8 de outubro de 2018

Psoas as Messenger of The Midline Psoas como mensageiro da linha média de Liz Koch


O artigo que se segue foi retirado de Stalking Wild Psoas: Embodying Your Core Intelligence (North Atlantic Books 2019) e adaptado para o blogue e newsletter do Centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese. Todos os direitos reservados @ 2018 CoreAwareness ™

Moldado por fluxos de informação pessoal, social e global, o psoas responde não apenas aos sinais de stress, mas também aos impulsos que agitam o coração e ressoam profundamente nos ossos. Ativado por um feixe de luz captado pelo olho, um calor sentido na pele, um zumbido vibrando no ouvido, uma crença profundamente guardada no coração, quando é dada uma real atenção e valorização a estas mensagens, dá-se ao cliente e ao psicoterapeuta a capacidade inestimável de ser responsivo em vez de reativo.
Shaped by personal, social, and global flows of information, psoas responds to not only stress signals but also impulses that stir our heart and resonate deep within our bone. Activated by a flash of light caught by the eye, a warmth felt on the skin, a buzz vibrating within the ear, a belief held deep in the heart, paying close attention and valuing these messages gives both client and clinician an invaluable ability to be responsive rather than reactive.


Compreender o poder que o psoas tem para nos dar informação do que surge profundamente de dentro de nós é algo que não pode ser subestimado. Muito para além da sua definição anatómica, o psoas é um mensageiro da nossa linha central. Neste contexto, o papel do psicoterapeuta somático é aprender a linguagem do psoas.
Understanding the power of the psoas to inform us from deep within cannot be underestimated. Much more than its anatomical definition, psoas is a messenger of our core midline. Therefore the role of the somatic-therapist is to learn the language of psoas.

Emergindo do núcleo do nosso centro, bem atrás dos órgãos e dos principais caminhos arteriais, o psoas sinaliza respostas de sobrevivência. Este mensageiro primitivo transmite interrupções e compensações que ameaçam a integridade do centro. Explorar essas expressões biológicas do centro, ou seja, aquilo que defini como "stalking the wild psoas”, fornece uma estrutura para entender como o psoas se comporta de formas bem diferentes de outros tecidos. Mais do que um órgão de percepção, a assemelhar-se à nossa língua, inteligente, esse tecido primitivo sinaliza se estamos ou não fora de sincronia com o campo gravitacional da Terra. Por outras palavras, o psoas informa-nos se estamos seguros ou não. Codificado com respostas de sobrevivência que ativam instantaneamente uma resposta de perigo, o psoas é tanto subtil quanto cambiante, expressando tanto medo (sobrevivência) quanto prazer (florescimento).
Emerging from the center of our human core deep behind organs and major arterial pathways, psoas signals survival responses. This primal messenger relays disruptions and compensations that threaten core integrity. Exploring these biological expressions of core or what I have coined “stalking wilding psoas,” provides a framework for understanding how psoas behaves quite differently than other tissue. More of an organ of perception, something more akin to our clever tongue, this primitive tissue signals whether or not we are out of sync with the earth’s gravitational field. In other words, psoas messages whether are we safe or not safe. Encoded with survival responses that instantaneously ignite a response of danger, psoas is both subtle and nuanced, expressing both fear (survival) and pleasure (thriving).

Do ponto de vista embriológico, o psoas forma-se tecido inteligente que cresce a partir de uma linha média vibrante e inteligente: nosso eixo central. Literalmente filé mignon, o psoas saudável é suculento, maleável e responsivo. O psoas saudável dinâmico e expressivo é demonstrado na onda de corpo inteiro de um orgasmo.
Employing the embryological paradigm, psoas becomes smart tissue, growing out of a vibrant, intelligent midline: our central axis. Quite literally filet mignon, healthy psoas is juicy, supple, responsive tissue. Dynamic and expressive healthy psoas is demonstrated in the full body wave of an orgasm.


Eu exploro o psoas e a integridade do centro de uma forma muito diferente da maioria das pessoas que trabalham campo da saúde e bem-estar, sendo que a maioria dos profissionais tem aprendido abordagens biomecânicas para melhorar a função e / ou para remediar lesões e traumas. Ao integrar uma abordagem embriológica e biomórfica, reconhece-se e trabalha-se com gestos biológicos e explorações que ampliam e dão suporte à expressão do nosso centro. O resultado não pretende ser catártico, mas sim melhorar a função geral, o movimento e a saúde. Ao voltarmo-nos para, ao invés de ignorarmos, o nosso sistema sensorial interno, damos permissão para que a nossa inteligência inata possa dissolver constrições, transformar processos e inovar novas formas de ser.
I explore psoas and core integrity very differently than most people in the health and wellness field as most professionals have been taught bio-mechanical approaches to improve function and /or to remedy injury and trauma. Employing the embryological and biomorphic approach recognizes and works with biological gestures and explorations that enhance and support core expression. The result is not intended to be cathartic but to improve overall function, movement, and health. By turning toward rather than overriding our internal sensory system allows our innate intelligence to dissolve strictures, change processes, and innovate new ways of being.
  
O psoas fala não apenas de comportamentos dissociativos e de perturbação da propriocepção, mas também de uma série de outras estratégias adaptativas que podem interromper a coerência, a autoeficácia e o conhecimento direto. Voltarmo-nos para a percepção direta, com uma sincera atenção aberta, é uma maneira poderosa de despertar não apenas um centro dinâmico, mas também para a plenitude da vida.
Psoas speaks not only to dissociative behaviors, and disrupted proprioception but also to an array of other adaptive strategies that can interrupt coherency, self-efficacy, and direct knowing. Turning toward direct perception with a heartfelt open attention is a powerful way of waking up not only a dynamic core but also to the fullness of life.

Durante os dias 15-18 de Novembro, Liz Koch estará em Lisboa, no CPSB, a partilhar os seus 42 anos de experiência em contexto de formação vivencial intensiva de aprofundamento do psoas.
Para mais informações, contacte Maria d’Aguiar em psoasworkshoplisbon2018@gmail.com



Liz Koch é professora e autora internacional com 42 anos de experiência trabalhando com foco em inteligência cinestésica e consciência somática para o desenvolvimento do potencial humano. O criador do CoreAwareness ™ Liz Koch dedica-se a educar aprendizes e profissionais sobre o psoas, o tecido do centro. Ela é a autora do livro The Psoas Book, Unraveling Scoliosis CD, The Psoas & Back Pain CD, Core Awareness; Enhancing Yoga, Pilates, Exercise and Dance e é o co-autora de Manifesting Health and Happiness and the Crone in Maiden, Mother, Crone: Our Pleasure Play List
O National Certification Board for Therapeutic Massage and Bodywork (NCBTMB) reconhece Liz Koch como um provedora aprovada de educação continuada. O seu website www.coreawareness.com oferece podcasts gratuitos, artigos, vídeos e cursos on-line.

28 de setembro de 2018

Mitos da Psicoterapia

Existem alguns mitos que ensombram por vezes o processo de psicoterapia. Vamos visitar alguns deles!
  • A psicoterapia é para os malucos!
Na realidade, e cada vez mais, a psicoterapia (e principalmente dentro das psicoterapias humanistas) tem tido um papel fundamental em pessoas que não sofrem de uma doença mental, mas sofrem na sua vida. Todos passamos por fases mais difíceis ou até mesmo disruptivas. A forma como cada um lida com isso é diferente, e por vezes, apesar de termos em nós tudo o que precisamos, não conseguimos aceder à nossa valiosa caixa de ferramentas. Esta caixa é única e muito especial, e todos temos a nossa. A psicoterapia também ajuda a identificar o que está dentro dela. Há também um papel preponderante no autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, uma vez que nestes processos, o indivíduo pode olhar para dentro de si e tomar conta de todo um mundo interno que por vezes grita para ser ouvido.
E outras vezes apenas precisamos de ter alguém que nos olhe, que nos oiça e que não nos julgue… Por isso não, a psicoterapia não é para os malucos.
  • Se faço psicoterapia, demonstro que sou fraco e que não sei lidar com os meus problemas.
Pedir ajuda não é um passo de fraqueza mas de muita coragem. A própria decisão de fazer psicoterapia e ir a uma primeira consulta é um passo muito importante que pode antever uma revolução interna. Num mundo de aparências onde todos temos de demonstrar que estamos bem, torna-se difícil admitir que não estamos bem e que precisamos de ajuda. Mas tal como uma perna partida precisa de gesso e muito descanso (e está à vista de toda a gente), uma enorme tristeza ou ansiedade também precisam de cuidado. A questão é que todos compreendem a perna partida e a vêem – “foi um acidente”, dizemos nós. Mas o que se passa dentro de nós de sombrio, assustador, nós queremos esconder, tapar e fingir que não existe. E isso nunca é uma boa solução. É como varrer para debaixo do tapete…
  • Fazer psicoterapia é caro!
Como em tudo, fazer psicoterapia requer um investimento, até porque nas primeiras visitas é aconselhável que as consultas sejam semanais. Ainda assim, se for o terapeuta certo e se o processo der frutos, este é um investimento precioso, pois na realidade o indivíduo investe em si próprio.
Alguns locais ou psicoterapeutas fazem atendimento em formato de clínica social, onde, com base nos rendimentos de cada um, o valor da consulta é ajustado.

No CPSB existe uma Clínica Social, onde pode ser atendido por um valor ajustado aos seus rendimentos. Informe-se - geral@cfpsb.com | 217935326.
  • Eu tenho muitos amigos com quem falar, não preciso de fazer psicoterapia!
Claramente que estarmos rodeados por pessoas que gostam de nós, que nos ouvem quando precisamos, é muito importante. Mas se há uma questão mais fraturante a tratar, é fundamental pedir ajuda a um profissional. Na psicoterapia e durante a sessão, o foco é o cliente. Tudo com base no conhecimento do terapeuta, que é um profissional que deve estar sempre a atualizar-se.
  • Não quero contar os meus segredos. E tenho medo do que o terapeuta vai pensar de mim.
Não é necessário desvendar todos os seus segredos na terapia, e o psicoterapeuta está preparado para ouvir aquilo que estiver preparado para partilhar. Sem julgamento, num espaço seguro e sem pressas.
  • Será que o psicoterapeuta vai contar a alguém o que eu lhe disse?
Este espaço seguro é também um espaço de confidencialidade: tudo o que é ali dito, fica lá.

Texto de Ana Caeiro
Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese 
www.psicoterapiacorporal.pt | psicorporal.bio@gmail.com

Foto de topo de Matheus Ferrero em Unsplash

21 de maio de 2018

Aqui e agora?

Desde há algum tempo e através de inúmeros autores, como Eckhart Tolle, autor do livro “O Poder do Agora”, que se fala em estar “aqui e agora”. O mundo ocidental recebeu esta dádiva do conhecimento sobre estar no momento presente sem estar agarrado ao passado, que não pode mudar, e sem se perder no futuro, que é desconhecido. Acrescentando o aqui, podemos remeter para a importância da corporificação onde, em vez de nos perdermos nos nossos pensamentos, estamos em contacto com o nosso corpo e tudo o que compõe (pensamentos incluídos!), há um território físico onde nos encontramos e onde nos sentimos presentes. Mas, como em tudo na vida, Tolle informa-nos que também aqui é preciso ter conta, peso e medida, ou seja, obter algum equilíbrio e clareza sobre o que é estar no aqui e no agora.
De facto que estar aqui e agora é promover uma certa liberdade das amarras neuróticas do nosso passado, da nossa história, assim como sentir o desprendimento do controle das coisas futuras, nebulosas e desconhecidas. No entanto, é importante reconhecer que é muito difícil chegar a um estado de quase iluminação no qual estamos no aqui e agora a todo o momento. Ainda assim, na busca por este el dorado, creio ser importante encontrar um equilíbrio saudável, ou seja, neste trio – passado, presente e futuro – não ficar só pelo cantor, pois sem os outros não temos a banda completa.
Entrar num registo de procurar o presente renegando o nosso passado é um erro. O nosso passado existe e acompanha-nos. É a nossa história e é de onde vimos. Por vezes temos traumas escondidos ou existem coisas das quais nos envergonhamos ou arrependemos, mas estão lá. Fazem parte da nossa história e moldaram a nossa forma de ser e de estar. E virar as costas a algo que nos trouxe até aqui é sair de casa sem chapéu-de-chuva quando já está a trovejar.
O mesmo se passa para o futuro e aqui o grande erro é viver numa espontaneidade falsa na qual não importa o amanhã. Sim, de facto não é bom dar corda à neurose da expetativa, mas fazer planos não tem porque ser neurótico. Pensar nos nossos projetos futuros, o que queremos para nós e como organizar a próxima semana na agenda não é ser rígido ou controlador. E fugir das responsabilidades com a capa do “aqui e agora” também é uma armadilha que pode surgir.
Como em tudo o que é objeto de reflexão importa sempre olhar para nós, em determinadas temáticas e questionar: onde está o equilíbrio, para mim?
Texto de Ana Caeiro - Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese
Site: http://psicoterapiacorporal.pt/
E-mail: psicorporal.bio@gmail.com

Foto de Noah Silliman em Unsplash

29 de março de 2018

Chorar lava a alma?

Dizem que chorar lava a alma, mas também dizem que os homens não choram. Diz-se muito daquilo que se sente. Assim que nascemos temos de chorar, para depois aprender a não o fazer. Aprendemos que essa é uma fragilidade que devemos esconder numa gaveta, junto com as lamechices, os corações cor-de-rosa, as festinhas e o “amo-te”.
Tal como tudo aquilo que podemos fazer como seres humanos otimizados que somos, o choro tem uma função, é importante. Da mesma forma que o medo tem uma base funcional importante na nossa vida, o choro é também essencial e não deve ser contido ou controlado. O problema surge quando aprendemos a lidar incorretamente com esta função que o nosso corpo sabiamente desenvolveu.
Saímos do túnel escuro ontem estivemos mais de 9 meses e todos os seres estranhos e de batas brancas que estão neste espaço tão iluminado ficam aliviados quando choramos. Depois deste momento, o choro é um aviso, uma arma e um problema. Servirá de termómetro enquanto os bebés vão crescendo. É uma arma quando o usamos como um meio para chegar a um determinado fim. É um problema porque se limitam as crianças desde bebés a não largarem as suas lágrimas, a não partilharem as suas águas com o mundo. Faz barulho. Não nos deixa dormir. Mostra fragilidade. Entre outras e outras e outras.
Passamos uma vida a não chorar. Contemos. Engolimos as emoções porque não é bonito mostrar. Então elas ficam, com armas e bagagens na nossa barriga que às vezes incha voluptuosamente, deixando antever um mar de sentimentos engasgados.
Quando decidimos olhar para nós, seja em terapia ou em trabalho de desenvolvimento pessoal, temos de olhar para esta nossa barriga. É preciso fazer abdominais emocionais para deixar sair aquilo que já não nos serve e que não conseguimos guardar mais. Mas estes abdominais são mais difíceis que os normais. Mais do que ao corpo, fazem doer a alma. Ou assim parece. É por isso que os primeiros choros da vida adulta são insuficientes. Não são conectados, não lavam a alma e deixam-nos zonzos com a respiração que se (re)estabelece e com o chute de energia que sobe à cabeça e aos olhos em particular. Não choramos com a barriga e a descarga é falsa: há apenas a movimentação de alguma tensão de um lado para o outro no corpo. Mas nesta fase podemos continuar desconectados mas há o ressurgimento de uma vontade de olhar de uma forma diferente.
É quando mergulhamos intensamente em nós que navegamos na possibilidade de nadar nas nossas lágrimas: o choro é conectado e vem dessa barriga tão cheia que precisa de extravasar, mas delicadamente, pulsando lágrima a lágrima em cada inspiração e expiração.
Texto de Ana Caeiro - Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese
Site: http://psicoterapiacorporal.pt/
E-mail: psicorporal.bio@gmail.com

Foto de Volkan Olmez em Unsplash