28 de abril de 2017

Nascer, a primeira grande transição da vida

Por: Tânia Gorducho, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese

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Contrariamente ao que muitas vezes se defende, o tema do parto e do nascimento diz respeito, não apenas a casais que pretendem ter filhos, mas sim a toda a sociedade. Afinal, todos nós nascemos um dia.

Nas palavras de D. Boadella, "o nascimento é um drama que pode determinar algumas das mais profundas características da nossa personalidade. Se o parto irá ou não tornar-se um trauma, vai depender muito das condições do momento e da atitude dos participantes".

Mas de que forma é que o parto pode impactar a vida de cada um de nós? Até que ponto um acontecimento isolado, numa fase tão primitiva da nossa formação, pode influenciar a forma como nos posicionamos na vida? E que influência terá na forma como nos relacionamos com os outros? Qual o impacto na nossa saúde física e emocional?

O nascimento humano foi moldado ao longo de milhões de anos, ao longo de toda a evolução do Homem. No entanto, com o surgimento dos modelos obstétricos contemporâneos (há cerca de 40, 50 anos) passámos a assistir a uma profunda alteração no modo como se nasce.
Actualmente, as práticas seguidas em hospitais, clínicas e maternidades são extremamente intervencionistas e invasivas, recorrendo a uma série de protocolos que não colocam em primeiro lugar o interesse da mãe nem do bebé.

Diversos estudos científicos comprovam que esses métodos inibem o fluxo hormonal necessário ao natural desenrolar do trabalho de parto. Por exemplo, no momento do parto é fundamental que o organismo da mulher segregue ocitocina, uma hormona que permite ajudar a relaxar e tornar fluído o processo. Quando isto acontece, cada contracção proporciona uma estimulação na pele do feto que o prepara para o sistema de sustentação pós-natal, que é radicalmente diferente do ambiente aquático que conheceu até então.

No entanto, esse estado natural nem sempre é desencadeado. Pelo contrário, o que ocorre frequentemente, é que a mulher fica tão tensa que acaba estimulando a zona cerebral do neocortex - encarregue do pensamento racional - o que provoca a segregação de adrenalina, uma hormona que produz tensão, contrariando o movimento natural das contracções, dificultando a expulsão natural do bebé. Nestes casos, em vez do bebé sentir cada contracção como uma massagem firme que prepara a sua passagem para o mundo extra-uterino, sentirá uma pressão esmagadora.

Além disso, o cocktail de hormonas naturalmente produzido durante o trabalho de parto, vai facilitar o processo de vinculação mãe-filho, além de ajudar à recuperação no pós-parto, reduzindo o sangramento, e consequentemente a possibilidade de infecções e anemia.

Quem deseja viver a experiência de um parto natural sem passar pelos métodos protocolares praticados hoje em dia, tem procurado a alternativa do parto humanizado. Ao contrário do que se possa imaginar, parto humanizado não significa parto em casa. A mulher escolhe o local onde se sente mais segura, podendo optar por ter o seu filho em casa, numa casa de parto ou num hospital preparado para isso. Neste formato não existe uma receita, mas sim um princípio: respeitar as necessidades e escolhas da mulher e também o tempo do bebé. São utilizadas massagens, respirações, acupuntura e outras técnicas com o propósito de proporcionar conforto à grávida. Pode ser aplicada anestesia mas somente se a mãe o solicitar. Ao nascer, o bebé é recebido num ambiente aquecido, com pouca luz, com a menor quantidade de pessoas e estímulos sensoriais possível de forma a não agredi-lo, e é imediatamente colocado em contacto com a mãe. Esta recepção, amorosa e respeitosa fica impressa na sua memória celular e irá acompanhá-lo toda a vida.

O parto é mais do que um acto fisiológico que começa com as contracções e termina com o nascimento do bebé e da placenta: é acima de tudo um verdadeiro ritual de iniciação ou de passagem, não apenas para a mãe, mas para toda a família e para o bebé que participa activamente nessa experiência, saindo mais forte dela.

A forma como somos recebidos no mundo é uma experiência profundamente marcante. Por isso, não basta apenas sobreviver ao parto, mas sim nascer com qualidade, experienciando um parto onde exista delicadeza durante todo o processo, assim como nas primeiras horas de vida. E para que isso aconteça, é fundamental que a mãe se prepare de forma consciente para receber o seu filho, da mesma forma e com o mesmo cuidado e atenção que coloca na escolha de cada peça de roupa do seu enxoval. Só assim teremos mulheres realizadas, bebés saudáveis e melhores vínculos familiares.

Fontes:
“Correntes da Vida”, D. Boadella, Ed. Summus, 3ª edição
“Childbirth and the Evolution of Homo Sapiens”, M. Odent, Ed. Printer & Martin, Ltd., 2014

Documentário “O renascimento do Parto”, Erica de Paula e Eduardo Chauvet, 2013

Tânia Gorducho é Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese no Centro de Psicoterapia Corporal em Biossíntese, em Lisboa, onde se formou, e em Setubal, na Clínica do Corpo e da Mente De Salgueiro & Jesus. A par da prática clínica, está a frequentar a Pós-graduação em Psicossomática e Epigenética, promovida pelo CPSB – Centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese.

Apaixonada pelas questões da maternidade, primeira infância e Parentalidade Consciente, fez formação como Doula de Parto e Pós-Parto com formadora certificada pela Dona International durante a gravidez do seu filho e começou a trabalhar com mães e casais no apoio à parentalidade em 2016. Promove e facilita Grupos terapêuticos de Apoio a Mães e Grávidas, além de Apoio individual a casais.

Contacto: tania.gorducho@almamater-psi.pt

Workshop gratuito na Espiral, Lisboa - As Emoções no Universo das Crianças


27 de fevereiro de 2017

Ser mulher hoje, é... | Workshop aberto - 8 de Março com Maria del Mar

WORKSHOP DIVULGAÇÃO | 08 DE MARÇO

Ser Mulher hoje é...

Será o conceito de igualdade de género utópico?
Como podemos refletir sobre a igualdade entre homens e mulheres na atualidade?
Podemos falar sobre o lado masculino da Mulher e o lado feminino do Homem?
Um workshop para homens e mulheres onde vamos desafiar os papéis de género.

Investimento: 5€ Associados / 10€ Não Associados CPSB
Data: 08 de Março 2017 das 19h às 21h
Local: Av. 5 de Outubro nº 122, 5º Esq. – Campo Pequeno
Confirmação obrigatória para o e-mail: geral@cfpsb.com ou 21 793 53 26
 Dra. Maria del Mar Cegarra Cervantes 
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Somática em Biossíntese, Professora Sénior pelo International Institute for Biosynthesis, Directora do CPSB (centro de Psicoterapia Somática em Biossíntese) e Presidente da APPC,  Associação Portuguesa de Psicoterapia Corporal

21 de fevereiro de 2017

3º Encontro Institucional Ibérico


Neste último fim-de-semana, decorreu o 3º Encontro Institucional Ibérico do CPSB! Este é um evento muito importante para a nossa escola e que reúne colegas e alunos de Portugal e de Espanha. O objetivo é manter a criatividade em movimento - o mote do evento - apresentando temas e projetos que estão em desenvolvimento e que têm como intuito demonstrar e dar a conhecer novas ferramentas para melhorar a intervenção terapêutica de indivíduos e grupos, É destinado a todos os alunos mas também aos professores e profissionais da área da Biossíntese.

De sexta a domingo, foram apresentados 11 workshops de palestrantes portugueses e espanhóis e das mais diversas temáticas, desde a escrita criativa, inteligência financeira, maternidade, dança butôh, movimento autêntico, yoga, múltiplas inteligências, anatomia vivencial, biossíntese em crianças e jovens, ou hakomi (psicoterapia somática baseada no Mindfulness).


O cruzamento entre a parte expositiva e a parte prática foi uma constante, algo que caracteriza a Biossíntese e que permitiu ao público que assistiu, não só aprender novas ferramentas como psicoterapeutas somáticos em Biossíntese, mas também vivenciar em primeira mão e no corpo as mais-valias de cada uma das apresentações.













Para o ano haverá, certamente, mais!