tentou tudo é o momento de ir embora.
Terei ficado na autonomia? Há muita gente que se acha autónomo. E um adulto autónomo acha-se muito livre porque vai contra o outro, faço algo de certa forma porque tu não queres. É-se autónomo porque se move contra a regra do outro, há um movimento interno contra algo que nos dá limites. E isso na relação, há momentos em que é bom mas precisamos de caminhar para a verdadeira independência.

Na independência verdadeira, no bom contacto comigo mesmo, eu não me movo porque tenho de mostrar, mas porque faz sentido para mim, fico porque quero, fico porque é bom. Posso estar porque posso negociar, posso estar porque há fluxo de informação, mas não é porque vou contra e tenho de me afirmar, como a criança faz. Nem sempre é contra que me organizo, pelo contrário, é em contacto com aquilo que é a minha necessidade, que não é nada fácil.
Há quem repita sempre o mesmo padrão para acabar de forma diferente e há quem tenha medo de repetir e então não avança com medo da relação. E isto são as nossas histórias de vida, ao longo do nosso desenvolvimento vamos repetindo e tentando encontrar um movimento novo.
A independência é poder estar com o outro, porque é bom estar com o outro, sem precisar de me afirmar e o tempo todo de ter de experimentar território, então o outro aceita-me como eu sou e eu aceito-o como ele é e não tento o tempo todo mudá-lo, transformar. Se quero a pessoa que tenho na minha frente aceito, senão quero eu vejo se posso negociar algo, e senão vou-me embora. Aceitar o outro Da forma que ele é, que é algo que é a base do amor quando este existe. Mas por vezes ficamos confusos: porque o outro não muda e se transforma?
Como é difícil por vezes porque culturalmente a nível de relações é muito romanceado, vendem-nos ideia da qual é difícil desligar que é a procura da meia laranja (esta expressão coloca-nos como fracturados, quando na verdade somos inteiros. Não acho que haja uma única pessoa no mundo com quem sou compatível, há imensa gente interessante e que pode ser sintónica), a procura de que o outro vai nutrir todas as minhas necessidades, e será então a minha alma gémea, e com tudo isso se levamos à letra é altamente frustrante. Dizem-nos que vamos encontrar o Romeu e Julieta esquecendo-nos que acabaram mortos, tudo isso é trágico, confundir intensidade com qualidade em que acaba tudo morto, essa literatura romântica acaba em tragédia, diz-nos para amar pouco tempo e intensamente. (A Bela Adormecida casou com o príncipe mas não tiveram relação visível, viviam isolados um do outro, não sabemos o depois do casar. Olhar para o Shrek é mais interessante, a história é de uma relação normal, cada um com os seus conflitos.)

Partindo da base de que sou uma onda o tempo todo, como encontrar alguém que entre na minha onda e entre nessa dança e se possa dialogar, haver uma atenção plena do que o outro é, e como é que o outro pulsa também.

Temos de ser muito humildes connosco próprios e aceitar primeiro que quando temos algum problema de relacionamento, devemos ter uma consciência de que tudo o que é difícil vem do processo evolutivo que tivemos, primeiro tenho de entender como em construi e desconstrui, e entender que aquilo que não está a funcionar não é por causa de uma ferramenta que me está a faltar, mas sim a necessidade de um processo que tenho de iniciar para fazer um bom “mergulho”, então vai ficar fácil entender o que tenho de alterar. Não tenho de alterar nada no relacionamento, tenho de cuidar de mim, e quanto mais em harmonia e mais auto desenvolvimento e conhecimento tiver de mim, mais clareza e insight tenho. Quanto mais em contacto estiver comigo, com menos máscaras, mais fica fácil saber o que tenho de fazer. Até porque duvido que algures dentro de cada um não se saiba realmente o que se tem de fazer.

A melhor companhia que vou ter na vida sou eu próprio/a, por isso tenho de me cuidar.
No entanto, consciência é uma coisa, emoção é outra e movimento energético é outro, e o que queremos é promover a dança entre várias dimensões. Claro que temos de lembrar que uma coisa é o cognitivo, outra coisa é integrar tudo e digerir, outra coisa é inclui-lo, mastigá-lo, fazer incorporar e depois mobilizar.

11 de novembro de 2010

Workshop Aberto: Os Relacionamentos


O ser humano é sem dúvida um ser relacional, que se organiza na sua caminhada, através da qualidade dos seus "vínculos". Desde que nascemos estamos numa relação connosco e com os outros. Afectando-nos e afectando os outros a todos os níveis da nossa existência Psicológica, somática, emocional, e espiritual.

Abordaremos os diferentes tipos de Vínculos desde o "Simbiótico", Dependente, Autónomo, e Independente e os diferentes estilos de apego.

Vamos poder observar como nos entregamos nas nossas relações, a qualidade do nosso coração como centro integrador da razão e nosso canal essencial.

Será um encontro com a nossa capacidade de Amarmo-nos e AMAR

Dia: 23 de Novembro de 2010 (terça-feira)
Local: CPSB - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq.
Horário: 18h30 às 22h00
Preço: 5,00€ Associados C.P.S.B. / 10,00€ Não Associados C.P.S.B.
Vagas limitadas a 40 pessoas
Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com
Professora: Dra. Maria del Mar Cervantes, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese e Directora do C.P.S.B.

10 de novembro de 2010

Sonhos (mundo onírico)

Neste workshop aberto de Biossíntese, o tema foram os Sonhos: como nos organizamos, as nossas armadilhas internas, como podemos trabalhar psico-somaticamente. No final todos podem levar ferramentas e insights importantes para o nosso caminho pessoal.

O inconsciente transforma num filme: o sonho onírico, quando vou dormir, REM (Rapid movement eye). Está provado que se não se sonha o cérebro morre. Sonha-se com o corpo em movimento: se sonho que estou triste choro no sonho e o corpo também, raiva também, o corpo está sempre envolvido.

Tenho várias fases durante o sono, numa noite completa são 5: durmo, sonho, durmo, sonho, durmo. Há quem vá menos profundamente e dá-se conta de que está a sonhar, fica à superfície, dá conta da agitação. E há pessoas que são como pedras e não se recordam.

Consciente e inconsciente por vezes dançam, há interferência. Interessante é entender como me afecta, como costumo sonhar. Há pessoas sonhos incompletos e pessoas com sonhos recorrentes com cobras, da infância, com guerras, etc.

Para quem não se lembra, mas deseja lembrar-se, há uma técnica muito simples: acordar a meio do sono e anotar.

Para que serve sonhar?
- Libertar tensões, reset, cura cósmica, projectar situações… - Muitas foram as respostas dos participantes neste workshop.

Sonhar serve para muitas coisas: desejos encerrados; resolver o que não deu para resolver e assim fazemo-lo de forma simbólica; resolver o que está no inconsciente… Dentro do inconsciente também há censura. Por ex. durante o dia tenho um susto e fiquei com vontade de ser violento com o meu chefe porque me fez algo, mas não o vou matar, então, se tenho vontade de estoirar, mas o meu consciente diz-me: “não podes matar, não é bom!”, mas a energia assassina, de frustração, fica nas vísceras, fica por vezes semanas, e o inconsciente descarrega um pouco aquilo. O corpo está sempre a tentar ajudar na situação que lhe trago. Quando vou dormir, conforme seja mais ou menos criativo, o cérebro vai tentar reorganizar, e sonho por exemplo, que sou cavaleiro medieval e mato o outro com lança e o meu super ego diz-me “sim no torneio o código esperado é matar, por isso pode-se”, no fim do sonho, se me liberou o suficiente pode ser que fique com carga um pouco menor.

Maria del Mar conta-nos um exemplo: “Tive uma paciente que sonhou que tinha uma lança no peito e ao tentarmos juntas encontrar a forma de interpretar, chegou-se à conclusão de que podia ser uma mensagem importante do corpo e que ela podia estar doente. Foi fazer exames e descobriu que tinha cancro em estado inicial e felizmente com essa descoberta atempada pôde cuidar disso. A todo o momento o nosso corpo, o nosso inconsciente, tentam resolver e dão-nos alertas”

Quando sonhamos que estamos cair, gritar, cair os dentes… são coisas do arquétipo. Há coisas que sabemos que têm significado, cair é morte, insegurança, falta de raiz… Jung trabalha muito bem este tema.

O sonho por vezes serve de descarga, outras de confirmação, de aviso, de resolução. O sonho tem tudo o que tem o ser humano, os nossos sonhos são como o nosso eu.

Os sonhos de pessoas que perderam alguém vai evoluindo, a nossa tendência em todas as dimensões é ter um princípio meio e fim. Não é por acaso que atraímos o mesmo tipo de pessoa, são padrões e possibilidades de fechar algo, os campos de intenção são muito importantes.

O que temos de descobrir é qual a intenção dos meus sonhos, são sempre ferramentas para aprender a viver melhor. Ir dormir com um propósito e descansar sobre isso é óptimo. Os nossos melhores insights, ou a maior parte deles, são em estado alterado da consciência.

As chaves de interpretação do meu sonho têm sempre a ver comigo, sendo algumas arquétipos. Muito importante é ter consciência de que divagar muito estraga o significado.

Quando o sonho acontece a função é sempre ajudar, confirmar, pode ser que eu não tenha capacidade de o fazer, tenha medo, mas o movimento pode estar na intenção, uma coisa é entendimento outra digestão e movimento disso. Há pessoas que fazem mas não têm ideia do que estão a fazer, outras que entendem mas não sentem e não fazem.

Mesmo que a gente não saiba como acaba o sonho temos de ir pela lógica, aqui o inconsciente queria que saísses dali, ninguém com gatos a morder-lhe fica quieto e sentado no seu sítio por muito formal que seja.

Para compreender a dinâmica do meu sonho preciso entender que elementos do sonho me afectam. Por exemplo o meu pai maltratou-me, ele já não é vivo, mas quando conto isso no consultório eu emociono-me, tal e qual no sonho quando conto o sonho, ele tem emoção. Aqui, holísticamente, é que me dei conta dos elementos, como os construo, como o corpo esteve envolvido e como há movimento ou não nos sonhos. Às vezes temos sonhos com impotência: caio no abismo, no vazio, no chão.

Há memórias falsas de coisas difíceis, e há dificuldade de ver o real e não real. E então há amneses emocionais. Há pessoas que não têm memória disponível, é selectiva e fazem aparente reset.

Image by Alison Haltenhof
O meu sonho está carregado de simbolismo e posso entender, fazer o link com a vida de hoje.
O “truque”, é além da imagem, saber em que lugar do corpo me está a afectar e depois ir ver de onde (do passado) é que eu conheço isso? Não há nada nos sonhos que não tenha sido já vivido em termos de sensação. Enquanto me está a acontecer é real.

Uma das necessidades básicas, expressas na pirâmide de Maslow, para além da alimentação, sonhar, prazer, ter regularmente satisfação aos níveis mais primários, é sentir que estou a cuidar de mim.

O sonho é um estado alterado de consciência, as ondas cerebrais são diferentes.
Quando trabalhamos imagens, percepções, o mundo onírico (Tema “facing” na Biossíntese) trabalhamos com o sexto campo, o chamado terceiro olho ou glândula pineal, um lugar que se estimula e funciona como foco. É lugar da criatividade, e ponto principal. O seu chacra irmão é o segundo campo, ou hara, dois dedos por baixo do umbigo, é onde estão necessidade e medos mais primitivos.

Meditar e colocar a questão:
- O que preciso de cuidar em mim? O que estou a precisar?/ Como?
A resposta a esta questão “Como?”, pode não surgir na meditação, pode até surgir em sonhos
A meditação é uma ferramenta muito poderosa para trabalhar vários aspectos de mim, ela vai além do ego e pode-me devolver respostas. Há muitas técnicas mas todas elas querem devolver algo que já esquecemos. Quando ficamos extasiados, quando tomamos banho, quando vemos algo belo na natureza, etc., deixo o meu ser estar em contacto com algo que me inunda de forma saudável e desprovida do que me intoxica, entro em contacto comigo.

9 de novembro de 2010

Sexualidade

Sem sexualidade não haveria vida. Há um encontro de duas partes que se complementam e possibilitaram que estejamos aqui.

Tudo o que nos devolve o prazer move-nos para algo, coloca paixão. Ficamos com olhar mais límpido, imunologia melhor, coisas mais saudáveis, é uma forma de estar em harmonia, entregamo-nos mais facilmente ao que nos dá paixão. Não é só sexualidade. Falamos em Biossíntese de “Charging”. A pessoa excitável é a que se excita com as coisas da vida, um filme, uma cor, uma paisagem, etc., coisas que nos fazem ficar “fora do sítio”, quem fica a toda hora assim tem “Charging” a mais. É bom compreender a conexão com a minha carga e foi o que desenvolveu toda a psicoterapia corporal. A maior parte das pessoas com neuroses tem dificuldade com o erótico (neurose significa falta de eros, matar o erótico).

A Biossíntese é uma integração de vida, trabalha para além do ego, com a parte espiritual, imunologia, neurologia, e todas as dimensões do ser humano, sem tocar na parte fragmentada. David Boadella aprofunda todos esses temas para encontrar a porta de entrada sem ir directamente ao ponto de chegada que é a dificuldade onde a pessoa está, seja a que for. Há visão inovadora e forma de aproximação que promove o contacto da pessoa com o seu self, e um contacto de vínculo de coração com o outro que diz: “Eu vejo-te.” O movimento tem de se profundo, não é só técnica e o terapeuta tem de saber fazer contacto.

Temos lugar único onde o terapeuta quer aceder, aquele lugar é o lugar em que eu sou eu. A terapia é derreter (não quebrar como outras correntes) o que foram as camadas que coloquei para me defender do mundo.

Falamos também de corpo (incluímos o corpo, ou seja não trabalhamos só corpo, mas sim: trabalhamos também o corpo).

Em termos de sexualidade, observando a nossa “Raiz” (primeiro campo energético): quando tenho carga e uma sexualidade saudável canso-me menos, tenho maior capacidade de arranque para fazer algo e relaxar quando isso é conquistado, como uma curva, como o orgasmo. Uma pessoa muito encouraçada, pode ter vários quistos, tumores, pois tem energia acumulada, não expandida. Se a energia não se mexe, não se move ela não desaparece e se não é liberada, vai para intestinos, para o coração, para a pele, hérnias, etc.

Um corpo saudável tem fluxo saudável move-se harmoniosamente, expressa-se. Uma das coisas que se trabalha em Biossíntese é a observação do movimento. O rio não se empurra: se quero que a pessoa fique mais vital, para uma pessoa gritar deixa-a mais vital mas para outra pessoa pode ser o oposto. Há pessoas para quem pode ser bom mas para outros é mais traumatizante. O que é bom para uma pessoa pode ser veneno para outra.

No segundo centro energético ou hara está a memória de nascimento, o umbigo e a conexão com o mundo, as coisas viscerais sentem-se nas vísceras. Em termos de sexualidade, para as pessoas que têm distúrbio, nesta zona vem a cor preta na meditação. Com maior maturidade conseguimos ver a utilidade da meditação. Neste centro energético podemos observar que carga temos disponível e restabelecer o fluxo.

O terceiro centro, o plexo solar, trabalha o pânico, os limites e o território, do corpo e que ocupo e como digo sim e não. Qual é o meu espaço e qual o espaço do outro. Trabalho o invasor e o invadido. Quando acho que estou a ser invadido tenho poucas fronteiras, e quanto tenho muitas invado mais o outro. Dor aqui é o botão de alerta.

O quarto centro, o coração, tem a ver com dar e receber, entrega, abraço. É fácil receber e abraçar? Entregar-se ao outro? O corpo aprende a entregar-se se confia, o coração tem de estar envolvido. Não quer dizer que a sexualidade não seja boa se não dou de coração, quem não é tão romântico e tem amigos coloridos pode ter um bom acordo, é diferente do coração. Logicamente quando há boa união sexual há boa entrega e quando o coração vai junto há “revolução interna”, é muito bom. Há quem entregue o corpo mas não o coração, e tenha dores muito grande a nível de bloqueios. Por isso a união da sexualidade com o coração é importante, há pessoas encouraçadas no cardíaco. Trabalhamos vínculos primários com a família, depois com os outros.

No quinto centro, a garganta, encontro a expressão das emoções e das minhas crenças. Às vezes não é fácil colocar em palavras. Garganta e boca é o primeiro órgão sexual. Antes de sermos sexuais somos eróticos, o prazer vem da boca. O bebé já é erótico, fica babado a tocar algo que ele gosta, como o corpo que recebe toque, alimentado com carinho e ternura. Agora imaginemos bebé que é olhado como estorvo, ou alimentado para que deixe de chorar, esse primeiro contacto com lado erótico do prazer é perturbado, então isso que ele quer tanto não é alimentado, assim, digere dificilmente a comida ou fica assustado. Começa no corpo a relação com o self e com o mundo o que me rodeia. E como bebé não se apercebe, coloca tudo na boca pois é por aí que tem contacto com o mundo.

No sexto centro, o terceiro olho, a glândula pineal, tem a ver com capacidade de sublimação, imagens internas, visualização. A nossa própria auto imagem vai-se construir no meu interior e pode ajudar com a entrega ao outro.

Mais de 60% das mulheres não tem orgasmo. Há mulheres que têm vergonha de ser tocadas, nas mensagens internas nessa minha imagem eu posso ficar com bloqueio, como não me olho de forma saudável não posso imaginar que o outro o faça, então colapso. Na sexualidade, as mulheres precisam emocionar-se para se excitarem, e homens precisam de olhar para se excitarem, a visualização deles, na sexualidade, é mais activa do que a das mulheres. No tantra, a filosofia é o toque do corpo, sem recorrer à imaginação, no presente, deixando que a excitação vá carregando o corpo até chegar ao clímax, aumentar a carga e usufruir, longe da imaginação que é mais domínio do neurótico. Quantas mulheres têm imagem castrante da mãe que diz que aquilo é pecado, sujo e complicado? A imagem da sexualidade fica massacrada. Como o conceito de que o homem não é muito viril se não tem pénis grande. Tudo é manipulação, todo o mundo tem de ser assim, como a modelo no anúncio do sumo de tomate.

Quando é natural e acompanho o rio fica mais fácil de me entregar.

Encontrar pessoas com o mesmo ritmo é difícil, sintonia tem a ver com energia, com estrutura do corpo, com imagens, todos esses centros, o vínculo cardíaco, o impulso romântico e a zona das imagens sexuais, a forma como me entrego, o ritmo de cada um…

Sexualidade não satisfatória não é só falta de orgasmo. Há muitas relações sem excitação necessária, pessoas que não gostam como a outra lhe toca. Há pessoas muito genitais vs muito românticas. Ou quimicamente a coisa resulta e a sexualidade encaixa.

Há mulheres que só têm orgasmo na masturbação que é algo mais clitoriano e com a penetração não sentem nada, há coisas que ficam disfuncionais, o corpo vai fechando, tudo isso acontece a vários níveis.

Quando pessoa inspira quantidade de ar igual à que expira, é mais apto a recuperar sexualidade ou a ter sexualidade saudável. Inspirar grande quantidade de ar e expirar a mesma quantidade de ar, às vezes é o suficiente para sentir a nossa carga e descarga, é obvio que durante a sexualidade a respiração altera.

Porque “charging” está relacionado com a forma como vivo, como me excito na minha vida, como relaxo, como me relaciono com algo muito bom, parece que não tem relação mas tem muito.

As mulheres quando têm orgasmos fortes perdem a consciência momentaneamente.

Curva da relação sexual:

1) Praia de chegada e do jogo erótico, é o inicio. Começa muitas vezes pela visualização. Há pessoas que ficam muito tempo aqui.
2) Há pessoas que estão sempre na subida, dá adrenalina, sempre à procura de algo, que não chegam ao orgasmo, há subida e descida a pique enorme. Não chegam ao clímax. Há frustração.
3) Pico, clímax, realização
4) Descida gradual, curtir o presente, relaxar.

Assemelha-se à onda do mar: quão longa tem de ser a minha praia? Como é a subida da onda? Como é que a sinto no meu corpo e como é que relaxo quando a vivenciei? Há quem passe de uma onda para outra, sem existir na verdade descarga. E há mulheres que choram no final, de angústia, como se tivesse acabado perfeição, ficam esvaziadas como no pós-parto.

Quando falamos de onda e de orgasmo e de excitabilidade, estamos a olhar para esse nosso eu para vermos como está a nossa curva, como é a nossa subida, o nosso clímax, como é a descida.

O que não é saudável: muito tempo na praia, demasiado tempo na subida, fazer toda a curva até ao clímax mas deprimir na queda, no relax.

Olhando para a curva devemos ver onde está o mais difícil. A praia? Baixa libido? Romântica que acha que estraga tudo com o coito? Ou subida que fecham muito o orgasmo?

Há muitos homens que não sabem que têm ejaculação precoce. Corpo treina-se mas envolve tudo, não é só mecânico.

É bom apercebermo-nos que somos um tipo de pessoa para outro tipo de pessoa e não para todos.

A energia vital, sexual, criativa, vitalizante não é na cabeça, é aqui e agora, estou cá com o que está, se vivermos aquele momento como ele é, com aquela pessoa, a 100%.

8 de novembro de 2010

Mais sobre a Biossíntese

Na Biossíntese fala-se também de Centros Energéticos ou chacras, que são portas de entrada e de saída do corpo, somáticas e energeticamente. Estes centros localizados em pontos-chave, têm glândulas que pulsam. O tempo todo o corpo faz contracção e expansão. Fazemos constantemente este movimento: fica perto/ ficar longe.


Então vemos como é a nossa raiz do concreto, a nossa defesa no território, como vincula o coração, capacidade de expressão, capacidade de sublimar, etc. E quando estamos bem, o eixo está vertical, e no topo fica uma “fractura” natural e saudável que me conecta ao todo (o chacra da coroa), que me conecta mais além do aqui e agora. Usamos muito pouco da capacidade não cerebral, ela é prolongação do eu, a cabeça não é tudo. Temos uma espécie de radar e podemos estimulá-lo. Quando nos conectamos com consciência e deixamos abrir canal essencial, sentimos muito mais, ficamos com clareza mental e de entendimento, com o que é o mundo. O que acontece, quando não se tem raiz e abrimos esta zona, é que a pessoa não entende e se não há cuidado pode psicotizar. Por isso, quando a pessoa está muito lá em cima, se não está a ser possível estar em harmonia, temos de a trazer mais para baixo, para o aqui e agora. David ensina onde tenho de levar a pessoa. Há pessoas muito mentais que precisam de ir mais para a emoção, outras que são um vulcão emocional que precisam de usar um filtro, outras que temos de levar para o movimento, a acção.

Sou muito cabeça? Muito coração? Muito activo? Levo muito ou pouco para dentro de mim? O meu corpo é rígido? O interessante é esse novo olhar para nós próprios, como nos construímos.

O corpo diz muitas coisas: por exemplo a pessoa com problemas de contacto desenvolve problemas de pele (Nota importante: nada é linear, nem toda a gente que tem problemas de pele tem problemas de contacto. É importante a observação de cada situação e cada pessoa em particular. Falamos de generalizações.). A linguagem verbal por vezes é a menos clara, e há linguagem que confirma o que se passa comigo: a do meu corpo. Uma possibilidade é haver uma história de mau toque, não é obrigatório que seja assim, mas é possível ter problemas de pele, urticária de contacto.

Problemas de engolir sapos ou não deixar sair a necessidade de expressão, rompe as vísceras, e eu acho que não posso falar, porque não vai ser entendido ou o que seja. A energia não se destrói, em vez de explodir implode. No Síndroma de Crown, perguntamos “quantos sapos estão na tua vida?” E as pessoas até fazem listagem. Quando algo fica demasiado, fica entupido, há falta de fluidez porque fica algo a mais. Há autor que é Hamer, médico que teve cancro pela morte de filho e que descobriu, pelo próprio processo, que é a expressão de algo, a tentativa das células irem todas para aquele lugar para curar aquele órgão. Precisamos de levar para lá algo que diminua a pressão.

Temos dentro de nós (quando estamos estruturados, em harmonia) as defesas que precisamos, se não o meu corpo diz “chega!” e se continuar nesta angústia o corpo vai cada vez gritar mais por mim, e se continuo… “vou embora”, porque não posso continuar.

O fluxo (os artistas deixam sair e fluir as suas neuroses através das suas obras)… entender que o corpo é tudo e tudo o que tem vivido me interessa, como dorme, como se relaciona, como foi sonhado, de que família vem, como sonha, como se alimenta, como se move, etc.

David Boadella fala muito de alma, espírito, essa encarnação, esse ser que leva esse impacto, essa anima, leva o milagre da vida e a possibilidade de se conectar com tudo o que o rodeia.

Ressonância é além da empatia, o terapeuta recebe e trabalha recebendo a alma do outro, no campo mórfico. David trabalha na expansão de todo o meu eu, em que corpo e alma dançam. Todo o ser humano nasce com todas as capacidades. O que tentamos é derreter as camadas defensivas para poder emergir o que eu sou, a essência.


A Biossíntese assenta teoria na embriologia: camada endodérmica regula emoções, para a acção temos mesodérmica e depois sistema nervoso central, cabeça.

A proposta da Biossíntese não é fazer diagnóstico, David não queria fazer diagnóstico mas sim fazer o encontro com o corpo.

Ler livros de auto ajuda, em teoria o que sabemos é muito velho e o conhecimento está lá, mas a forma de integrar isso… Muitas pessoas na procura de um caminho entopem-se de livros, e de cursos, mas a integração do que me faz saber, esperar, sentir, faz vibrar quando estou com o outro, saborear as coisas… isso não se aprende lendo. Até que experiencie dentro de mim não tem verdadeiro impacto, mesmo que o que aprendo ou leio faça sentido. Posso ir a gurus.. mas a noticia é: não há gurus, há pessoas muito interessantes. Há um guru sim, interno. E o guru fora só me vai confirmar.

Vemos o transferencial e o contra transferencial. Como lhe afecta. Se isto não é cuidado a pessoa vai ter exposição e fractura quando lhe aparece algo.

No conceito da Biossíntese INCLUO todas as minhas partes, sei INTEGRAR. Tenho raiva, mas não chuto, integro e tenho parte de mim serena, e ao mesmo tempo poso ter fome, preocupação, tudo pode estar presente. Quando mais se trabalhar mais fácil é colocar-se à frente de alguém e saber cuidar do outro e de si mesmo.

Há psicoterapeutas da corrente cognitivo comportamental que só pelo calor humano que têm, pelo coração, conseguem chegar à cura. O que cura é o vínculo, o afecto pelo outro, tenho de estar apaixonada pela pessoa, tenho de olhar, a pessoa tem de ser vista, tenho de estar inteiro, a partir daí já posso usar técnicas que tenho disponíveis. O estar de alma com o outro é o princípio de todo este trabalho.

A Biossíntese é uma forma de estar comigo, com vizinho, com o trabalho, a sexualidade, os amigos, o parceiro, os filhos, o dinheiro, etc. Mais do que uma Escola, o que David Boadella propõe é forma de olhar para a vida.

Falando das raízes da Biossíntese

A psicoterapia começou a sistematizar-se no inicio do século passado, com atendimentos regulares. Freud começou a sistematizar a sua teoria, através da associação livre e elaborou uma técnica particular: colocava o paciente no divã, e assim podia estudar, analisar e interpretar o raciocínio do paciente, sem se implicar no contacto com o mesmo. Freud era muito interessante, e, curiosamente como estamos em psicoterapia corporal estudamos o corpo, e observamos que ele era extremamente mental, com um corpo fino e tendência deficitária de contacto com os outros. Ele era fascinado pela mente mas tinha dificuldades no que tocava ao afecto. Contudo foi brilhante, quis conhecer o ser humano, mas colocou-o de forma a que não tivesse de vincular com ele. Criou também a Associação de Viena onde todos os psicoanalistas se encontravam para criar regras: Jung, Osho, e muito outros.


Um dos grandes discípulos de Freud foi Wilhelm Reich, que agora começa finalmente a ser estudado na faculdade. Reich falava da sexualidade, de corpo. E ao observar os pacientes no divã, verificou que tinham um corpo determinado, segundo as queixas e neuroses que tinham: a pessoa muito mental respirava quase sem se ouvir; a pessoa mais histérica tinha ancas mais largas e rabo mais empinado e era mais ruidosa a respirar; as pessoas muito contidas tinham mais dificuldade em expirar do que a inspirar, etc… Queixas somáticas. Fez então algo que revolucionou a terapia, e pediu ao paciente/cliente, para se colocar de pé, começando a integrar o corpo e a organizar e sistematizar o seu trabalho.

Houve ainda outras grandes correntes que influenciaram a formação da Biossíntese enquanto Escola:

- A Biodinâmica de Gerda Boyesen – Que desenvolveu a sua teoria endodermicamente. O estudo é feito na marquesa com massagem, sons do corpo, reestruturação energética da vísceras, trabalha os tecidos moles, e a forma como se desenvolve o vínculo com o outro. David Boadella (o criador da Biossíntese) aprendeu muito com ela sobre as vísceras e a emoção.

- A Bioenergética de Alexander Lowen – Que desenvolveu a sua teoria tomando como ponto de partida que o trabalho na marquesa é bom, olhar para como a pessoa respira também, mas porque não andar de pé, agitar-se, pular, etc.? Porque não vincular com a pessoa? Na última formação que deu, pediu aos formandos que ouvissem com atenção o que ia dizer, era algo revolucionariamente terapêutico, todos esperavam ouvir algo diferente… e ele dançou simplesmente a Polka, apesar da avançada idade, dizendo que dança era o melhor exercício terapêutico. Ele desenvolveu exercícios para as trabalhar pernas, o enraizar no aqui e agora, o expandir das emoções, usava afirmações, o grito, entre outros. O que acontece é que é mais linear, enquanto a Biossíntese procura ser mais “circular”. Na Bioenergética não é ainda introduzida a dimensão da espiritualidade, há algo concreto para trabalhar a raiva, ou a angústia, ou o medo, e liberam-se muitas vezes emoções através da dor, apesar de estar a ser cada vez menos usado. Para alguns pacientes é traumático e a quebra do ego pode ser perigosa, claro que alguém muito experiente não faz desta forma, mas a base era esta.

A Biossíntese reúne todos os ensinamentos, tudo nos interessa: corpo, espírito, psicologia, mente... Não interessa disputar entre escolas mas entender o objectivo comum de sabermos quem somos e como somos. Hoje vemos algo novo, menos separação, o mundo está em grande transformação e a integração é palavra de ordem.

A Biossíntesse foi concebida na sequência do próprio percurso de David Boadella, de estudos e experiências que começaram enquanto professor de escola primária há cerca de 50 anos atrás, em que observava cada aluno e compreendia como vincular com cada criança de forma diferente, com métodos pouco convencionais para a época, as crianças tinham espaço para se expressarem e o facto é que conseguia ter resultados fantásticos, o que fazia a própria Escola e os colegas permitirem que continuasse com o seu método inovador. Ele pôde então confirmar que havia formas diferentes de despertar cada um e começou a interessar-se pela psicologia e a fazer terapia com eles.

Descobriu que na bioenergética havia ferramentas fantásticas mas que não servia para ele de forma linear e começou a criar algo diferente em que corpo tem de estar presente, mas o que diferencia é que se começa a intervenção com a pessoa, pelo seu lado mais seguro. Começa-se pela cabeça ou a emoção, a área que a pessoa não tem fragmentada. Então David, com todo esse legado de Alexander Lowen, Wilhelm Reich, Gerda Boyesen, vai observar qual é o lugar onde ainda há energia e onde posso começar a vincular, vai também observar o corpo: onde está o reservatório e onde adoece mais.

Esta é a concepção, antes de ser uma Escola ou corrente. A forma do David, alem de ir para o lugar não patológico e de introduzir uma conjugação de várias correntes (umas muito mentais como a PNL, a bioenergética com descarga, a biodinâmica com as vísceras, o budismo com a parte espiritual), ele queria que se pudesse trabalhar tudo isso, mas viu que faltava algo: além de encontrar o lugar seguro, não ser só cognitivo e não só transpessoal, queria algo integrador, com parte espiritual. Ele chama a esta espiritualidade a bio espiritualidade, que não está ligada a nenhuma religião. O ser espiritual é quem está bem com a essência, com a ética, tem aceitação, segue com o fluxo da vida, é naturalmente disponível. É a ligação com o canal essencial que leva ao contacto com a essência e com tudo o que nos rodeia, há necessidade natural.

Quando o ser humano nasce, o nascimento psicológico é quando me dou conta que sou eu, diferente dos outros, do que gosto e não gosto e do que preciso e não preciso (e há quem ainda esteja neste nascimento na idade adulta). Mas se há estas duas (nascimento físico e psicológico), há a necessidade de nascimento para além do ego, no espiritual. O ego é necessário, tem de ser funcional, dinâmico, o ego está aí e podemos ir para além dele, não contra ele. David não vende milagres, ele quer entender a vida e a nossa dinâmica, entender de que somos feitos, como nos construímos e onde chegamos. E só aí posso apaixonar-me pela vida, isso é o verdadeiro orgasmo, quente e apaixonado pela vida.

13 de outubro de 2010

Introdução ao Butoh - Workshop de Movimento

06 de Novembro de 2010
Com Ulla Janatuinen

Neste workshop procuramos, através do movimento, fazer um reencontro connosco próprios, descobrir as nossas tensões e hábitos corporais e permitir a mudança. Explorando o movimento e a consciência corporal procuramos encontrar um novo equilíbrio físico e psicológico.

O Butoh foi fundado no Japão depois da 2ª Guerra Mundial por Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno. Butoh é uma dança ou ideologia conectado com tudo. A dança surge da vida, da morte, da natureza, do movimento, da energia.

A prática de Butoh pode ser uma via para o melhor entendimento de nós próprios e dos outros. Estabelecendo uma melhor conexão com a realidade podemos criar harmonia à nossa volta. Sentimos uma ligação com a nossa natureza profunda e com os outros. Pelo estado enraizado, aberto e centrado surge naturalmente a compaixão. Podemos sentir uma profunda ligação com tudo que existe.

Os exercícios neste workshop incluem entre outros: Grounding, Energy circulation e Expanding consciousness.

Este workshop é organizado com um intuito de criar uma turma para aulas regulares de Butoh.

Professora: Ulla Janatuinen*
Dia: 06 de Novembro de 2010 (Sábado)
Local: CPSB - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq.
Horário: 10h00 às 13h00 e 14h00 às 17h00
Preço: 30€ associados / 35€ não associados
Material: trazer roupa confortável e meias (aula dada sem sapatos).
Vagas limitadas.

Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com

*Bio. curta: Ulla Janatuinen graduou-se como Master of Arts in Modern Dance da Theatre Academy em Helsínquia, e tem pós-graduação em Terapia de Dança e Movimento da University of Applied Sciences of Jyväskylä, Finlândia.
Ulla tem leccionado dança em Portugal e na Finlândia desde 2004. Para além da criação e interpretação de peças de dança, tem alargado os seus estudos de movimento e energia com a prática de Yoga, Taijiwuxigong (Qi Gong) e Aikido. Actualmente é professora de Taijiwuxigong (Dr. Shen Honxung College, Londres) e tem Nidan (2º nível de cinto negro) no Aikido Tradicional (Sensei Hitohiro Saito, Mestre Tristão da Cunha).
Ulla estudou butoh pela primeira vez em 2000 na Helsínquia com Aki Suzuki. Depois disso, tem frequentado vários cursos de Butoh. Atsushi Takenouchi é o seu principal mestre. Ulla estudou com Takenouchi num curso intensivo e tem 140 horas de prática, tendo passado por Itália e por Paris.

11 de outubro de 2010

Workshop Aberto "Sexualidade e Vitalidade"

20 de Outubro de 2010
“Sexualidade e Vitalidade”
Workshop Aberto de divulgação em Biossíntese
Com Dra. Maria del Mar
A sexualidade, e a forma como a vivemos, ocupa um dos lugares mais importantes na nossa vida, do que por vezes temos consciência. Envolve a forma como nos relacionamos com o nosso corpo, com o prazer, com a nossa alegria, a auto estima, o momento de nos entregarmos ao outro, a gestão da nossa energia e até, (entre outras coisas) a nossa capacidade, ou não, de relaxar. Uma vida sexualmente saudável, traduz-se numa saúde melhor, uma serenidade maior, uma criatividade mais activa, uma imunologia mais forte, em suma, uma harmonia e um equilíbrio na nossa existência. Não podemos esquecer que sem sexualidade não existiríamos.

Vamos tentar compreender mais sobre este tema, dialogando com clareza e não o limitando a aspectos só genitais ou de coito. A sexualidade não é só o "acto" e o "orgasmo". A sexualidade é um diálogo com o meu eu, o meu corpo e eu, e com o corpo do outro. Os graus de satisfação são variadíssimos, a forma, os olhares, as nossas crenças, o nosso controle, a nossa forma de nos aproximarmos, a nossa libido, apatia, excesso..... tantos aspectos para ter em conta e todos esses aspectos afectam a nossa vida nas outras áreas: como o trabalho, contactos sociais, fantasias, motivações...

Abordaremos este tema tentando desmistificar, clarificando e abrindo possibilidades para uma vida mais plena, na qual, este é um dos aspectos mais importantes, porque envolve, directa e indirectamente os outros.

Facilitadora: Dra. Maria Del Mar Cervantes, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese e Directora do CPSB.


Dia: 20 de Outubro de 2010 (quarta-feira)
Local: CPSB - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq.
Horário: 18h30 às 22h30
Preço: 5€ associados / 10€ não associados
Vagas limitadas.
Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com

O que é a Biossíntese?
A Biossíntese, como terapia do futuro, trabalha com o princípio do desdobramento do potencial latente; quando os recursos internos são reforçados, os problemas tornam-se menores. Há mais de 35 anos que a Biossíntese tem desenvolvido um modelo de integração entre corpo, mente e espírito. Investigações científicas em neurobiologia, psico-neuro-imunologia e medicina energética dão suporte agora a esta integração de diferentes formas. A cura em Biossíntese é a ponte vital entre essência e existência, alma e corpo, território interior e exterior.

7 de outubro de 2010

Integração de Vida Profissional e Pessoal


Image: Calm Down by Sugarock 99

Num dia solarengo de feriado (5 de Outubro), muitos foram os participantes que preferiram ficar dentro de uma sala de formação e vivenciar um trabalho pessoal, experienciando novas formas de saber integrar de forma equilibrada as várias dimensões da nossa vida.

Estamos na sede da escola de Biossíntese para Portugal e Espanha, mais do que uma escola de pensamento, a Biossíntese é vista pela sua responsável, Dra. Maria del Mar, como uma escola de vida.

A Biossíntese é uma Psicoterapia corporal, envolve o corpo, mas há por vezes ideia errada de que trabalha só o corpo e se trabalha muito com movimento ou com massagem ou fora do verbal (falar), o que não significa que não possa acontecer, mas esta psicoterapia inclui também o corpo no processo de desenvolvimento, não usando só o verbal ou cognitivo.

Maria del Mar fala-nos da Biossíntese e partilha a sua experiência: “Eu acabei a faculdade (licenciada em Psicologia Clínica) e não sentia que tivesse maturidade para me colocar à frente de uma pessoa e acompanhar o psico afectivo e energético, e nem sabia que a psicoterapia corporal existia, quando conheci a Biossíntese é que me dei conta de que podemos olhar o ser humano como um todo, em todas as dimensões.

David Boadela diz que a alma precisa de movimentos lentos, não se pode empurrar o rio. Algo que acontece com o meu estômago tem a ver com o meu estômago mas também com a forma como me relaciono com os outros, problemas de pele estão relacionados com problemas de contacto, forma errada de respirar tem a ver com forma de estar vivos e de deixar ir todas as coisas, etc…. e a área da neurociência está em constante desenvolvimento e é muito interessante, o que me encantou é a forma integradora de olhar para o ser humano.

O nosso corpo tem história, das emoções de alegria, de frustração, de prazer, de desprazer e tudo vai ficando registado no nosso corpo. Quando olho para um corpo, em que mesmo sem falar há muitas coisas que podemos ver, formas de caminhar, estruturas mais compactas que outras, tudo são mecanismos que vamos usando para fazer frente às experiências que temos. Tudo o que se repete, o corpo vai gravar. Como grava uma doença ou uma forma do corpo.

A Biossíntese é uma área que se liga a tudo, às empresas, ao ensino, à família, porque tudo tem a ver como somos afectados e como afectamos os outros.

A formação é muito vivencial e prática. Tem a ver como eu entendo como a vida flui, a dinâmica, qual a melhor forma de gerir o meu tempo, as minhas prioridades, como ter uma família ou pensar nisso e ter tempo de qualidade para eles, para ir à sogra, fazer compras, de estar comigo, etc. E há pessoas que dizem “que pena o dia não ter mais de 24h”, mas não dá, o tempo tem o tempo que tem de ter. Senão vamos contra a maré e frustramos com aquilo que não podemos controlar. Tem também de se observar: como fazemos a gestão de prioridades, a nossa visão, como cuidamos de nós, a cegueira de não podermos dizer que não (parece que dizer que não é um fracasso e é uma bola de neve)…

Ideias importantes, insights, já devem ter tido muitos. Mas depois aquilo faz assim, pfffff, como um balão. Passa. Passa a ideia de que algo tem de ser mudado e passa como um avião. De facto, as ideias às vezes passam mas não corporificam, não ficam como algo que vou cuidar. Tem de fazer sentido para mim. A ideia é brilhante mas passa…

Por vezes a listagem para mudar a minha vida é tão grande, que: ou esqueço, ou fico a torturar-me porque não o fiz. Tinha um paciente que era controlador e perfeccionista, super racional. Colocou tudo: as prioridades, as coisas, tudo escrito num painel grande em frente à cama, feito de propósito, perfeito. E todos os dias aquilo lhe lembrava do que não tinha feito. Ao fim de muita auto-tortura destruiu aquilo tudo, e ficou só com uma opçõa, pois ainda não lhe era possível fazer e não se muda tudo de uma só vez.

A proposta hoje é podermos estar juntos e fazer um “check up”, mais do que dar dicas ou regras para o que tenho de fazer para ter mais tempo em casa (regras e logística fica para vocês). Quando estamos motivados em conhecer a dinâmica da vida, a estratégia surge. Eu não vou dar estratégias, vamos trabalhar a nível de atitude e realidade interna, que é única para cada um.

Vamos falar do que é a Biossíntese e vamos integrando com este tema de hoje e como isto me afecta.

Quando trabalhamos com o corpo, trabalhamos com princípios da embriologia, os padrões de respiração, o tónus muscular e a expressão das emoções. Um terapeuta olha para como o corpo chega no primeiro contacto, qual é a zona que protege e que está menos disponível.

Como é a história da minha formação embriológica? O que estava a acontecer com a família quando a minha mãe ficou grávida? Estavam em crise? Fui desejado ou foi um susto pois eu não era esperado? Os meus pais estavam apaixonados?... A vida encontra o seu caminho num momento determinado e isso afecta o bebé. Todos os pensamentos dos pais e familia já afectam esse novo ser, é impossível desligar da nossa experiência psico afectiva e emocional sem observar isso. Há bebés que eram esperados como sendo meninos e são meninas, tudo vai influenciar.

David Boadella começou a interessar-se sobre tudo isto há mais de 30 anos, ele vinha da época da psicanálise, quando se começou a organizar tudo e a regular, nessa altura começaram a haver seguidores que entenderam como era importante olhar para o corpo, a respiração, a forma de adoecer. Primeiro foi Reich, que se colocou ao lado do paciente e aí se começou a treinar a psicoterapia que era na atura só cognitiva. Depois veio Lowen que começou a trabalhar de pé quando necessário, a interagir com o paciente, a trabalhar juntos, e quando necessário o terapeuta coloca o seu corpo como instrumento de trabalho, o corpo fica incluído de diferentes maneiras. E é aí que David integra isso tudo. Biossíntese significa integração de vida.

Peço que se vão lembrando como foi a vossa história. A nossa história não tem que nos dominar, se não ficar no passado e se incluo a minha história como mais um elemento de conhecimento. Porque ela é a minha realidade e diferente dos outros, é só minha.

1 de outubro de 2010

CLINICA SOCIAL

“Tínhamos um sonho sobre a Biossíntese, queríamos que outras pessoas beneficiassem dos conhecimentos dos nossos profissionais e tivessem acesso a cuidados de saúde acessíveis, isto tornou-se realidade. O sonho tornou-se realidade e o Centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese tem hoje uma Clínica Social que ajuda quem mais precisa.”

Como psicoterapeutas e formadores na área das Ciências sociais e humanas, temos como missão e responsabilidade ser cuidadores por excelência. Através do ramo integrador que é a Biossíntese, contribuímos para um mundo mais positivo e acolhedor, criando ambientes estimulantes e protegidos para todos, e combatendo a exclusão destes serviços a agregados potencialmente mais desfavorecidos.

A responsabilidade humana e terapêutica é um modo de contribuir para a sociedade de forma positiva e de gerir os impactos sociais, emocionais e familiares, assegurando e aumentando o bem- estar e a saúde em todas as suas dimensões: mental, psicológica e emocional, mas também física e espiritual.

Destinado a adultos, crianças ou famílias com poucos recursos económicos, contribuindo assim, activamente, para uma sociedade em maior harmonia e equilíbrio e, consequentemente, para um mundo melhor, sendo essa a essência da Biossíntese.

Para se candidatar ou referenciar alguém que precise de ajuda, basta enviar um e-mail ou telefonar para os nossos contactos. A seguir, é marcada uma entrevista com a pessoa interessada em receber acompanhamento psicoterapêutico e é seleccionado um psicoterapeuta que seguirá o processo.

Os psicoterapeutas são os nossos finalistas de curso em estágio, que são sempre acompanhados pela respectiva supervisão de psicoterapeutas seniores.

Porque a integração é, mais do que uma ocupação, a nossa forma de estar.

29 de setembro de 2010

Próxima Terça-feira (5/10): Workshop Aberto - “Integração da vida pessoal e profissional”

Os horários, os transportes, o stress constante, os compromissos profissionais crescentes, alteram a nossa percepção sensorial, afectando toda a nossa vida e acabando por distorcer a forma como nos vemos, como vemos os outros e como vivemos as nossas relações com as pessoas que nos rodeiam.

Saber integrar os “dois mundos” para viver em pleno uma vida completa, exige conhecimento dos nossos limites e das estratégias para enfrentar os desafios que a vida nos reserva.

Corremos o risco de alterar as nossas prioridades essenciais e ser absorvidos pelo frenesim profissional, ficando sem tempo para nós, para os que amamos, muitas vezes perdendo-os por isso e até perdendo a nossa saúde, últimos recursos que o nosso corpo tem quando a "cegueira, psico-emocional" se instala em nós.

Este será um workshop de duração maior do que o habitual, que tem como objectivo demonstrar a possibilidade de encontrar formas de auto-regulação nos diferentes territórios, dando a importância devida a cada um, assim como canalizar os recursos internos que tantas vezes nos esquecemos que estão em nós e a que chamamos "potencial evolutivo"

Por que: VIVER A VIDA EM PLENO não é um objectivo e sim, na realidade, a verdadeira finalidade da nossa existência.

Professora: Dra. Maria Del Mar Cervantes, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese e Directora do CPSB

Dia: 05 de Outubro de 2010 (terça-feira)
Local: CPSB - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq.
Horário: 09h30 às 18h30, intervalo das 13h30 as 15h
Preço: 15€ associados / 20€ não associados

Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com
Vagas limitadas a 40 participantes

23 de setembro de 2010

Felicidade - Fluir e Ser.

O tema, daria para muito mais do que as quatro horas disponíveis. O convite era dar um breve mergulho no tema, e compreender onde por vezes tropeçamos ou ficamos em colapso.

“A felicidade é um conceito simplesmente difícil ou dificilmente simples” – comentou Maria del Mar.

Precisamos de entender, temos necessidade de dar nomes às coisas. Mas quando entendemos “o sumo”, o sentido verdadeiro do movimento da vida, como estamos nesse movimento e fluímos, chegamos a um sentir profundo, à certeza de que estou “no bom caminho”, e aí não precisamos tanto de dar nomes.

O que é na realidade a felicidade?
A capacidade de fluir com a vida? Um estado de ser? Sentirmo-nos bem connosco e com o mundo? Algo subjectivo porque cada um a vive de forma diferente? Um caminho? – Os participantes foram lançando algumas ideias.

Maria del Mar teceu algumas considerações, após explicar sucintamente como é feita a abordagem em Biossíntese ao tema:

- A felicidade não é nunca absoluta, tem momentos, é impossível estar em transe permanentemente, porque frustramos e ficamos insatisfeitos e conforme vamos evoluindo algo me move. É feita de momentos e se possível visitada com assiduidade.

- É um estado e não uma condição. Algo que se sente e quando sinto, se estou consciente do meu eu, é de facto real, é algo profundo, desde a ponta do dedo do pé até à ponta dos cabelos.

- Dá trabalho e precisa tempo. Não chega parar, ficar ali encasulado e não fazer nada, precisa que a mimemos, a homenageemos, a reguemos, a apreciemos, é algo não permanente e por isso tenho de cuidar. Eu não posso fazer feliz o outro (embora seja o que romanticamente me vendem), ninguém é detentor da felicidade do outro.

- O dinheiro ajuda mas não “dá felicidade”

- As religiões e filosofias não são felicidade, observa-se muita pseudo-espiritualidade em que parece que se não se pertencer a algo não se será feliz. O verdadeiro mestre é quem te ensina a seres tu, há um reencontro não é um deixar-me no colo do outro.

- Estamos em constante mudança. Quando chegamos ao cimo de uma montanha o que fazemos? Continuamos a subir. Já dizia Bucay.

- A coerência do meu eu – se eu sou eu, e tenho gostos, princípios e aptidões, qualidades que descobri, tenho de lhes ser fiel, tenho de cuidar do meu caminho com aquilo que eu sou. Senão vou ficar na angústia e sentir-me perdido. Se eu sou bom a escrever, vou tentar cuidar disso e faço-o nos tempos livres, em part time ou como hobby mas eu não posso abandonar o meu eu. Muitas vezes pergunto aos meus pacientes: se fosses livre, se não tivesses limitações de tempo e de dinheiro o que fazias? Uma paciente disse-me: Dançava. Hoje em dia entra em concursos de dança, continua como professora, mas tem esse seu tempo para se expandir, deixou de ter enxaqueca, passou a dormir melhor… Importa descobrir quem sou eu. Quando a nossa mãe por exemplo nos dizia “não prestas, não vales nada”… já nem sei quem sou. Quando sou castrado a tendência é “brigar”. Perante pai e mãe difícil há quem resista e outros para quem o movimento é a desistência.

- a aceitação da realidade – tal e qual como é, com factos, é difícil. Numa experiência feita numa Universidade, pegou-se num grupo de alunos e deram-lhes ratos para observarem o seu desempenho, dizendo-lhes que os ratos cinzentos tinham pior desempenho geneticamente do que os brancos. No final da experiência, em que se confirmou que o grupo de ratos cinzentos tinha pior desempenho por observação dos alunos, foi revelado que os ratos cinzentos tinham sido pintados. Demonstrando a experiência quanto à prior uma crença pode conduzir a um resultado falso. Não dá que pensar? Por à prior termos algo que “já vestimos”, deturpámos a realidade que temos.

- a aceitação dos desencontros – quando há algo que não controlamos e planeámos de determinada maneira (os controladores quebram, têm febre, derretem, porque aquilo não se esperava que fosse assim), o vínculo fica problemático e acontecem muitas coisas. Desencontros acontecem. Tenho direito à indignação, mas chega um momento em que tenho que aceitar, como o pai alcoólico que vou ter que aceitar como sendo a minha realidade, ou o pai ausente, em vez de chegar aos 50 anos à espera que ele me olhe e me receba e me diga algo que nunca vai dizer.

- aceitar, aceitar-se e aceitar os outros mas com entendimento. – A aceitação só existe quando há entendimento profundo, senão é só cognitiva, e se eu fico a conter e a conter mais tarde ou mais cedo vou explodir. Aceitação não é o mesmo que aceitar porque não tenho outro remédio. Temos que aceitar, com entendimento profundo, com serenidade verdadeira, para poder ver essa realidade, como seja o homem ou mulher que me deixou porque deixou de me amar (deixar ir). A aceitação com entendimento é também poder aceitar o que está à minha volta.

- a felicidade é diferente de desejo mas confunde-se. - Quando nos sentimos completos, não quero perder esse meu estado. No desejo, eu estou constantemente a sair do meu estado para procurar o que me falta, para ter felicidade, quando na verdade quando estou bem comigo mesmo as coisas surgem. Quando me encontro no meu eu, centrado, fico disponível onde quer que esteja para o que a vida me tenta dar. É como ir para a Índia para se encontrar quando na realidade é melhor encontrar-se primeiro e depois ir lá. Não quer dizer que não seja bom desejar.

- distinguir necessidade do imprescindível. – É diferente. Aprendi isso de forma muito simples fazendo malas de viagem que depois se perdiam… para evitar tudo isso o melhor é viajar com o imprescindível, o indispensável mesmo. Para mim foi importante perceber que não precisamos de bagagem nenhuma e ás vezes é bom perguntar se sem a nossa vida de consumismo não viveríamos muito melhor.

- apego/ falso apego – é apego quando sem essa coisa eu sinto que me fragmento. Se não saio de casa sem aquele anel por exemplo pois sem ele não me sinto vestida, ou sem o carro… parece que me sinto sem chão, preciso de coisas exteriores. Apego às pessoas é outra coisa: a dependência, a simbiose… o outro não pode ser detentor da minha felicidade, o que acontece muitas vezes é o falso apego ou o falso desapego. Encontro pessoas que dizem: “eu não posso perder mais nada porque não tenho nada” a pessoa sente que perdeu muito e sente que não tem nada. Em vez de ser e depois ter, precisa de ter para ser.

Mas o tema de hoje é felicidade, fluir e ser. Sem entrar em contacto com o nosso ser não vai ser possível fluir e sermos felizes. Sabem a história da cebola: camadas e camadas, retiramos uma ao retirar certa frase do meu pai que não tem a ver comigo, porque por exemplo eu sou uma menina e o meu pai queria que nascesse um menino. Despirmos isso tudo e ficar nus desprovidos de todas essas camadas que nos cobrem e não nos deixam chegar a esse centro de nós.

A seguir, passou-se a uma parte prática. Caminhou-se, respirou-se, sentiu-se o corpo, e lançou-se a pergunta:

Se eu só fosse eu, e fosse possível ser mesmo só eu, qual era a coisa que eu faria?

Inspirava-se a pergunta e expirava-se a resposta para si mesmo, partilhando-a depois com uma a duas pessoas. A seguir ancorava-se isso no próprio corpo de cada um, sendo diferente para cada um e trabalhando em pares.

Falou-se na forma de trabalho na psicoterapia corporal. O nosso corpo guarda a memória emocional. A alma precisa de movimentos lentos.

No final levamos connosco as 3 máximas do caminho da felicidade (originário de S.Francisco):
- força para mudar aquilo que posso mudar na minha vida
- serenidade para aceitar o que não posso mudar na minha vida
- sabedoria para distinguir entre uma e a outra.

Como já dizia Raúl Solnado:" Façam o favor de Ser Felizes."

7 de setembro de 2010

Diz-se alguém com “garra”, que vive em equilíbrio consigo e com o mundo. Mas nem sempre foi assim. Durante anos, Marta, de 39, viveu “à deriva” – a expressão é dela. Lá atrás no tempo, a jovem descontraída e optimista transformou-se numa adulta “cinzenta, e mal com a vida”. O que aconteceu? “Cresci e passei por experiências que me obrigaram a proteger do mundo. Quando isto acontece, criamos camadas sobre a nossa essência, o que por vezes nos provoca uma certa apatia, inclusivamente em relação a nós mesmos”, explica, agora em processo de auto desenvolvimento. Sendo algo intrínseco a todos os seres humanos, o melhor de nós existe e está sempre lá. Por que será então tão difícil, por vezes, trazê-lo ao de cima? Porque escolhemos ignorá-lo, permitimos que nos anulem esse legado ou, no limite, convencemo-nos de que não somos suficientemente válidos para o ter e, como tal, não o podemos ir buscar? As respostas são múltiplas.

Pode ter a ver com a forma como fomos educados -  a liberdade a mais ou a menos que nos foi dada, a medida de amor e desamor que recebemos - e a forma como encaramos e gerimos o que vivemos. Mas também com a influência que algumas pessoas têm sobre nós, embora os especialistas esclareçam que, em parte, somos responsáveis pelo que nos acontece.

A fórmula é simples: as pessoas que não nos valorizam não nos merecem. Logo, há que ter a coragem de as manter longe. É válido nas relações de amizade e de amor.

“Viver as experiências que a vida nos oferece é obrigatório, sofrer ou aprender com elas é uma opção”, defende Matthieu Richard, o monge budista com obra escrita sobre a Felicidade, que esteve em Lisboa a 26 de Maio passado, para uma conferência sobre o tema. Richard defende que este estado de satisfação é uma capacidade que se conquista com algum esforço, exercitando as emoções positivas. E que é possível mudar fisicamente o cérebro por meios dos pensamentos que escolhemos ter.

Todas as pessoas têm capacidades que, activadas, são um caminho para a classificação dos dois especialistas em Psicologia Positiva para dar aos pacientes que duvidam ter estas competências. “A percepção que a pessoa tem de si, às vezes, está desfocada. O que acontece é que estamos muito focados no que pode acontecer-nos de mal e nas características negativas”, comenta Ana Caetano. Em termos evolutivos, as coisas más têm um valor de sobrevivência. “Quem arquivou mais experiências de medo ficou mais preparado para o que pode pôr em perigo a vida.”

Ainda temos “uma educação muito focada no erro. Aquilo em que eu foco a minha atenção é aquilo que acaba por se tornar a minha realidade”. Ana Caetano concorda que certas experiências e a influência de algumas pessoas podem ser obstáculos a esta procura do nosso eu mais profundo. Mas é peremptória: “Não podemos impedir-nos de sentir, podemos é gerir aquilo que sentimos”. A especialista fala na possibilidade de olhar as emoções como se fossem uma bússola: tal como este instrumento, dizem-nos onde estamos e podem orientar-nos.

“As emoções e sentimentos dão-nos muito a perspectiva do que está ao nosso alcance – ou seja, eu sinto-me de determinada maneira, pergunto-me porque me sinto assim; concluo que não quero sentir-me dessa forma, por isso quero ir por outro lado.”

Em matéria de capacidades ou competências, a boa noticia é que não só podemos ir buscá-las quando estão “esquecidas”, como também optimizá-las. A psicologia pode ajudar nesse sentido, sobretudo quando o problema se fica a dever a bloqueios muito concretos, que envolvem medos e angústias. “É preciso ser pró-activo e procurar porque é que eu sou de determinada forma. E, em alguns casos, o que é que eu ganho em pensar sempre o pior”, diz Ana Caetano.

O melhor de nós a nível mais profundo, mais psicoterapêutico, até mais espiritual, está na nossa essência”, defende a psicóloga clínica e psicoterapeuta somática Maria del Mar Cervantes, directora do Centro Português de Biossíntese. Lembra que a nossa essência é um lugar isento de culpas e condicionalismos socioculturais, e que, quando temos acesso a ela, “estamos em contacto com a felicidade e a serenidade, mas também com a capacidade de lidar com as adversidades”.


Muitas pessoas vivem muito longe do que são, das suas melhores qualidades, porque acumulam pela vida fora “impedimentos, falsas visões, auto-enganos, frases que lhes foram ditas e uma ou outra imagem deturpada”. E defende que o contacto de cada um com o seu melhor passa por um trabalho profundo de entrega e compromisso. Apresenta a Biossíntese como uma forma de lá chegar – a psicoterapia somática como uma abordagem multidimensional do ser humano, que constitui a “integração da vida”.

Ao contrário da ruptura com o que se foi acumulando ao longo dos tempos, sejam falsas visões, sejam experiências dolorosas – a que Maria del Mar se refere como “as máscaras que vamos acumulando” - , a especialista propõe a integração das mesmas. Esta integração “faz-se de forma serena, homenageando o passado que nos acompanhou – Coisas que já não nos sirvam, como a vergonha excessiva, o stress e a tensão, mas que, em algum momento, nos foi útil”. O objectivo de integrar estas camadas que foram obstruindo a nossa essência não é ficar perfeito, iluminado ou curado, sublinha, “mas o de estar a caminhar sempre e a melhorar sempre, como ser humano, descobrindo o que se é e o que nos faz pulsar”, de forma a atingir cada vez mais um estado de satisfação. “Precisamos de regredir para progredir”, conclui.

Ana Caetano apresenta o brainspoting como via para trazer ao de cima o melhor de nós. Justifica-se tanto mais quanto o bloqueio se fique a dever à vivência de experiências traumáticas. A outra via igualmente eficiente é o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing, em português Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular).

Independentemente da abordagem que se escolha, é importante rodearmo-nos de pessoas boas que gostam de nós e de quem nós gostamos, e de nos mantermos perto de quem nos valoriza.

Artigo: Julia Serrão | Revista MÁXIMA | Outubro de 2010

6 de setembro de 2010

A arte de aprender a fluir


A nossa possibilidade de fluir permite-nos, por exemplo, estar em consonância com os nossos cinco sentidos e utilizá-los em algo que gostamos de fazer.
Deixarmo-nos surpreender, sermos curiosos, descobrir pequenos prazeres e saboreá-los, gerir sem stress o tão precioso tempo.
Sorrir mais, sermos criativos, acreditar em nós, arriscar, não ter medo das emoções fortes......
Este será um Workshop de encontro comigo mesmo.
Com o meu cuidador interno verdadeiro, descobrindo se realmente me cuido para - fluir e sentir a felicidade...

Dia: 14 de Setembro de 2010 (terça-feira)
Local: CPSB - Av. 5 de Outubro, nº 122 – 5º Esq.
Horário: 18h30 às 22h30
Preço: 5€ associados / 10€ não associados
Confirmação obrigatória para: 21 793 53 26 ou geral@cfpsb.com
Formadora: Dra. Maria Del Mar Cervantes, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese e Directora do CPSB.

1 de setembro de 2010

Renovando Freud

Uma pessoa repousando sobre um divã, o psicoterapeuta atrás, escutando e tentando saber qual é o mal do paciente. Esta imagem, tão relacionada com a figura de Sigmund Freud e a sua psicanálise, mudou. Outras correntes, outras especialidades que abarcam mais do que a análise puramente psicológica do ser humano também encontram lugar na realidade actual. Entre essas correntes encontra-se a Psicoterapia Somática em Biossíntese, que trabalha “o pensamento, a emoção, o movimento, a parte energética e espiritual” do ser humano.

Nestes momentos, precisamente, o Instituto de Psicologia Integral Baraka, que se encontra na Rua de San Juan de Donostia, acolhe uma Pós-Graduação de especialização para aqueles que desejam aprofundar essa corrente. A Pós-graduação é leccionada em 35 países do mundo, tem uma periodicidade de 3 anos, 1.000 horas repartidas por 8 fins-de-semana no ano. os alunos, com perfil de psiquiatras, psicólogos, médicos, psicoterapeutas e professores, entre outros grupos afins, trabalham em workshops, onde se mistura teoria e prática, e onde cada um será tanto paciente como terapeuta.

Para a primeira sessão, levada a cabo este fim-de-semana, a Pós-graduação contou com a participação de Maria del Mar Cegarra, psicóloga clínica, psicoterapeuta somática em Biossíntese e co-directora do Centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese em Portugal. Maria del Mar explicou que na sua experiência pessoal como psicóloga clínica tinha conhecido diferentes técnicas, “algumas muito boas para o corpo, outras muito boas para o espiritual, outras só para o patológico, e outras só para o verbal”, mas só com a Biossíntese conseguiu “integrar todo esse conhecimento e dar a cada pessoa o que precisa”.

Não é em vão que uma das particularidades desta corrente é que oferece uma resposta concreta aos problemas de cada paciente, uma vez que cada terapia “é única, personalizada e para cada pessoa será diferente”. “Um que para uma pessoa é bom – continuou – para outra é veneno”. Observou também que cada sessão é distinta para cada um e esta começa com uma conversa e chega um momento em que surge “algo que se pode aprofundar, por exemplo, através do corpo”. O toque terapêutico, uma massagem e, inclusivamente, a dança, entre outras, podem ser empregues como medida terapêutica.

Outro factor a estudar: A espiritualidade

A Bíossintese também tem em conta a “espiritualidade verdadeira”, entendida como aquela que não tem de estar ligada “nem a Tao, nem a Buda, nem a Jesus Cristo”. Ainda assim, os credos também ajudam. “O ser que é também espiritual, para além de psicológico, é um ser que está numa harmonia muito maior com tudo o que o rodeia, desde o céu à Terra, aos elementos, às pessoas, à Humanidade, ao cosmos. E se nisso Jesus Cristo, Buda ou Alá ajudam, tanto melhor”, afirma Maria del Mar, ao mesmo tempo que acrescentou “todos os credos são respeitados”, mesmo que a própria Biossíntese não contemple nenhum.

Para esta corrente, a espiritualidade é alcançada na maturidade do ser humano, quando este quer “conectar-se com algo superior” e atingir uma “consciência mais alargada, mais do aqui e agora, ver o mundo de uma forma mais global, contactar muito mais com a natureza”. A espiritualidade em Biossíntese – também chamada Bioespiritualidade – é uma “base sólida de sentir-se integrado no todo que nos rodeia”.

Entrevista dada pela Dra Maria del Mar ao Jornal Noticias de Gipuzkoa (Espanha) Domingo 21 de Março de 2010

30 de agosto de 2010

Medo do Compromisso

São muitas as formas em que aparece o tema do medo do compromisso entre o casal.

Uma queixa bastante difundida é a queixa das mulheres solteiras ou separadas acusando os homens da sua falta de compromisso. Daria a impressão de que os homens não são tão apressados como as mulheres em comprometer-se. Esta constatação geral não significa que as coisas não possam ser exactamente ao contrário. Mas o outro, percebendo de certa forma a armadilha ou a dificuldade, distancia-se.

O medo do compromisso tem como base o temor à entrega, o medo do amor e suas implicações. É muito difícil entregar-se verdadeiramente. Pode haver um casal, pode haver um casamento de anos e mesmo assim pode não haver entrega.

Quando nos entregamos estamos em carne viva, sentimos intensamente e aproximamo-nos do mais apreciado tesouro: ser queridos incondicionalmente.

Quando o amor se dá na sua plenitude e sentimos que todos os nossos aspectos são incondicionalmente aceites, entramos num estado de paz que nos ajuda a aceitar todas as nossas partes e podemos experimentar a sensação de finalmente no sentirmos completos. Mas não existem mapas para a aventura do amor, não sabemos por onde irá, não podemos prendê-lo ou controlá-lo, não podemos garantir que o outro estará lá para sempre. O outro é o outro e corremos o risco de ser feridos.

Chegar ao bem-estar da intensa conexão que vem da verdadeira entrega, abre a possibilidade de perda desse bem-estar, aparecendo assim o medo. Esse temor é representado em dois medos básicos que aparecem nas relações íntimas: o medo do abandono e o medo da invasão. Há temores que trazemos desde as nossas primeiras relações significativas e que a vida em casal aviva.

Quando éramos crianças, apareceram as nossas primeiras frustrações, é assim que sofremos as primeiras sensações de não ser amados da forma que nós precisamos, ou não nos sentirmos suficientemente valorizados. Da mesma forma, de acordo com o comportamento dos nossos pais, podemos ter sofrido o temor de ser invadidos emocionalmente. Em qualquer caso, procuramos recursos para nos defendermos. Assim criamos uma "personalidade".

A personalidade pode ser vista como uma tentativa de nos defendermos da dor do abandono ou do medo da invasão. É uma construção que cria estratégias para ser amados ou para não ser invadidos, conforme seja o caso. Mas essa personalidade é uma couraça, um escudo defensivo que nos afasta do que sentimos, das nossas necessidades, enfim, do nosso ser.

A personalidade é frágil, tem medo da entrega e, se nos ajuda a funcionar em certas circunstâncias, nos relacionamentos íntimos, pode tornar-se num travão que nos impede de contacto verdadeiro com o outro, quando, sem percebermos, cria comportamentos que nos impedem a entrega já que "se eu não me der não estarei sujeito a qualquer perda ou invasão." A personalidade "defende-nos" dessa possibilidade com uma estrutura estável e previsível. De certa forma, parece ser uma vantagem ter uma “personalidade estável”, mas essa força e segurança vai-se transformado em rigidez e medo de ser desestabilizado.

E o amor destabiliza-nos, o amor dá medo, porque não ouve os nossos argumentos racionais, segue o seu próprio caminho, não podemos controlar, "perdemos a cabeça." Podemos escutar o amor, podemos segui-lo, mas não podemos controlá-lo. Quando nos abrimos a ele fazemo-lo à possibilidade de perdê-lo. É assim que o compromisso, a entrega ao amor, nos confronta com a nossa vulnerabilidade.