17 de outubro de 2017

A melhor fase da nossa vida!

A melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desafio é precisamente esse. Pensei neste tema enquanto olhava para o meu filho e pensava: é a melhor fase da vida dele. Ponderei vários motivos, entre eles a despreocupação de um menino de 3 anos, com a vida pela frente. Mas depois pensei: ainda assim, tem tantos desafios… Sim, se calhar a melhor fase é depois da adolescência, quando entramos na vida adulta, começamos a trabalhar e sentimos que vamos na direção de algo, que somos capazes! Depois pensei em mim: a imaturidade emocional era grande. Havia um grande sentido de responsabilidade, de ética e de funcionamento, mas a nível emocional ainda existia um mar para navegar.

Fiquei então na bruma. E ao refletir um pouco concluí algo que pode ser um cliché, mas que é algo que podemos desejar e procurar encontrar: a melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desprendimento temporal a tempos antigos da nossa vida, leva-nos a acreditar, de uma forma algo ingénua, que lá para trás fomos muito felizes, apesar dos percalços. O negativo fica esbaforido na contagem do tempo ou, deturpadamente, fica numa forma ilusória como algo “que não foi tão mau assim”. A par disto, as coisas boas crescem, valorizam-se e, quais portugueses saudosos, olhamos para os eventos do nosso passado como os “melhores”, os mais “preenchidos”, os mais “felizes”.
Mas podem ser apenas ilusões. O desafio maior que temos nas nossas vidas não é sermos felizes, é estarmos na melhor fase das nossas vidas, precisamente no momento em que nos encontramos, com tudo o que isso traz. Sejam encontros ou desencontros. Pode parecer ilógico de algum ponto de vista, pois o ser humano não quer sofrer, mas na realidade, o passado não existe e o futuro ainda não se fez. Residem dentro de nós e podem ter um poder abissal e descontrolado. A grande aprendizagem é estar presente no momento em que nos situamos, conectados, aceitando o que surge. Essa aprendizagem é a vida!
Texto de Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese
psicorporal.bio@gmail.com
http://psicoterapiacorporal.pt/
Foto de Ruslan Zh em Unsplash

11 de outubro de 2017

A música em contexto terapêutico

A música é uma linguagem universal. Em todas as épocas e culturas teve e continua a ter um papel importante. De acordo com vários autores, a espécie humana é, por natureza, produtora e recetora de sons. No desenvolvimento psico evolutivo os estímulos sonoro musicais influenciam e contribuem para a consolidação da personalidade e na definição da identidade (Sabbatella, 2002).

Fazem parte dessa Identidade Sonoro Musical as seguintes componentes (Sabbatella, 2002):
  • Sons corporais internos: ritmo cardíaco, ruídos dos intestinos, fricção das articulações...
  • Sons corporais externos: caminhar, respiração, sons involuntários...
  • Características da voz falada e cantada: registo, intensidade, timbre...
  • Musicalidade da linguagem (elementos sonoro-musicais da linguagem verbal): inflexões e variações da forma rítmica e melódica da fala, velocidade e expressividade verbal, expressões onomatopeicas utilizadas para acompanhar a expressão verbal, forma particular de gritar, rir, chorar...
  • Ambiente sonoro-musical cultural: músicas tradicionais, música popular, contaminação sonora...
  • Ambiente sonoro-musical familiar: formação musical dos pais, ambiente de estímulo sonoros e de atividades musicais...
  • Gostos e preferências sonoro-musicais individuais: sons agradáveis/ desagradáveis, estilo musical preferido...
  • Aptidão e capacidade musical individual

As características sonoro-musicais que definem o indivíduo e formam a sua identidade desenvolvem-se desde o ventre materno e organizam-se a partir de uma série de elementos que evoluem no tempo dentro de um determinado ambiente socio-cultural e familiar.

A música converte-se assim numa ferramenta que permite à criança (e posteriormente ao adolescente e adulto), adquirir a noção de gosto e preferência musical e diferenciar-se dos pais e dos pares através desta identidade sonora individual. Nesse sentido, a experiência musical contribui para o reconhecimento, diferenciação e identificação pessoal e para a definição de identidade.

Participar em atividades musicais e desenvolver habilidades musicais específicas pode proporcionar um ambiente propício para participar em experiências de êxito, obtendo benefícios físicos, emocionais, cognitivos e sociais.


Resposta a estímulos sonoros

A literatura reconhece que, apesar de haver características comuns, as respostas à música são individuais; as condições socioculturais e a história pessoal modificam a perceção e as respostas à música: perante um mesmo estímulo musical os sujeitos podem responder de forma diferente devido às influências de fatores como a formação musical, os gostos e as preferências musicais, a predisposição do indivíduo em receber o estímulo sonoro, a situação (se espera ou não o estímulo), a presença ou não de uma patologia neurológica ou psiquiátrica (Sabbatella, 2002).

A música, como uma das Belas Artes, possui qualidades psicológicas e terapêuticas inerentes à própria arte (Poch Blasco, 2002):
1. Poder de sugestão e fantasia.
2. Poder de projeção.
3. Relação arte-sonho.
4. Realização imaginária de desejos inconscientes.
5. Tentativa de síntese ou de condensação.
6. Tentativa de solução.
7. Função catártica.
8. Capacidade libertadora.
9. Função de comunicação.
10. Tipo de linguagem.
11. Processo de exploração.
12. Fenómeno social de pergunta e resposta.
13. Medicina preventiva.

A música tem vários efeitos e qualidades: efeitos bioquímicos, efeitos fisiológicos, respostas musculares e motoras, respostas cerebrais, efeitos psicológicos, efeitos sociais e efeitos espirituais. De acordo com as características musicais específicas, as respostas dos indivíduos à música que mais se analisam são:
  • Respostas fisiológicas: frequência do ritmo cardíaco, frequência respiratória, respostas galvânicas da pele, sudoração, tensão muscular, secreção hormonal, secreção gástrica, etc.
  • Respostas neurológicas: excitação das diferentes áreas do córtex cerebral, do sistema límbico, cerebelo, sistema nervoso autónomo, etc.
  • Respostas psico-emocionais: atenção, motivação, memória, participação em atividades, grau de comunicação, etc.

A música em terapia

A música é o meio ideal para descobrir quem é o cliente e como se expressa no mundo, no que se refere à criação e à própria manutenção da identidade, uma vez se torna não só um meio de diagnosticar os problemas do cliente, mas também uma forma a partir da qual o cliente expressa as suas necessidades e a sua problemática convertendo-se num meio de expressão psicopatológica.

Um som, uma música, uma canção podem produzir, tanto respostas motoras, como emotivas, como orgânicas, como de comportamento que comunicam (Sakai et al., 2004).

Para Bruscia (2000) através da música transformamos “as nossas sensações corporais internas, os nossos movimentos, sentimentos e ideias em formas sonoras que podem ser ouvidas”. A música “permite expressar os nossos corpos através do som – vibrar e fazer soar as suas várias partes de forma a poderem ser ouvidas. Quando cantamos ou tocamos instrumentos, libertamos a nossa energia interna para o mundo externo fazendo o nosso corpo soar, dando forma a nossos impulsos, vocalizando o não dizível”.


 “A possibilidade de comunicar sem usar a palavra,
abre todo um campo que permite estabelecer novos vínculos.”
Rolando Benenzon

Texto de Catarina Lourenço de Carvalho
Site: http://musicterapiacorporal.wixsite.com/musicoterapia

Referências
Ansdell, G. (2000). Music for Life. Aspects of Creative Music Therapy with Adult Clients. London: Jessica Kingsley Publishers.

Benenzon , R. (1991). Teoría de la musicoterapia. Bilbao: Mandala.

Bruscia, K. (2000). Definindo Musicoterapia. Rio de Janeiro: Enelivros (2ª ed.).

Bruscia, K. (2006). Case studies in Music Therapy. Gilsum: Barcelona Publishers.

Poch Blasco, S. (2002). Introducción a la Musicoterapia. In Musicoterapia 2002. Programa de Formación para Mediadores en Musicoterapia. Libro de Ponencias. Madrid: Confederación ASPACE, FEISD y Confederación Autismo España.

Sabbatella, P. (2002). Musicoterapia y Parálisis Cerebral. En Musicoterapia 2002. Programa de Formación para Mediadores en Musicoterapia. Libro de Ponencias. Madrid: Confederación ASPACE, FEISD y Confederación Autismo España.

Sakai, F. A., Lorenzzetti, C & Zanchetta, C. (2004) Musicoterapia corporal. In: Convenção Brasil Latino América, Congresso Brasileiro e Encontro Paranaense de Psicoterapia Corporais. Foz do Iguaçu. Centro Reichiano, 2004. CD-ROM. [ISBN - 85-87691-12-0]

25 de setembro de 2017

O desafio da viagem

Um dia, em conversa com uma amiga, falávamos das voltas que a vida dá, dos desejos não realizados e das concretizações inesperadas. Falávamos de mudanças e de estabilidade e, às tantas, ela disse-me: «Não quero mudar absolutamente nada na minha vida. Estou bem assim. Estou confortável como estou, considero-me uma pessoa feliz». Esta afirmação teve em mim um impacto tão duvidoso quanto assustador. Porquê? Simplesmente porque se a vida é um processo em constante evolução, como é possível não querer mudar absolutamente nada? A mudança faz parte do processo natural do desenvolvimento humano, pelo que, seguindo esta perspetiva, há sempre algo a mudar: contactar outras realidades, conhecer pessoas novas, ter uma experiência diferente, ir a sítios nunca vistos… Tudo o que não pertence à esfera do que nos é habitual introduz mudanças na nossa vida. Mas ela não sente essa necessidade, quer a vida exatamente como está. Uma pessoa que não tem vontade de mudar nada recusa-se a crescer, a evoluir, a expandir a sua consciência. Life begins at the end of your confort zone (a vida começa quando saímos da nossa zona de conforto) e quem se acomoda fica condenado a murchar, é só uma questão de tempo.

Pensei em qual seria um dos maiores desafios para sair da zona de conforto: viajar sozinha! «Para mim, seria o cúmulo da tristeza e da agonia. Onde fica o prazer da partilha, das experiências com os amigos, ou melhor ainda, com o namorado?», comentou ela. São questões pertinentes. Viajar em grupo fortalece os laços de amizade. Na partilha de atividades de interesse comum e na vivência de emoções positivas, as pessoas gravam recordações que jamais esquecerão. Porém, quem viaja em grupo está sempre num ambiente seguro e protegido, onde a existência individual nunca é posta em causa. Viajar a dois, por outro lado, consolida a intimidade. Novas experiências vividas em contexto romântico enriquecem a história do casal e marcam o seu percurso. Ainda neste caso estamos em ambiente seguro, pois a existência de um é sempre validada pela presença do outro.

E viajar sozinho? Passamos a anónimos, perdemos a segurança do ambiente social conhecido, deixamos de ter o conforto da companhia familiar, abandonamos referências e certezas para sentirmos uma liberdade tão grande que nos invade as entranhas. Cada momento é uma escolha única e exclusivamente nossa, e cada pormenor é valorizado como nunca: alguém que nos sorri, que nos vê, que nos dirige a palavra… Quanto sentimos na pele o que verdadeiramente é a solidão, a não pertença, a desadequação, ficamos mais recetivos, olhamos para os outros com a comoção de quem não vê ninguém há muito tempo, apreciamos paisagens como se nunca tivéssemos visto nada de semelhante, aceitamos os imprevistos como parte do percurso, abrimo-nos ao desconhecido como fonte de aprendizagem, tornamo-nos mais amáveis, sensíveis, gratos, flexíveis, exploradores, autónomos, prestáveis, comunicadores com essência. Descobrimo-nos capazes de coisas impensáveis, olhamos para o mundo com a inocência e a curiosidade de uma criança ávida por descobrir mais e crescer, aprender, desenvolver-se e sentir-se parte daquela gente. E nesta viagem reconhecemos as nossas potencialidades, assumimos a responsabilidade pelas escolhas que fazemos, escolhas essas fruto de uma autonomia e de um desprendimento de deveres ou obrigações, provenientes apenas do sentir. Ficamos mais abertos ao próximo porque não há nada que nos condiciona; aceitamos a sua dança enquanto nos apetecer. E depois seguimos caminho e ninguém se magoa. Os encontros são momentos que vão marcando a nossa viagem, pois é na solidão que nos sentimos mais ligados aos outros. E quando chegamos ao fim seremos pessoas certamente mais ricas. Recordaremos o sorriso que iluminou o nosso caminho, o encontro que abraçou a nossa alma. Fôssemos nós capazes de levar a vida como uma viagem sozinhos, onde nada é garantido, nada é certo nem seguro, mas onde cada encontro faz a diferença e nos muda. Sozinhos, lá fora, não somos ninguém, mas, quem sabe, somos mais nós próprios. Essa é a mudança mais feliz a que podemos aspirar e só na morte é que a viagem chega ao fim.


Rossana Appolloni
www.rossana-appolloni.pt

31 de julho de 2017

Cada vez mais perto...

“A coisa mais importante de todas é que o corpo é o apoio para a mente. Não seria possível haver uma estrutura mental se não houvesse uma estrutura corporal” António Damásio

 A relação da mente com o corpo tem despertado, em várias civilizações ao longo do tempo, grande curiosidade e motivado grandes discussões de interesse fundamental sobre a natureza humana. As diversas tentativas de responder às questões levantadas neste âmbito provocou, num período mais remoto, o desenvolvimento de um conhecimento com fortes influencias mítico-religiosas. Com o surgimento do pensamento filosófico grego, surge o primeiro momento de mudança do modelo mítico-religioso para um pensamento mais moderno, que promove uma maior sistematização sobre a estrutura e o funcionamento do corpo, da mente, e da relação entre os dois. Nesta altura, surgem tentativas de relacionar a corporalidade (teorias cardiocentristas e cefalocentristas) com as atividades mentais (as emoções, o pensamento, a memória), no domínio da filosofia e da medicina.

Mais tarde, a filosofia de René Descartes (1596-1650) estabelece a distinção entre a res cogitans e a res extensa, traduzindo-se como fundamento para a apreensão do corpo como realidade objetiva, conduzindo à radical separação, consagrada pela medicina dos séculos XVII e XVIII, entre corpo e mente.

Na Alemanha e no Estados Unidos, na década de 1920, surge uma proposta inovadora de ligação da psicanálise à etiologia de algumas doenças, dando origem à Medicina Psicossomática, sendo Helen Dunbar e Franz Alexander os seus fundadores. Esta proposta possibilitou o esclarecimento de possíveis determinantes inconscientes para as doenças, sublinhando que a resposta dada pelo organismo é especifica de cada individuo em função do seu caráter e das suas tendências.

Hoje, embora permaneçam em aberto questões fundamentais sobre a natureza da mente humana, o grande avanço das neurociências tem permitido compreender cada vez melhor o comportamento, assim como os diferentes circuitos neurais associados às diferentes funções mentais. Esta compreensão tem exigido cada vez mais uma postura integradora, em que o estudo da mente, do cérebro e do corpo se encontra em interação plena com o meio ambiente físico e social, ao invés do radicalismo dicotómico entre alma e corpo, mente e cérebro, razão e emoção (Damásio, 1994).

A investigação sistemática desta unidade mente-corpo constitui a base cientifica para a psicofisiologia, enfatizando a existência de uma continuidade entre o processamento neurofisiológico e psicológico (Porges, 2011). O corpo e a mente interpenetram-se, não há uma dinâmica puramente orgânica, nem puramente mental. Embora exista uma especificidade das esferas biológica, físico-química, psíquica, simbólica, social e cultural, além de outras, há uma clara continuidade. Esta perspetiva sincrónica dos eventos psíquicos e corporais valida o trabalho corporal no setting psicoterapêutico, que diversos autores como Reich, Lowen, Navarro, Boyesen, Kelleman, Boadella têm promovido. A meditação, o yoga, o tai chi são práticas que têm constituído um referencial comum importante para o trabalho psicocorporal.

Neste âmbito, torna-se pertinente referir o recente estudo publicado na revista Frontiers in Immunology, em 16 de junho, sobre a eficácia de intervenções mente-corpo (IMC) na reversão de reações moleculares no ADN causadoras de doença.

Este estudo parte das evidências, mostradas em investigações anteriores, sobre a validade das intervenções mente-corpo (meditação, ioga, tai chi, qigong, práticas de respiração) na melhoria da saúde, embora os mecanismos moleculares destes benefícios permaneçam ainda mal compreendidos. A hipótese é que as IMC invertam a expressão de genes envolvidos nas reações inflamatórias que são induzidas pelo stress. Esta investigação - conduzida por investigadores das universidades de Coventry (Inglaterra) e Radboud (Holanda) - constitui uma análise de estudos desenvolvidos ao longo de 11 anos , envolvendo 846 participantes, concluindo que existe um padrão de alterações moleculares no organismo como resultado das intervenções corpo-mente, e que essas alterações beneficiam a nossa saúde.

Quando um indivíduo é exposto a um evento stressante, o seu sistema nervoso simpático, que ajuda o organismo a lidar com situações de stress intenso, é desencadeado fazendo aumentar a produção de uma molécula conhecida como fator nuclear kappa B (NF-kB, sigla em inglês), o qual regula a forma como os nossos genes são expressos.

O NF-kB traduz o stress com a ativação de genes que produzem proteínas conhecidas como citocinas que causam inflamação a nível celular, uma reação útil em situações extremas, mas que se for persistente pode conduzir a um maior risco de cancro, depressão e envelhecimento mais rápido.

Este estudo sugere que quem pratica ICM apresenta uma redução na produção do NF-kB e das citocinas, produzindo uma reversão no padrão de expressão genética pró-inflamatória e uma redução nas doenças relacionadas com a inflamação.

“Estas atividades [intervenções corpo-mente] deixam o que chamamos uma assinatura molecular nas nossas células, que reverte o efeito que o stress ou ansiedade teria sobre o nosso organismo, através da alteração do modo como os nossos genes são expressos.”, afirma a investigadora principal, Ivana Buric.

Embora este estudo se refira às intervenções corpo-mente, no âmbito das práticas de respiração, meditação, ioga, tai chi, qigong, cabe, sem dúvida, aqui também o trabalho desenvolvido nas psicoterapias corporais. A sua inclusão poderá, no futuro, dar continuidade à validação destes resultados, e ainda lançar mais luz para áreas menos clarificadas.

Referências:

Buric, I., Farias, M., Jong, J., Mee, C., Brazil, A. (2017) “What is the Molecular Signature of Mind–Body interventions? A Systematic Review of Gene expression Changes induced by Meditation and Related Practices”. Frontiers in Immunology, junho 2017.
 Damásio, A. (1994) Descartes' Error: Emotion, reason, and the human brain. New York: Putnam, 1994. Porges, S.  (2011) The Polyvagal Theory. W. W. Norton & Company, New York.                                                                                            
                                                                                               Aurélio José Faia - CPSB
                                                                                              E-mail: ajfaia@gmail.com